A sétima arte brasileira, mesmo em evidência em todo o planeta, fica sem o apoio do seu elenco principal após o evento de premiação.
Ao colocarmos os pés no chão literalmente, todos os dias e caminhar conscientes que, eventuais erros e perdas poderão acontecer, no decorrer de qualquer trabalho deveria ser o nosso pensamento de cada dia. Mas um olhar alheio, de fora, pode, auxiliar ou prejudicar mais o estado de espírito de quem o faz, nesse momento de um eventual contratempo. Para as pessoas que passam pela vida, isso até parece uma terapia, praticar essas atitudes, principalmente, se não for sua caminhada, na sua labuta, se não diz respeito a esse transmissor de “energias baixas”.
Mas a vontade de fazer, se realizar como tal, e deixar um legado de progresso, se sobrepõe a qualquer dificuldade. Não que as críticas, não sejam bem vindas. Uma vez, que venham como um apoio, uma orientação a respeito, uma discussão que agregue melhorias ao que ficou regular. Se for com esse efeito, acredito que todos nós também aceitaremos de bom grado. Mas lamentavelmente, não é assim que estão se dirigindo aos nossos atores, que retrataram lá fora, parte das sombrias histórias deste país e divulgaram a nossa cultura, a nossa saga, além continente, através das telonas.
É bem verdade, que por muitos fatores de investimento, teremos muito que caminhar, ainda, para sermos uma grande produção cinematográfica, com relação aos outros países. Estamos melhorando. Mas lembrem que antes tempo, só comíamos os enlatados dos filmes de ficção cientifica, ou de ação, tais, com roteiros voltados para alguma saga da América, ostentando a sua Bandeira, como se fosse uma divindade mundial, que se sobrepunha as demais nações, que para eles, os americanos,os demais países tinham que venerá-la. Isso ocorreu durante a conhecida Geração Coca Cola.
Na época da forte publicidade da Walt Disney Word, reproduzido aqui no Brasil o Beto Carreiro Word, vamos dizer que isto foi investimento nacional, mesmo sendo uma cópia. Mas empresa americana virou febre em todo mundo, por seus parques de diversões fantásticos, atraindo milhões de dólares e nós vivendo ainda à sombra de um regime, com episódios fatídicos, e os americanos, na surdina, apoiando os militares brasileiros.
Mas no Brasil da época, também foi memoravel. Pois já existia por aqui muitos artistas, com olhares românticos para as terras tupiniquins, orgulhosos das nossas belezas naturais e de nossas belas e lindas mulheres.Um exemplo de coletividade, de valorização do outro, que deveria contaminar a toda a humanidade, é o das crianças dos países asiáticos. Quando um coleguinha de aula cai, o outro,solícito, vai auxiliar a se levantar. Essa atitude de cidadania é ensinado nas escolas de Educação Infantil e Ensino Básico. Notem, que é esses países sempre estão em destaque, pois são os que formam pessoas de ambos os sexos, que por sua vez, lideram os principais assuntos, mundiais, principalmente do seu país, com relação ao mercado e a política externa.
E nós, quanto brasileiros, muitas vezes fazemos o caminho inverso, somos orgulhosos, donos da verdade, alheios de parcerias, coletividade com as pessoas. Os referidos exemplos, ilustram a noticia sobre o filme estrelado pelo ator Wagner Moura, que mesmo provando, que para se ter a honra de pisar no tapete vermelho do Oscar, não é para críticos aspirantes, após o evento da entrega do Óscar, dia 16 de março, o ator foi atacado, por dia seguidos, nas veladas redes sociais, por não trazer o Óscar de melhor ator, com o filme O agente secreto, para o Brasil. Aí me pergunto: por que será isso ? Será que a produção do filme e a viagem de Wagner foi patrocinado pela Lei Rouanet ? Que é a deixa de argumentos dos falatórios.
Não sei, não posso afirmar nada. Mas se foi, não fará diferença. Visto que, muitos políticos brasileiros fazem isso. De se valerem com dinheiro povo, em seu próprio favor, em viagens internacionais para diversos lugares, sem agenda de trabalho em prol da população. E mesmo com o apoio da imprensa, atuando os tais delitos, muitas pessoas ignoram os fatos, e elegem, para representá-las. Se foi com a Roaunet, Wagner, fez valer, fez jus, as despesas bancadas por ela. Ou por nós indiretamente. Nos representou e muito bem. Eu, como milhões de brasileiros, gostaríamos que ele ganhasse a estatueta.
A opinião política é dele, é pessoal, como a minha. Não me interessa. Deve de ter muita razão quando ataca políticos brasileiros, em seus discursos e entrevistas, mundo a fora. Como já foi dito, o menosprezo, a depreciação da figura social, causa impacto, pelo efeito das palavras. Mas o que quero compartilhar, é que eu assisti, estava torcendo pela nossa arte, nossa historia, Imaginem! Seria pedir demais! Trazer outro… Pois ele estava lá no lugar que muitos desses que criticaram, gostariam de estar. Como ele: Coçando as mãos de nervosismo, a cada rodada, a cada categoria que foi indicado.
De ele estar lá, já deveria de ter o nosso reconhecimento, carinho e respeito. Pois estava em meio aos maiores do mundo, no segmento de mercado. Na minha opinião, se tratando em resgate de memórias, como uma forma de melhorar a formação das novas gerações, temos a obrigação de incentivar mais, fomentando o mercado, as produções nacionais educativas, voltados a nossa história, para que então nossos descendentes, saibam de onde vieram e conheçam os seus valores, e mostrarmos o quanto é importante sermos brasileiros e avivar momentos de nossas batalhas. Para que não continuemos a sermos colonizados e explorados. Porque muitos narradores que presenciaram e sentiram na pele tais violências físicas e psicológicas em nome da ordem, e descreviam esses fatos, de alguma forma, muitos já deixaram este mundo.
A Fernanda Torres e Selton Melo e elenco, também trouxeram à luz das telas, parte desses tempos truculentos de ditadura no Brasil. Eu era muito criança, mas ainda conheci as reais narrativas sob aquelas sombras e futuros incertos, ouvia muito aquelas histórias. Então eu acredito que o Wagner Moura e as Fernandas, jamais serão esquecidos, especialmente por quem ama de verdade a arte e a história do nosso Brasil. Pois mesmo com a falta de apoio dessas pessoas, que como eu, fazem parte desse elenco principal, porque, nasceram e vivem aqui, comungam essa mesma cruza de sangue, que formou nossa identidade cultural, e mesmo assim criticaram duramente, a derrota, e que ainda estão falando com ironia: para o Michael Jordan, um americano!
Com todo respeito ao seu talento, e mesmo que ele fosse de uma outra nacionalidade. Mas naquele momento, o meu sangue de brasileiro pulsou mais forte. E em razão de Wagner Moura e elenco, estarem representando nosso país, em outra América, esses que os criticaram, a bem da verdade, como um ato de gratidão, deveriam reconsiderar e transformar a eventualidade da tal derrota, em aplausos. O que não aconteceu. Mas finalizo este texto, destacando, que naquele evento de gala, naquele domingo à noite, o mundo inteiro, nos enxergou. Mas, eles… nem se quer se enxergaram.
Edmilson Siqueira Caldas
Professor, músico e escritor.

