A defesa do governo municipal veio acompanhada de um reconhecimento explícito de falhas. Ao ocupar a tribuna da Câmara de Pinhão, o vereador Aroldo Antunes Domingues, integrante da base do prefeito Valdecir Biasebetti, afirmou que houve decisões erradas na administração, anunciou que contratos deverão ser revistos ainda neste ano e antecipou um cenário de contenção de despesas para 2027.
“Tem muita coisa aí que a gente sabe que está errado, foi errado, foi feito errado”, declarou.
A frase tem peso político por partir de um parlamentar que sustenta o governo na Câmara. Embora tenha defendido obras e serviços da gestão, Aroldo reconheceu problemas e relatou que vereadores da situação também estão cobrando mudanças do Executivo.
Contratos e despesas entram na discussão
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi a revisão de contratos. Aroldo afirmou que a medida deverá ocorrer ainda em 2026 e disse que parlamentares da base têm apresentado sugestões para reduzir gastos.
“Vai ser revisto os contratos, este ano ainda”, afirmou, ao comentar uma proposta mencionada anteriormente no debate.
O vereador não identificou os contratos, seus valores ou quais mudanças seriam necessárias. Ainda assim, defendeu que o prefeito reavalie diferentes despesas e incluiu nessa discussão os gastos com a programação natalina e a Festa do Pinhão.
Ao usar a expressão “gastos exorbitantes”, Aroldo deixou clara sua avaliação sobre parte das despesas municipais. A declaração, porém, não veio acompanhada de documentos ou detalhamento que permitam dimensionar os valores questionados.
“Nós vamos enxugar essa prefeitura”
O discurso também projetou medidas para o próximo ano. Segundo Aroldo, um pacote de ajustes está sendo discutido com o secretário que ele identificou como Dilsinho.
“Nós vamos enxugar essa prefeitura a partir do ano que vem”, declarou.
O parlamentar atribuiu ao secretário a orientação de mudar a forma de assumir despesas:
Nós não vamos mais comprar fiado, vamos comprar e pagar
A fala sinaliza uma intenção de reorganização financeira, mas não esclarece quais despesas serão reduzidas, quanto o município pretende economizar ou como as medidas serão executadas.
Nesse contexto, Aroldo afirmou que não haverá Festa do Pinhão no próximo ano e fez referências à redução de gastos com iluminação natalina. O trecho sobre o Natal apresenta passagens pouco claras na transcrição. As declarações expressam o anúncio feito pelo vereador e, no material analisado, não estão acompanhadas de ato oficial do Executivo que formalize essas decisões.
Cortes já atingem servidores, segundo o vereador
Se parte do ajuste foi apresentada como uma perspectiva para 2027, os efeitos sobre os servidores foram tratados como uma realidade atual.
Aroldo manifestou solidariedade aos professores atingidos pelo corte de dobras e aos trabalhadores de diferentes secretarias afetados pela redução de horas extras. Citou Saúde, Obras, Infraestrutura, Assistência Social e Esporte. Ao mencionar a Secretaria de Obras, afirmou que o corte de horas extras foi de 100%.
O parlamentar relatou ter pedido ao prefeito que reavaliasse a situação em uma reunião com vereadores.
“Prefeito, reveja essa situação, reveja, por favor, reveja”, disse, ao reproduzir sua cobrança.
No encerramento, voltou ao assunto e afirmou que não gostaria que os cortes tivessem ocorrido. Associou a decisão a questões relacionadas à folha de pagamento, sem apresentar números sobre a situação financeira do município ou a quantidade de trabalhadores atingidos.
Defesa da gestão e cobrança por mudanças
Aroldo também procurou preservar a defesa política da administração. Citou intervenções no abastecimento de água, reformas em unidades de saúde e melhorias em estradas rurais como exemplos de ações positivas.
Sobre o Pinheirinho, afirmou que a parte dos trabalhos sob responsabilidade do município estava concluída e que faltava encaminhar os cadastros à Sanepar para avançar nas ligações. Também mencionou o atendimento com água no Recanto Verde.
A estratégia do discurso foi combinar essas realizações com o reconhecimento de problemas. Ao responder às críticas dirigidas à base governista, o vereador sustentou que apoiar a administração não significa concordar com todas as decisões.
Nós não vamos compactuar com coisas exorbitantes
O pronunciamento expõe uma cobrança dentro da própria base: rever contratos e outras despesas enquanto servidores já sentem os efeitos dos cortes. Também coloca uma questão para os próximos meses: quais medidas anunciadas na tribuna serão efetivamente adotadas e como a prefeitura distribuirá o peso do ajuste.
Para a população, o acompanhamento passa por informações concretas: contratos que serão revistos, economia esperada, alcance dos cortes e impacto sobre os serviços públicos. Esses detalhes não foram apresentados na fala analisada.
Ouça a fala do vereador:










