Por Bruno Zampier

No segundo capítulo do Manifesto do Partido Comunista, escrito por Karl Marx e Friederich Engels e publicado em 1848, encontramos o anúncio de uma das idéias mais radicais e estúpidas já publicadas em um livro: a abolição da família como uma consequência inevitável de uma sociedade que busca justiça. Na imaginação destes grandes expoentes do “pensamento” comunista, o mundo seria muito melhor se os relacionamentos entre irmãos, avós e netos, pais e filhos, fosse varrido da face da terra, deixando o indivíduo aos cuidados carinhosos e afetuosos de um gigante aparato burocrático governamental a serviço da ideologia comunista. O trecho é o seguinte:

Abolição da família! Até os mais radicais exaltam-se com essa infame intenção dos comunistas.
Em que se baseia a família atual, burguesa? No capital, no lucro privado. Na sua plenitude, ela
existe apenas para a burguesia; mas encontra seu complemento na ausência forçada de família entre
os proletários e na prostituição.  A família dos burgueses desaparece natural- mente com o desaparecimento desse seu complemento, e ambos desaparecem com a abolição do capital.

Como a loucura e a burrice nunca perderam para a sabedoria na capacidade de atrair adeptos, a proposta de Marx e Engels foi endossada por inúmeros “pensadores” do século XX e XXI, que não só desenvolveram a idéia mas também ajudaram a implantar projetos políticos e sociais em países comunistas para desestruturar os vínculos familiares. Criaram estratégias muito eficazes para abolir a família sem confessar o propósito de forma tão chocante e desavergonhada como haviam feito a caricata dupla Marx e Engels.

Assim, trataram de dessacralizar o matrimonio, promovendo o divórcio como solução para a violência contra as mulheres, legalizando o aborto sem qualquer restrição (a Rússia comunista foi o primeiro país do mundo a fazê-lo, já em 1917, ano da revolução comunista), incentivando as mulheres ao trabalho, igualdade salarial e previdência social. Criaram o termo “emancipação feminina”. Quem poderia ser contra tais direitos? Mas, como diz o ditado popular, “quando a esmola é demais o santo desconfia”, não podemos esquecer que o velho propósito maluco nunca deixou de existir.

A tal emancipação não tem por objetivo a liberdade da mulher, como se sugere a princípio, mas tem por meta final a desestruturação da família para concentrar todo poder e controle no Estado. Trata-se de libertar a mulher da família, mas só para que homens, mulheres e crianças sejam mais dependentes do Estado. A proposta de Marx ecoa até hoje, na era da internet, anunciado aos quatro cantos do mundo, em vídeos como esse: [https://www.youtube.com/watch?v=y1U5WCcR2N0]

Infelizmente eu não estava nessa plateia pois desejaria fazer uma pergunta, ao invés de aplaudir. Talvez a providência divina não tenha permitido que eu estivesse lá por caridosos motivos. Mas gostaria de saber do nosso discípulo contemporâneo de Karl Marx:

– Você, cidadão, já destruiu a sua família?

Nunca saberei a resposta, mas creio que só existem duas opções: ou a resposta é sim – o sujeito já destruiu sua própria família – ou, segunda hipótese, e que talvez seja a mais provável e triste possível –  ele nunca teve uma família. Seja lá qual for a resposta, a objeção a ser levantada é a seguinte: apresente-me um único bom motivo para que eu destrua minha própria família. Como duvido da existência deste motivo, sugiro recorrer a alguém que já o tenha feito para ouvir sua experiência.

 

Neste sentido, talvez fosse interessante saber a opinião de um grande líder comunista, refletindo após décadas de abolição da família na Rússia comunista. Refiro-me a Mikhail Gorbachev. Para quem não sabe de quem se trata, cito um resumo tirado da Wikipedia:

Oitavo e último líder da União Soviética, foi Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de 1985 a 1991. Foi chefe de Estado do país de 1988 a 1991, na posição de Presidente do Presidium do Soviete Supremo de 1988 a 1989, Presidente do Soviete Supremo de 1989 a 1990 e Presidente da União Soviética de 1990 a 1991. Ideologicamente, sua identificação inicial era com os ideais marxistas-leninistas, tendo, entretanto, no início da década de 1990, se inclinado à social-democracia.

Pois bem, Gorbachev escreveu um livro chamado “Perestroika – Novas Idéias para o mundo e meu país” em 1988, no qual analisa as consequências da ideologia marxista em diversos temas. Por acaso, encontrei este livro em um sebo aqui de Guarapuava. Lá pelas tantas, ele comenta sobre as consequências da “emancipação feminina” como cavalo de tróia na cruzada comunista contra a família. O trecho é um pouco longo e com ele termino meu artigo, pois creio que seu relato é suficiente e fala por si. Afinal, depois de décadas implantando a abolição da família – estratégia que ganhou mais força no Brasil com os esforços do movimento feminista nos últimos dez ou quinze anos – creio que o parecer deste comunista arrependido não pode ser esquecido. Eis o trecho:

“Temos orgulho do que o Estado soviético concedeu às mulheres: o direito de igualdade de trabalho com os homens, pagamento igual por trabalho igual e previdência social. As mulheres receberam oportunidade de estudar, escolher uma carreira e participar de atividades políticas e sociais. Sem a contribuição e o trabalho altruísta das mulheres não teríamos construído uma nova sociedade nem vencido a guerra contra o fascismo.

“Todavia, ao longo dos anos de nossa difícil e heroica história, deixamos de dedicar atenção a seus direitos e necessidades específicas, em seu papel de mães e donas-de-casa, e a sua indispensável função educacional no que diz respeito às crianças. Envolvidas em pesquisas científicas, trabalhando em obras de construção, na produção, serviços públicos e dedicando-se a outras atividades criativas as mulheres não encontram mais tempo para executar suas tarefas cotidianas no lar, – serviço de casa, a criação dos filhos e a formação de uma boa atmosfera doméstica. Descobrimos que muitos dos problemas comportamentais das crianças e dos jovens, em nossa moral, cultura e produção, são parcialmente derivados do enfraquecimento dos laços familiares e da negligência nas responsabilidades para com a família. Eis o resultado paradoxal de nosso desejo sincero e politicamente justificado de tornarmos as mulheres iguais aos homens em tudo.” [1]


[1] GORBACHEV, Mikhail. Perestroika – Novas Idéias para o meu país e o mundo. São Paulo: Editora Best-Seller, 1988, p. 133.

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