Mais de cem mulheres participaram, no sábado, 10 de outubro, em Pinhão, de um encontro dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e aos cuidados com a saúde feminina. Promovido pela Comissão das Mulheres Produtoras de Pinhão, em parceria com o Sindicato Rural e com apoio do Sistema FAEP, a atividade aconteceu no SIFUMPI, com a proposta “Outubro Rosa: Informação que Cuida, Prevenção que Salva”.
Os convidados foram a médica radiologista Linei Augusta Brolini Dellê Urban e o cirurgião oncológico e mastologista Cícero Urban. Em uma palestra dinâmica e didática, os profissionais abordaram a importância do diagnóstico precoce, os cuidados com a saúde das mamas e os avanços no tratamento da doença.
O público reuniu produtoras rurais, empresárias, enfermeiras, advogadas e outras profissionais, com a presença de jovens, mulheres maduras e idosas. Alguns maridos também acompanharam o encontro para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto.
Segundo Delaine Ferreira Oliveira Mendes, coordenadora da Comissão das Mulheres Produtoras, a iniciativa buscou oferecer às participantes uma oportunidade de esclarecer dúvidas e compreender a importância do autocuidado e da atenção aos sinais do próprio corpo. O encontro também proporcionou um espaço de convivência e troca de experiências.
“O mês de outubro nos convida a olhar com ainda mais carinho para a saúde da mulher. É tempo de conscientizar, compartilhar informações e reforçar uma mensagem que pode transformar vidas: a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais na luta contra o câncer de mama”, destacou Delaine.

Natural de Pinhão, Linei falou sobre o orgulho de suas origens e a alegria de retornar ao município para compartilhar conhecimentos sobre a saúde da mulher.
Tenho certeza de que todo mundo que é daqui tem orgulho de ser pinhãoense e leva Pinhão consigo aonde vai. Voltar aqui é recarregar aquela força, aquela energia boa da nossa terra
Na entrevista, Linei ressaltou que a campanha de outubro deve servir como um lembrete para cuidados permanentes. “O Outubro Rosa é para lembrar as mulheres sobre o autocuidado. A mulher tem que se cuidar o ano inteiro. É essa mensagem que a gente precisa passar”, destacou.
A radiologista também chamou a atenção para o hábito de muitas mulheres priorizarem as necessidades de outras pessoas e deixarem a própria saúde em segundo plano. “Primeiro, cuidar de si para conseguir cuidar dos outros”, orientou.
Ao abordar a saúde das mamas, Linei destacou a importância de conhecer o próprio corpo e manter os exames regulares, mesmo na ausência de sintomas. Sua mensagem reforçou que a atenção à saúde precisa fazer parte da rotina e chegar a um número cada vez maior de mulheres.
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Linei realizou residência em Radiologia no Hospital de Clínicas da instituição, especialização em Radiologia Mamária no Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, na Itália, e mestrado em Clínica Cirúrgica pela UFPR. Atua na clínica DAPI, em Curitiba, com foco em imagem das mamas e procedimentos de punção e biópsia.

Cícero Urban também é graduado em Medicina pela UFPR, onde concluiu mestrado e doutorado em Clínica Cirúrgica. Sua formação inclui especialização em Mastologia e Cirurgia Oncológica e aperfeiçoamento em cirurgia plástica e reconstrutora da mama em instituições de Milão. Além da atuação clínica, participa da formação de especialistas em Mastologia no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, e é autor de publicações científicas e livros.
Ao deixar uma mensagem às mulheres, Linei destacou a saúde como prioridade e incentivou o compartilhamento de informações. “A coisa mais importante que nós temos é a nossa saúde. Levem a mensagem do conhecimento a todos ao seu redor”, afirmou. Para a médica, disseminar conhecimento contribui para formar uma corrente de cuidado que deve permanecer durante todos os meses do ano.

Ao final do encontro, o casal de médicos recebeu uma cesta com produtos de Pinhão, entregue pelo casal de produtores rurais Eloane e Ciro Davi Dellê, em agradecimento pela participação.
Diagnóstico precoce, informação e cuidado individualizado
Nas palestras em Pinhão, Linei Dellê Urban e Cícero Urban esclareceram dúvidas sobre os exames e destacaram que o cuidado deve considerar tanto a doença quanto as necessidades de cada mulher.
Não esperar pelos sintomas
A radiologista Linei Augusta Brolini Dellê Urban explicou que os exames de imagem podem identificar alterações nas mamas antes que elas sejam percebidas pelo toque. Segundo a médica, detectar o câncer em uma fase inicial amplia as possibilidades de tratamento e as chances de cura.
Linei destacou que conhecer as próprias mamas ajuda a reconhecer mudanças, mas não substitui os exames indicados. Entre os sinais apresentados na palestra estão nódulos, retrações na pele ou no mamilo, feridas ou descamação no mamilo e saída de líquido. Alterações suspeitas precisam de avaliação profissional.
Histórico familiar exige atenção, mas não determina o diagnóstico
A ausência de casos na família não elimina a possibilidade de desenvolver câncer de mama. A médica explicou que a doença também ocorre em mulheres sem histórico familiar e que ter uma mãe ou irmã com o diagnóstico não significa, necessariamente, que a mulher terá câncer.
Casos em familiares próximos, especialmente em idades jovens, devem ser relatados ao profissional de saúde para avaliação do risco e definição do acompanhamento. Ultrassonografia e ressonância magnética podem integrar essa investigação, conforme a indicação de cada caso.
Mamografia e combate à desinformação
Linei ressaltou que a ultrassonografia é um exame complementar e não deve substituir automaticamente a mamografia, capaz de mostrar alterações como microcalcificações. Também contestou mensagens que apresentam a compressão da mama ou a biópsia como responsáveis por espalhar o câncer e alertou para o risco de informações falsas afastarem mulheres dos exames.
Na palestra, a radiologista defendeu a mamografia anual a partir dos 40 anos, orientação adotada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, pela Sociedade Brasileira de Mastologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Tratamento não é igual para todas
O mastologista e cirurgião oncológico Cícero Urban explicou que o câncer de mama reúne diferentes tipos e subtipos. Por isso, o tratamento considera as características do tumor, a extensão da doença, a idade, as condições de saúde e as preferências da paciente.
Segundo o médico, os avanços permitem cirurgias que preservam a mama em situações selecionadas, além de técnicas de reconstrução. A retirada completa da mama não é necessária em todos os casos, e decisões mais extensas devem ser discutidas com a equipe responsável.
Acolhimento também faz parte do cuidado
Cícero chamou a atenção para o medo da morte, das mudanças no corpo e do retorno da doença, sentimentos que podem permanecer mesmo depois do tratamento. Sua abordagem destacou a importância da comunicação com os profissionais, do apoio familiar e da atenção à qualidade de vida.
O médico também questionou o uso de expressões que apresentam pacientes como “vencedoras” ou “perdedoras”. O resultado do tratamento não deve ser interpretado como uma medida de coragem, esforço ou disposição para enfrentar a doença.
Autocuidado durante todo o ano
Os dois profissionais incentivaram a prática de atividade física e a adoção de hábitos saudáveis. Linei também abordou alimentação, controle do peso, abandono do tabagismo, sono e bem-estar emocional. Cícero destacou os exercícios de força como parte do cuidado com a saúde. Esses hábitos podem contribuir para reduzir riscos, mas não eliminam a possibilidade de câncer nem substituem o acompanhamento médico.
REGISTROS - Fotos: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu















