Foto: Naor Coelho/Fatos do Iguaçu

Há sementes que são plantadas e demoram a germinar, outras germinam logo, mesmo sofrendo várias intempéries da vida… Uma dessas sementes é o jovem empresário Abdiel Camargo Felix. O Bed, como todos o conhecem, é uma semente que deu frutos graças à persistência e à perseverança. Há oito anos, ele toca a Bed Bebidas, uma conveniência na rua Francisco Dellê, esquina com a XV de Novembro, sem tradição familiar no comércio — o pai, Alceu Nunes Felix, é pintor; a mãe, Maria Lúcia de Abreu Felix, professora. Empreender, para ele, foi o caminho para realizar sonhos e fincar raízes em Pinhão.

“Empreendedorismo nasce da necessidade”

Nascido na Vila Copel, em Reserva do Iguaçu, Bed chegou a Pinhão aos nove anos. Trabalhou de tudo um pouco — em hotel, descarregando tijolo, entregando pão, na prefeitura — e também morou fora, inclusive em Balneário Camboriú, onde chegou a ter “saláriozão”, mas custo de vida alto. A virada veio quando percebeu que, no emprego de então, “financeiramente era muito limitado”.

“O empreendedorismo nasce da necessidade. Você não aceita a situação atual e busca meios para mudar a realidade.”

A ideia inicial era abrir a conveniência em Cruz Machado, mas nem sala conseguiu alugar. O empurrão decisivo veio de um concorrente de Pinhão — “abre aqui, mas com horário estendido” — conselho que virou diferencial.

Aprender errando (e pagando as faturas)

O comércio, diz Bed, é um “ato de fé”: o mês começa no vermelho e exige precisão cirúrgica em compras e giro. Sem família de comerciantes, aprendeu apanhando — inclusive encalhando mercadoria.

“Teve mês que só deu Pepsi lá em casa… validade chegando e eu sem saída.”

Veio a pandemia. Antes dela, ele já “tinha quebrado”; o Covid foi a “cerejinha do bolo”. Restrição de horário, queda no movimento — e a pressão dos próximos: “vende, desiste”. Bed não vendeu.

“Eu sei o preço que tenho de pagar. Vou até o final.”

Dinheiro não é fim — é meio

De origem simples, ele fala sem rodeios sobre o desafio de lidar com o dinheiro: realizar desejos antigos sem sacrificar o negócio.

“Quando o pobre começa a ganhar, o desafio é não enlouquecer. Dinheiro é importante, mas não pode ser o centro da vida.”

Equilíbrio também entrou no prato: depois de realizar o sonho de “comer lanche todo dia”, veio a conta da saúde. Hoje, rotina regrada: refeições na loja, atividade física e agenda planejada.
A base afetiva é a família — e a mãe, presença diária na operação.

“No mínimo, duas a três horas por dia ela segura o balcão pra eu treinar, dormir, resolver as coisas.”

Trilha, motocross e função social

Foto: Arquivo/Pessoal

A paixão por trilha e motocross nasceu aos 12, vendo uma corrida. Hoje, Bed mobiliza gente e recurso para trazer eventos à cidade — inclusive por meio de articulação com o poder público estadual.
E faz questão de vincular ação social às provas: bar operado pela Apae em uma edição, parte do estacionamento revertida ao Lar do Idoso em outra.

“Empresa tem função social. Quando está bem, precisa devolver.”

O Pinhão que ele vive — e o que sonha

Para Bed, Pinhão é bom de morar e seguro quando comparado a cidades de porte semelhante. Mas ele enxerga gargalos: pouca indústria, dinheiro mal distribuído, dependência de poucos atores econômicos e baixa valorização do pequeno produtor. Há também incômodos culturais — lixo na rua, rios onde já não se nada.

“O PIB do Pinhão está na mão de poucas pessoas. O comércio vive, sobrevive muito graças ao povo do interior.”

A receita? Políticas para produção familiar, cidade mais bonita o ano todo e dinheiro circulando aqui.

Começos, tropeços e reinvenção

Antes da Bed Bebidas, houve o espetinho (na frente do JM). Durou um ano, enfrentou deslocamento, intempéries — e virou aprendizado. Veio a conveniência, os erros, os acertos, a disciplina.

“Não é tudo azul. Mas eu dizia: se o preço for alto, eu pago. Sem infringir a lei, com muito trabalho.”

Aos 33 anos, solteiro, ele cultiva o desejo de construir família estruturada — com calma e responsabilidade.

“Uma das escolhas mais importantes da vida é com quem você casa.”

Conselhos de quem está na arena

Bed não discursa só para empreendedores — fala de vida: perdoar, cuidar da saúde, não ser escravo do trabalho, viver o hoje.

“Mágoa é veneno que você toma sozinho.”
Não case com o serviço. Trabalho é vital, mas não é o mais importante.”
“Quando chegar um problema de saúde, você descobre que o resto não era problema.”

E, para quem pensa em abrir as portas: atenção ao desejo e ao caixa. Sonho é bússola; fluxo de caixa é combustível.

A semente que virou árvore na esquina mais movimentada

Oito anos depois, Bed segue na mesma esquina, resistente como quem atravessou tempestades e aprendeu a ler o tempo.

“Em Pinhão, vale a pena apostar. Se você tem uma boa ideia, um sonho ou um capital, invista aqui.”

 Quem é o Bed

  • Nome: Abdiel Camargo Felix, 33 anos
  • Origem: Vila Copel, Reserva do Iguaçu; em Pinhão desde os 9 anos
  • Pais: Alceu Nunes Felix (pintor) e Maria Lúcia de Abreu Felix (professora)
  • Negócio: Bed Bebidas (conveniência com bebidas, chocolates e tabacaria)
  • Endereço: Rua Francisco Dellê, esquina com Av. XV de Novembro, Pinhão-PR
  • Marca registrada: horário estendido e atendimento de proximidade
  • Causas: eventos de trilha/motocross com contrapartida para Apae e Lar do Idoso

5 ideias do Bed para quem quer empreender

  1. Comece pequeno e rode o caixa: estoque não é decoração.
  2. Ouça, mas decida: vendedor ajuda, mas você assume o risco.
  3. Disciplina diária: sono, alimentação, exercício e números.
  4. Separe contas: dinheiro da empresa não é o seu.
  5. Propósito e comunidade: vincule seu negócio a algo maior.

Essa é a nossa cidade, nós temos que cuidar e investir nela. Se você tem uma boa ideia, um sonho ou um capital, invista aqui em Pinhão.


Reportagem publicada originalmente na edição impressa comemorativa aos 61 anos de emancipação política do município de Pinhão – PR.

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