Tem momentos em que a gente só percebe o quanto estava tenso quando finalmente consegue relaxar.
Depois de meses de campanha, pesquisas, discussões, expectativas e informações chegando de todos os lados, talvez esta semana tenha começado com uma sensação compartilhada por muita gente: um longo suspiro de alívio.
Passamos tanto tempo esperando por esse fim de semana que parecia que ele nunca chegaria. Acompanhamos números, ouvimos opiniões, discutimos possibilidades e, em algum momento, até uma conversa despretensiosa parecia encontrar um jeito de chegar ao mesmo assunto.
Então chegou. E passou.
Na manhã seguinte, o despertador tocou normalmente. O café foi passado, as pessoas foram trabalhar, as crianças foram para a escola e as preocupações de sempre voltaram a ocupar seus lugares.
Existe algo reconfortante nessa volta ao comum.
Depois de semanas em que tudo parecia urgente, é bom lembrar que nem tudo é. Que podemos abrir o celular sem procurar imediatamente pela próxima novidade. Que uma conversa pode ser apenas uma conversa. Que o almoço em família pode voltar a ter assuntos muito menos importantes, e talvez justamente por isso muito mais agradáveis.
É claro que o fim de uma eleição não significa o fim da política. Ainda existe muito para acompanhar, discutir e cobrar. Mas isso pode esperar pelo menos o tempo de recuperar o fôlego.
Porque cansa estar o tempo inteiro esperando alguma coisa acontecer.
E talvez seja justamente isso que explique a sensação destes dias. Não é necessariamente euforia, nem vontade de comemorar. É alívio. Aquele sentimento silencioso que aparece quando percebemos que alguma coisa que ocupava espaço demais na nossa cabeça finalmente terminou.
O alívio não faz barulho.
Ele aparece quando os ombros relaxam sem percebermos. Quando conseguimos mudar de assunto. Quando voltamos a prestar atenção nas pequenas coisas que continuaram acontecendo enquanto estávamos preocupados com algo muito maior.
Daqui a pouco, outras discussões virão. Outras preocupações também. Sempre vêm.
Mas não precisamos correr para encontrá-las.
Por enquanto, podemos aproveitar esse pequeno intervalo entre o que passou e aquilo que ainda vai acontecer.
Soltar o ar.
Relaxar os ombros.
E aproveitar, nem que seja por alguns instantes, esse tão necessário respiro de alívio..










