Na tarde de terça-feira, 1º de setembro de 2026, a equipe da TV Fatos Vai ao Interior esteve na comunidade de Taquaras, em Pinhão, para acompanhar a situação das famílias atingidas pelas duas chuvas de granizo registradas entre domingo (30) e segunda-feira (31).
A localidade foi a mais afetada entre as dez comunidades atingidas. Conforme informações repassadas pela Defesa Civil à reportagem, 397 residências foram danificadas e 1.071 pessoas sofreram diretamente as consequências dos temporais. Somente em Taquaras, mais de cem casas tiveram prejuízos.
Durante a visita, a jornalista Nara Coelho conversou com os moradores Diva, Andreia Santos Camargo, do Sítio Camargo, e Sebastião Gonçalves, conhecido como Seu Fagundes. Os relatos revelam o medo provocado pelo granizo, os danos dentro das residências e o esforço das famílias para proteger o que restou.
Água atingiu quartos, colchões e roupas

A moradora Diva contou que estava na igreja quando percebeu a formação do temporal na manhã de domingo. Ao retornar para casa, encontrou parte do telhado perfurada e água nos quartos.
“Só pedi que Deus colocasse a mão e que não fosse muito grande o estrago”, relatou.
Com colchões, cobertores e roupas molhados, a família buscou abrigo na residência de uma vizinha. Durante a noite, porém, uma nova chuva de granizo atingiu a região, danificando também a outra casa.
Após o segundo temporal, Diva voltou para verificar a residência. Parte do imóvel já havia sido protegida com lonas distribuídas pelas equipes de atendimento. Na terça-feira, colchões, roupas e outros objetos permaneciam do lado de fora para secar ao sol.
Diva tem três crianças e relatou que, devido aos prejuízos com roupas e uniformes, não conseguiu encaminhá-las à escola naquele dia. Apesar das perdas, destacou que ninguém da família ficou ferido.
Estamos bem, as crianças estão bem. O resto nós conquistamos
Além da casa, o veículo da família também teria sido danificado pelas pedras de gelo. Segundo a moradora, algumas pedras da segunda tempestade tinham tamanho semelhante ao de ovos de galinha.
Família cobriu telhado com lona

No Sítio Camargo, Andreia Santos Camargo também relatou prejuízos provocados pelas duas tempestades. Ela não estava em casa quando ocorreu a primeira chuva, mas voltou ao imóvel para cobrir camas, sofá e outros móveis.
Durante a noite, enquanto estava na casa da mãe, uma nova queda de granizo foi registrada. Segundo Andreia, a segunda tempestade teve menos pedras, mas elas eram maiores.
Ao retornar, encontrou novos pontos de infiltração. Com a ajuda de cunhados, primos e sobrinhos, comprou uma lona e cobriu o telhado da residência.
“Qualquer chuvinha que começa a querer dar, a gente já se assusta
A família também se preocupa com a produção agrícola. Conforme Andreia, está previsto o plantio de aproximadamente 17 mil pés de fumo destinados à produção de capa de charuto. Nesse tipo de cultivo, perfurações nas folhas podem comprometer o valor e a comercialização do produto. As mudas ainda não haviam sido levadas à lavoura e não foram atingidas.
“Foi assustador”, relata idoso

Sebastião Gonçalves, o Seu Fagundes, de 76 anos, mora com a esposa na comunidade. Ele descreveu como assustador o barulho do granizo sobre a casa.
As pedras perfuraram o telhado e a água entrou em diversos cômodos. Apenas uma pequena parte de um dos quartos permaneceu protegida. O filho do casal, que mora em Pato Branco, deslocou-se até a propriedade para ajudar.
Quando a família começava a controlar os danos provocados pela primeira tempestade, uma nova chuva de granizo atingiu a residência durante a noite.
Foi mais um susto. Não tinha como dormir com aquele barulhão
Uma filha que reside na área urbana de Pinhão também foi até a comunidade para auxiliar na limpeza da casa. Apesar dos estragos, ninguém ficou ferido e a pequena mercearia mantida pela família não foi atingida.
“É só agradecer a Deus. Não aconteceu acidente, ninguém se machucou”, destacou Seu Fagundes.
Igrejas e unidade de saúde também foram atingidas
Além das residências, duas igrejas da comunidade — a Católica e a Assembleia de Deus — sofreram danos. Moradores trabalhavam na limpeza e nos reparos emergenciais durante a visita da TV Fatos.
Segundo os dados apresentados à reportagem, o telhado de uma unidade de saúde na região de Faxinal dos Ribeiros também foi danificado.
A medida emergencial adotada inicialmente foi a colocação de lonas sobre os imóveis. A solução, no entanto, é temporária e pode não resistir à ocorrência de novas chuvas acompanhadas de vento.
Telhas foram solicitadas ao Estado
De acordo com a Defesa Civil, o Governo do Paraná reconheceu a situação de emergência em Pinhão. Após o levantamento dos prejuízos, foi solicitada ao Estado quantidade equivalente a 30 telhas de fibrocimento por residência atingida.
A previsão informada durante a reportagem era de que o material chegasse ao município no início da semana seguinte. A distribuição deverá considerar a necessidade verificada em cada imóvel, já que algumas residências podem precisar de quantidade maior ou menor.
Enquanto aguardam a substituição dos telhados, os moradores tentam secar colchões, roupas e móveis e torcem para que não ocorram novas tempestades.
Campanha recebe doações
O Provopar de Pinhão e o Colégio Estadual Júlio Moreira estão recebendo doações para as famílias atingidas. Entre os itens mais necessários estão:
- Colchões;
- Cobertores e roupas de cama;
- Roupas;
- Produtos de higiene;
- Produtos de limpeza.
Os materiais arrecadados serão destinados às famílias prejudicadas. A prioridade são os colchões, pois muitos ficaram encharcados e não poderão ser reutilizados.
Mesmo diante dos prejuízos e do temor de novas chuvas, os moradores de Taquaras mantêm a esperança e trabalham para reconstruir o que foi danificado.
Reportagem: Nara Coelho/TV Fatos









