Na tarde desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o município de Pinhão realizou a 1ª Mostra Cultural “Tecendo Histórias e Fortalecendo Vínculos”. Promovido nas dependências do Simfupi, o evento apresentou à comunidade parte das atividades desenvolvidas ao longo do ano pelos participantes do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.
A TV Fatos acompanhou a mostra e registrou os trabalhos produzidos pelos diferentes grupos atendidos. Durante a visita, a jornalista Nara Coelho conversou com Maria Cândida Mendes, coordenadora do Serviço de Convivência no município, que explicou a proposta da iniciativa e conduziu a reportagem pelos espaços da exposição.
Segundo Maria Cândida, a mostra foi planejada para tornar conhecidas as atividades realizadas pelos usuários e evidenciar como a arte, a memória, o afeto e a troca de experiências podem aproximar pessoas de diferentes idades.
Quando pensamos em fazer essa mostra cultural, foi justamente para apresentar todas as atividades desenvolvidas pelos nossos usuários. O próprio nome já diz: tecendo histórias e fortalecendo vínculos
Serviço atende diferentes faixas etárias
O Serviço de Convivência desenvolve atividades organizadas em grupos, respeitando as particularidades de cada etapa da vida. Em Pinhão, são atendidas crianças de 7 a 11 anos, adolescentes de 11 a 17 anos, jovens de 18 a 29 anos — que também participam do Programa Gente de Cidadania — e pessoas com 60 anos ou mais.
Embora existam momentos e atividades específicos para cada faixa etária, a proposta também promove a convivência entre as gerações. Crianças, adolescentes, jovens e idosos compartilham conhecimentos, experiências e histórias, fortalecendo os vínculos entre os próprios participantes, as famílias e a comunidade.
A coordenadora ressaltou que os trabalhos artísticos não representam apenas uma atividade recreativa. Cada produção foi utilizada como instrumento de aproximação, expressão e construção de vínculos.
Arte, memórias e histórias de vida
Entre os trabalhos expostos estavam mosaicos produzidos com pequenos pedaços de EVA, pinturas, desenhos, quadros feitos com folhas e galhos, telas confeccionadas com retalhos de tecido, plantas e diferentes atividades manuais.
Uma das galerias reuniu as chamadas mandalas do afeto, produzidas pelo grupo de idosos Sorriso e Vida. Algumas peças também foram confeccionadas pelos participantes em suas casas, com a colaboração dos familiares, ampliando a proposta de fortalecimento dos vínculos para além do espaço do serviço.
Outro ambiente que chamou a atenção foi o “Memórias que Contam Histórias”. O espaço reuniu objetos antigos e relíquias guardadas pelos idosos desde a infância ou recebidas de familiares.
Entre os itens apresentados estava uma antiga máquina de escrever, desconhecida por muitas crianças e adolescentes. O objeto serviu como ponto de partida para uma troca de experiências entre as gerações, permitindo que os mais velhos explicassem como ele era utilizado antes da popularização dos computadores.
A exposição também contou com uma colcha coletiva. Cada participante confeccionou e pintou uma parte do trabalho, que depois foi costurada com a participação do grupo, simbolizando a união de diferentes histórias em uma única peça.
Livro reúne receitas compartilhadas pelos idosos
Os participantes do grupo 60 Mais levaram receitas antigas de suas famílias e compartilharam conhecimentos culinários. O material foi reunido em um livro de receitas produzido coletivamente.
Para a coordenação, atividades como essa ajudam a preservar memórias, valorizar a experiência das pessoas idosas e criar oportunidades de convivência. A iniciativa também contribui para enfrentar o isolamento social, realidade que pode atingir principalmente quem permanece grande parte do tempo sozinho em casa.
No Serviço de Convivência, os idosos têm a oportunidade de interagir com outras pessoas e compartilhar suas experiências com crianças e adolescentes.
Direitos também foram trabalhados
Além das produções artísticas, a mostra apresentou atividades educativas sobre os direitos da pessoa idosa e as garantias previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Um dos trabalhos sobre os direitos dos idosos foi desenvolvido pelas crianças. A proposta buscou mostrar que o respeito e o cuidado também devem estar presentes dentro das famílias, especialmente na convivência entre netos, avós e outros familiares idosos.
Os participantes ainda produziram materiais relacionados ao Maio Laranja, campanha de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, e à conscientização contra o trabalho infantil.
Diversidade das famílias
A exposição também abriu espaço para discutir as diferentes configurações familiares existentes atualmente. Na galeria “Laços que nos Unem”, crianças e adolescentes produziram pequenas casas e representaram, por meio de desenhos, seus próprios núcleos familiares.
Conforme Maria Cândida, o objetivo foi reconhecer a diversidade das famílias e mostrar que nenhuma estrutura familiar torna uma pessoa melhor ou menos importante do que outra.
Fotografias dos participantes, de seus familiares e dos profissionais do serviço formaram outra galeria. O espaço reforçou que o fortalecimento dos vínculos não deve acontecer somente durante as atividades, mas também dentro de casa e na comunidade.
Já o Livro da Identidade reuniu informações sobre os costumes, as raízes, as tradições, os gostos e as características de cada participante, valorizando a história individual e o sentimento de pertencimento.
Prevenção, afeto e convivência
Mais do que apresentar trabalhos realizados durante o ano, a primeira Mostra Cultural permitiu que familiares e a comunidade conhecessem a dimensão social das atividades desenvolvidas em Pinhão.
De acordo com a coordenadora, o Serviço de Convivência tem como principais objetivos a prevenção, o afeto e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Ao reunir diferentes gerações em torno da arte, da memória e da troca de experiências, a mostra demonstrou que cada desenho, receita, fotografia, objeto antigo ou peça artesanal também pode carregar uma história — e ajudar a construir novas relações.
Da Redação, com reportagem de Nara Coelho/TV Fatos.
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