Sábado, 24 de outubro de 2026
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O CHAVELHO E GUERRA JUNQUEIRO

Humberto Pinho da Silva sorrindo em uma redação, sentado à mesa com jornais, máquina de escrever e uma xícara de café.

Quando era adolescente conheci a filha de Guerra Junqueiro, que diziam não primar pela beleza. Recebeu-me com tanta simpatia e afetividade, que nem sequer reparei se era bela ou não.

Mas, não é da filha do ilustre poeta, que pretendo escrever, mas do pai, famoso autor de " Moleirinha".

O poeta era conhecidíssimo na terra natal, Freixo de Espada à Cinta, onde possuía a “Quinta da Batoca”; mas muito mais em Lisboa, onde era deputado da nação.

Passaram os anos, e passaram os homens, e se os notáveis são esquecidos, quanto mais o simples mortal, que no dia seguinte ao enterro, já ninguém fala nele, por vezes nem os familiares...

No início do século, entrevistei dezenas de individualidades ou filhos destes, quando os pais tinham falecido.

Uma senhora, muito elegante, que recebera avultados bens do avô, quando lhe perguntei por dados biográficos do antepassado, respondeu-me, apontando o indicador para retrato a óleo:

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- É o meu avô!... Nada mais sabia... Ia perguntar ao pai...

Voltando ao assunto que pretendo tratar:

Guerra Junqueiro era baixinho. Possuía enormes barbas, e vestia-se modestamente, na terra natal.

Homem sem vaidade, conversava com todos, não ligando a posições sociais.

Andando a espairecer pela sua terra, encontrou pequeno chavelho, e foi-o levando aos pontapés, distraidamente.

Ao passar diante de venda, deparou grupo de camponeses muito altos e fortes, que ao vê-lo naquele brinquedo, desataram-se às gargalhadas, que figurou ao poeta - troça.

Não foi necessário mais, para que Junqueiro lhes desse troco, e bastante ""forte":

- Ah! Ah! Ah!... quê?! Tantos e tão grandes, a rir, à custa do tão pequeno!...

Os lapuzes não perceberam a "farpa", e levaram a coisa para as estaturas, e não para os "chifres", possíveis ou imaginários...

Assim termino, com anedota verdadeira, passada em terras transmontanas, entre Junqueiro e simples aldeões.

Editoria Humberto Pinho da Silva
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