Imagem aérea da cidade de Reserva do Iguaçu - PR

Reserva do Iguaçu. Município jovem num mundo envelhecido. Terra que teve, sim, seus dias de glória, mas que nos últimos anos vem padecendo com alguns reveses. Reveses esses que foram sendo cevados pacientemente por pessoas desprovidas de visão – algumas que “ajudaram a governar” o referido município, outras não – e que acreditavam ter em suas mãos uma áurea e mágica solução.

Enfim, o leite das oportunidades, que não foram poucas, foi derramado garbosamente, desperdiçado sem muita cerimônia até a véspera e, como nos ensina o brocardo popular, não devemos verter nossas lágrimas por isso. Sigamos em frente, porque atrás vem gente. As futuras gerações já estão aí, perguntando a nós o que iremos deixar como legado para elas lavorarem e, quem sabe, serem melhores do que fomos até aqui.

Poderíamos apresentar nessas linhas uma infinidade de números, estatísticas, tabelas e piruetas mil, para dizer que há um lugar todo especial reservado, nos anos que inevitavelmente virão, para aqueles que adotam o pronome cívico de reservense do Iguaçu. Poderíamos, mas não o faremos, porque o problema não são os números. Nunca são eles. O problema está na visão.

Há uma velha historieta que nos conta as desventuras seriais dum fabricante de sapatos que estava pensando em vender seus produtos numa ilhota, habitada por aborígenes, num canto qualquer do globo terrestre.

Para tanto, contratou dois vendedores. O primeiro, ao retornar, macambúzio da vida, disse: “esqueça a ilha. Lá ninguém usa sapatos”. O segundo, quando voltou, estava com um sorriso estampado de orelha a orelha, dizendo: “Nós vamos lavar a égua de tanto ganhar dinheiro. Ninguém na ilha tem sapatos.”

Esse causo é simples e conhecido por todos. A lição presente nele, também; porém, essa não é assimilada praticamente por nenhum de nós, infelizmente.

Reserva do Iguaçu, a velha Rondinha, é uma terra em que tudo está por fazer, praticamente tudo, e dispõem de muito para transformar projetos visionários numa sólida realidade. Tudo depende, é claro, da forma como olhamos para o cenário municipal e da maneira como ele é articulado dentro da conjuntura atual em que todos nos encontramos.

Figura-se para aproximadamente 2030 a realização do que se convencionou chamar pela alcunha de “Grand Reset”, que consiste numa reconfiguração de toda economia global. Nos recusarmos a compreender os impactos dessa reestruturação política, econômica e social global seria um ato de grande irresponsabilidade que limitaria de forma severa nossa visão e, consequentemente, nossa capacidade de ação.

Não é menos importante lembrarmos, também, que a vida nos grandes centros urbanos, e bem como o ambiente para o desenvolvimento de trabalhos e negócios nesses lugares, torna-se cada vez mais problemático, o que tem levado muitíssimas pessoas a desejarem deixar a selva de pedra para procurar o acolhimento que apenas a vida interiorana é capaz de propiciar. Desprezar essa realidade seria uma tremenda insensatez que turvaria nosso olhar e, inevitavelmente, nosso potencial de realização frente a esse fato.

Vivemos, hoje, num mundo onde a população idosa cresce significativamente e, esses cidadãos cheios de vida vivida, tem suas demandas específicas, como atenção, segurança e, é claro, tranquilidade. Ignorar esse fato seria, por sua deixa, um imensurável disparate que, fatalmente, tolheria nossa percepção sobre essa realidade e nossas possíveis relações com ela.

E, tudo isso, encontra-se disposto num tabuleiro em transformação, devidamente interligado pela internet, maximizando as possibilidades latentes no cenário que se vê emoldurado nos pontos destacados nessas turvas linhas.

Para que bons frutos sejam colhidos, como havíamos dito, tudo dependerá do olhar que decidirmos lançar sobre o momento em que estamos e, principalmente, como iremos situar essa terra reservada, para a realização de sonhos e projetos, ousados ou modestos, banhada pelo rio Iguaçu.

Tudo, tudinho, depende da nossa visão, ou da falta dela.

Escrevinhado por Dartagnan da Silva Zanela

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