Não  podemos perder espaço para os discursos apedeutas nas redes sociais, mesmo que seus combatentes estejam sendo fortemente atacados por seus próprios dependentes de conhecimento e informação sobre a realidade dos fatos.

A opinião é algo sagrado em cada um de nós. Somos seres com necessidade de falar. Está descrito na Teoria da Comunicação. A opinião é uma forma de defesa, de cobrança a quem elegemos, confiamos para ser nossos representantes. Enfim, literalmente a quem de certa forma, confiamos ao guia da nossa vida, ou dos nossos descendentes.

Mas  devido a  face oculta das redes sociais, que está cada vez mais agressiva, as vezes pessoas ultrapassam as linhas do seu  direito de dizer. Ou quem será que o emissor se equivocou, não soube passar claramente sua mensagem, a sua opinião? É bem possivel. Acontece. As opiniões são geradas muitas vezes pelos fatos,  pela história que construimos no dia a dia, diante dos olhos da sociedade, seja ela boa ou ruím. Uma  vez  que por conta dessa confiança, o representante  social de uma repartição, ou instituição, está exposto a críticas, para que  reveja seus conceitos, ciente que ele representa a massa.

Lamentavelmente  essas histórias  de quem vou me referir, estão se apagando, por não estarem vinculadas a ONGs ou diretamente as políticas públicas, que tragam benefícios a acomodados ou que apareçam nos LEDs  Globais. Esses profissionais a quem me dirijo, fazem  o seu trabalho sem precisar de publicidade. No começo da semana passada comentei com uma professora colega de trabalho, que veio de outra cidade, a respeito da saudosa professora Eroni Santos Ferreira. O carisma que tinha pela profissão. Eu  fui seu aluno nos tempos de Escola Castelo Branco e  depois de quinze anos, no Ensino Médio, no Colégio Estadual Mário Evaldo Morski. Trabalhou  até  sua partida repentina e dolorosa para nós alunos da época.

Pois  ela era a então diretora do colégio. E  não tem quem foi estudante daquela época, fale nela e não se emocione. Como pessoa, com profissional, lacuna impreenchível, contribuiu para tirar muita gente do analfabetismo, do apedeutismo ou conhecimentos matemáticos e físicos (cálculo), como foi o meu, nos tempos do colegial. Meu sobrinho até no ano passado estudava na escola que leva o seu nome e não conhecia  sua história, que marcou uma época e uma geração. Com prazer e orgulho por ter convivido  e aprendido muito com ela, contei a ele, quem foi Eroni. Quero registrar aqui  também minha gratidão as minhas primeiras professoras, Maria Aparecida Santos e Maria da Luz Lima, da qual tive a grata oportunidade de receber o meu guarda pó, de suas mãos, no evento que já me concedia as prerrogativas à docência, quando eu era formando em Magistério.

Então, na semana passada, foi apresentado um projeto na Câmara para um Centro de Educação Infantil levar o nome da saudosa professora Gisele Mendes  de Oliveira. E  como todos tem o direito de manifestar o que pensam, eu resolvi também. Nem tanto por motivo da referida professora, que era casada com primo meu, um irmão de criação, ou por ela ser da minha família. Para alguns cidadãos talvez  o que ela deixou, não importe. Então a eles, ratifico, que o legislativo não faz isso como um favor. Mas  pelo reconhecimento histórico de quem fez algo de bom à nossa  gente. Se existe um histórico de vida que todo mundo conhece é o de um professor. A homenagem em vida é o respeito e o carinho de quem  nos considera,  a  expressão de gratidão por estarmos juntos, mesmo que seja em gestos singelos. Isso já é uma  forma  retribuição.

Em razão deste episódio, me certifico, que a memória das pessoas, quando não estimulada atrofia. E  isso esta se tornando uma doença grave a humanidade.  Pois  está cada dia mais presente e nociva. Deveremos  curar esses pequenos, que estudam nas escolas que levam o nome de professores, ativando, os que serão o futuro do Brasil, se dizendo de um modo geral. Mas o que mais me indignou, claro que é uma opinião. Se  não é do seu gosto que se leve o nome de uma professora, deve ser respeitada.

