Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Pinhão inicia formação de agentes populares de saúde com representantes de diferentes comunidades

Programa reúne lideranças comunitárias, integrantes de associações e representantes de movimentos sociais em uma jornada de sete meses voltada ao fortalecimento da participação popular e à defesa do SUS

O primeiro encontro do Programa de Formação de Agentes Educadoras e Educadores Populares de Saúde (AgPopSUS) foi realizado no sábado, 19 de setembro, no Centro Integrado Comunitário (CIC), em Pinhão. A atividade reuniu 35 participantes, entre representantes de comunidades do interior, associações, movimentos sociais e diferentes setores do município.

A formação terá duração de sete meses, com sete encontros presenciais, atividades virtuais e ações desenvolvidas diretamente nas comunidades. Em Pinhão, o programa está organizado em duas turmas de 20 educandos, acompanhadas por educadoras populares que participaram de uma preparação específica em Brasília.

O AgPopSUS é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). A iniciativa integra a Política Nacional de Educação Popular em Saúde e busca preparar lideranças para atuar em seus territórios, ampliar o conhecimento sobre os direitos da população e fortalecer a participação social na construção das políticas públicas de saúde.

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Ione Rodrigues Correia Woynaroski | Foto: Arquivo/Fatos do Iguaçu

De acordo com a coordenadora da Rede de Organização Popular e Saúde Territorial de Pinhão, Ione Rodrigues Correia Woynaroski, a conquista das duas turmas para o município foi resultado do trabalho realizado junto às comunidades e da experiência acumulada durante a pandemia de Covid-19 e no atendimento às famílias atingidas pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu.

Ione explicou que o projeto representa uma oportunidade para fortalecer as lideranças sociais, oferecendo conhecimento e ferramentas para que elas atuem com mais autonomia dentro das próprias comunidades.

Queremos fortalecer as lideranças que já estão organizadas, para que elas possam fortalecer também as suas comunidades, com autonomia, formação e capacidade de mobilização. O projeto veio ao encontro do trabalho que pretendíamos iniciar

Ione Rodrigues Correia Woynarosk

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Formação une conhecimento e atuação comunitária

A metodologia do curso é inspirada na educação popular e na pedagogia de Paulo Freire. A proposta valoriza o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes construídos pelas comunidades ao longo de suas experiências.

Além dos encontros presenciais, os participantes desenvolverão atividades nos locais onde vivem. Esse período, chamado de “Tempo Comunidade”, permitirá a identificação de problemas, potencialidades e necessidades dos territórios, além da elaboração de propostas de intervenção.

Os conteúdos estão organizados em sete eixos temáticos: educação popular em saúde; formação do povo brasileiro; território, comunicação, meio ambiente e vigilância; Sistema Único de Saúde e práticas populares de cuidado; soberania alimentar e combate à fome; lutas e identidades diversas; e elaboração de planos de ação e construção de redes.

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Durante os encontros, os próprios participantes assumirão responsabilidades relacionadas à formação, organização do ambiente, produção de registros, comunicação e realização de atividades culturais. A intenção é estimular o protagonismo e preparar os educandos para multiplicarem os conhecimentos em suas comunidades.

Uma das coordenadoras do programa em Pinhão, Sildema Aparecida de Lima, conhecida como Cida, avaliou a experiência como transformadora.

“É uma oportunidade de adquirir conhecimento sobre os direitos das pessoas e de ajudar quem enfrenta dificuldades para conseguir uma consulta, marcar um exame ou acessar algum serviço. Não basta apenas discutir os problemas; precisamos conhecer os caminhos e ajudar a encontrar soluções”, declarou.

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Segundo Cida, os conhecimentos adquiridos durante a formação poderão beneficiar especialmente as comunidades de São Roque e Faxinal dos Coutos, onde ela atua.

Diversidade marca composição das turmas

Entre as participantes estão representantes de comunidades quilombolas, associações rurais, organizações de catadores, movimentos populares, comunidades do interior e da Associação dos Surdos de Pinhão.

Carmenci Aparecida Lisboa, representante da comunidade quilombola Paiol de Telha, destacou que a formação ajudará a população a compreender melhor seus direitos e o funcionamento das políticas públicas.

“É importante para que possamos levar esse conhecimento às comunidades quilombolas e  aos demais moradores. Muitas pessoas não sabem como funcionam as políticas públicas nem como cobrar seus direitos quando precisam de uma consulta ou de um exame”, afirmou.

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Também participante da formação, a vereadora Vilma Kictky ressaltou a importância do associativismo e da organização comunitária.

“A formação das lideranças dentro de suas localidades e de seus territórios é fundamental para ampliar a participação ativa da sociedade na construção das políticas públicas, especialmente na área da saúde”, avaliou.

Participação evidencia necessidade de intérpretes de Libras

A inclusão também esteve entre os temas evidenciados durante o primeiro encontro. Silvana do Belém Caldas, que é surda e representa a Associação dos Surdos de Pinhão, participou da atividade com o acompanhamento da intérprete voluntária de Libras Marta Loureiro Gomes.

Silvana destacou que a presença da intérprete foi fundamental para que pudesse acompanhar a formação, conhecer melhor os seus direitos e, posteriormente, compartilhar as informações com os demais integrantes da associação.

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Ao falar sobre o atendimento de saúde, ela chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas surdas no município. Segundo Silvana, Pinhão não disponibiliza intérprete de Libras no sistema municipal de saúde e, por isso, os pacientes dependem do acompanhamento de familiares, conhecidos ou voluntários que saibam se comunicar em Libras.

Como o médico poderá saber o que eu tenho e explicar a medicação sem que haja comunicação? O intérprete é fundamental para que a pessoa surda tenha acesso à saúde

Silvana do Belém Caldas

A presença de participantes que não sabem ler ou escrever também levou a organização a refletir sobre outras formas de comunicação. Informações em áudio e vídeo estão sendo utilizadas para facilitar o acesso aos conteúdos, enquanto as necessidades das pessoas surdas exigem materiais escritos e a presença de intérpretes.

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Para a coordenação, essas experiências demonstram que a inclusão precisa considerar as diferentes realidades existentes no município, desde a acessibilidade comunicacional até a necessidade de ações voltadas à alfabetização de jovens e adultos.

Primeiro encontro teve avaliação positiva

Mesmo com a chuva e as dificuldades de deslocamento enfrentadas por moradores do interior, poucas pessoas deixaram de comparecer ao primeiro encontro. Para Ione Woynaroski, a participação e o envolvimento do grupo superaram as expectativas.

A programação deverá ocorrer, preferencialmente, no último sábado de cada mês. Ao final da formação, os participantes deverão elaborar planos de ação voltados às necessidades identificadas em seus territórios.

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Entre os resultados esperados estão o fortalecimento das organizações comunitárias, a produção de diagnósticos locais, a criação de redes de apoio e a realização de iniciativas relacionadas à promoção da saúde, à soberania alimentar, ao combate à fome e à defesa do Sistema Único de Saúde.

Mais do que transmitir conteúdos, o AgPopSUS pretende formar lideranças capazes de reconhecer os desafios existentes nas comunidades, mobilizar a população e participar da construção de soluções coletivas. A proposta é transformar o conhecimento adquirido durante o curso em ações concretas, aproximando o SUS da realidade e das necessidades da população.

Editoria Pinhão
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