O  Brasil é um país democrático, laico. Todos  são livres a se expressar. Tem o direito de dizer. Mas dizer que o professor é um servidor público qualquer, é menosprezar o seu ABC  aprendido na escola de ensino básico. Este texto, não é só em nome da Gi, como carinhosamente chamávamos. Apesar de ela merecer. E muito! Mas também em nome da classe docente. O qual tenho orgulho em pertencer.  Recebemos críticas todos os dias, que ganhamos bem e trabalhamos pouco. Se temo defeitos ? Somos seres humanos.  Cometemos  erros, para enfim aprender e posteriormente, dividir. É o estado normal da profissão.

Mas nossas demandas é na tentativa de acertar e progredir coletivamente. É a ideologia dos meus colegas de labuta. Mas essas informações, por nós passadas, caros desavisados, não podem ser somente passadas. Tem  de ser absorvida pelos nossos ouvintes. Se não, não tem valor. E que os pais também façam sua parte na educação primária. Deem sentido a educação e futuros dos seus filhos. Estimulem a uma vida mais real. Quase ninguém mais sabe nada, as vezes da sua própria vida. Os adultos, a mesma coisa. Pois estão se perdendo as referências consistentes nos campos cognitivos, para as telas do celular e do computador, levados pelos mídias corporativos. Pelo “dis´que – dis´que”. O humano da sala de aula está cada dia mais  desvalorizado e muito mais ainda, o seu legado. Com ressalva de alguns pais ou cidadãos.

Poucos. Não raro, os que estão se tornando  adultos, cujos passados estão sendo apagados por falta desses estímulos de conhecimento, do quem sou. Aprender se tornou uma tarefa árdua, repassar, talvez pior. E e se deixarmos assim, se tornaremos aculturados. Ignorando quem fez tanto pelo progresso do seu povo ou sua nação. Pois nem sempre quem tem boa formação, permanece na sua terra natal. As pessoas, passam e se vão, algumas lembram, como citei as minhas primeiras professoras entre tantas outras que tive e que me ensinaram a escrever, até estas singelas linhas, remetendo as lembranças da minha infância estudantil.

Constato que o professor do século XXI, para muitos, depois que sai de cena, é como um artista no retiro, tira o guarda pó, sai da sala de aula, ou parte deste mundo, tudo o que proporcionou foi ou será esquecido. Eu, mesmo que um dia eu deixe as salas de aula, vou defender a classe desse nobres. Quem os menospreza, tem de conhecer a etimologia da palavra professor. Se tem professores que não honram a profissão? Como em todas  as profissões.E como também  tem cidadãos mal agradecidos, por  talvez  ter uma simples passagem por uma escola, sem saber o seu valor. Aí eu vejo infelizmente por parte de muitos a desvalorização da profissão.

De fato, somos pagos e escolhemos a profissão. Mas estudar a vida toda, até  os dias próximos da sua morte, para ensinar sem distinção, como foi o caso da Gisele, e ou fazer o papel de pai e de mãe, como é comum hoje, em sala de aula, é para poucos. Pois tal necessidade do regresso profissional as atividades, foi constatado no auge da Covid. Como a professora Eroni, entre tantas outras histórias ilustres, porém anônimas, de quem trabalhou até os seus últimos momentos de vida com filhos alheios, como se fossem seus.

É para isso que as Câmaras Municipais fazem, estas justas homenagens, a estes heróis e heroínas, até então sem medalhas para que não sejam futuramente, “soldados desconhecidos”, mortos em campo de batalha, a disseminar conhecimento. Com  bravura na luta pela dignidade alheia, enriquecendo saberes, lançando sementes as vezes em “terras áridas” e salvando vidas, só pelo amor à profissão que escolheram. Ao fim verás que na verdade, para eles, o salário, com certeza, foi o de menos. E os seus modelos de filantropia foram diferentes.

Edmilson Siqueira Caldas

Professor, músico e escritor.

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