Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade

Falando De…: Greidi Cáceres destaca autenticidade e estratégia para empreendedoras no digital

Em entrevista à jornalista Nara Coelho, estrategista digital falou sobre posicionamento profissional, empreendedorismo feminino, inteligência artificial, maternidade, organização e os limites necessários no uso das redes sociais

Greidi Cáceres, estrategista digital, empreendedora e gestora, sorri durante participação no podcast Falando De…, da TV Fatos.

Greidi Cáceres participou do podcast Falando De… e conversou sobre posicionamento digital, empreendedorismo feminino, maternidade e autenticidade nas redes sociais. Foto: Naor Coelho/TV Fatos

O posicionamento nas redes sociais não deve ser construído a partir de personagens ou de uma realidade distante daquela vivida pelo empreendedor. Para a estrategista digital, empreendedora e gestora Greidi Cáceres, a presença profissional na internet precisa reunir planejamento, autenticidade e coerência entre aquilo que é apresentado no ambiente virtual e o atendimento oferecido ao cliente.

O assunto foi abordado durante entrevista ao podcast Falando De…, apresentado pela jornalista Nara Coelho. Ao longo da conversa, Greidi compartilhou experiências profissionais e pessoais, falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres que empreendem e defendeu que os sonhos sejam transformados em metas possíveis de serem cumpridas diariamente.

Eu sou movida a sonhos. E os sonhos vão se renovando conforme forem realizados

Greidi Cáceres

Segundo ela, embora seja importante estabelecer grandes objetivos, é necessário dividir o caminho em etapas menores. Uma dessas metas pode ser, por exemplo, perder o medo de aparecer diante da câmera para apresentar um produto ou serviço.

Publicidade

Autenticidade gera confiança

Ao explicar o trabalho de uma estrategista digital, Greidi ressaltou que sua atuação está concentrada no posicionamento de mulheres empreendedoras no Instagram. O objetivo é ajudá-las a apresentar seus negócios de maneira profissional, estratégica e, principalmente, verdadeira.

Para ela, um dos erros cometidos nas redes sociais é criar uma personagem que não corresponde à pessoa que o cliente encontrará no atendimento presencial ou durante uma reunião on-line.

Quem você é no on-line tem que ser quem você é na vida real

Greidi Cáceres

Segundo Greidi, as redes sociais mostram apenas partes da vida de uma pessoa, mas isso não impede que o conteúdo seja autêntico. Mesmo que a empreendedora apareça poucas vezes ou publique apenas um vídeo por semana, é importante que sua comunicação transmita confiança.

Publicidade

“Pessoas compram de pessoas”, destacou a entrevistada, ao lembrar que até mesmo nas grandes plataformas de comércio eletrônico os consumidores procuram comentários e avaliações de outros compradores antes de tomar uma decisão.

Mulheres nem sempre se reconhecem como empreendedoras

Outro ponto central da entrevista foi a dificuldade que muitas mulheres ainda têm de reconhecer o próprio trabalho como uma atividade empreendedora.

Greidi contou que, durante uma palestra realizada em Laranjeiras do Sul, perguntou quantas participantes eram empreendedoras. Poucas levantaram a mão. Quando reformulou a pergunta e quis saber quantas vendiam algum produto ou prestavam algum serviço, praticamente todas se manifestaram.

O episódio, conforme a estrategista, demonstra que muitas mulheres trabalham, produzem, vendem e administram seus negócios, mas ainda não se enxergam como empresárias.

Publicidade

Essa dificuldade também está relacionada à falta de valorização do trabalho desenvolvido dentro de casa. Durante a conversa, Nara e Greidi observaram que administrar um lar exige organização, planejamento financeiro, resolução de conflitos, cuidado com os filhos e capacidade para definir prioridades.

Apesar dessas competências, o trabalho doméstico muitas vezes não recebe o devido reconhecimento por não ser remunerado.

Greidi lembrou que cresceu próxima do empreendedorismo. Seus pais trabalhavam de forma autônoma e sua mãe conciliava os cuidados com a casa e os filhos com a produção e a venda de produtos. Mais tarde, o convívio com o marido, Júnior, também ampliou sua ligação com o universo empresarial.

Mesmo assim, ela reconhece que mulheres de diferentes idades ainda encontram dificuldades para defender seus projetos profissionais ou pedir uma divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares.

Publicidade

“Por mais que a gente esteja incentivando, motivando e falando o quanto elas são capazes, a primeira a dar o passo tem que ser a mulher”, declarou.

Começar com o que está disponível

A falta de equipamentos modernos, de um cenário preparado ou de uma estrutura considerada ideal não deve impedir o início de um trabalho no ambiente digital, avaliou Greidi.

“Você tem que começar onde está hoje, com o que tem hoje”, afirmou.

Ela recordou que seus primeiros conteúdos foram produzidos com outro celular, em uma casa e com uma estrutura diferentes das atuais. Na avaliação da estrategista, esperar pelas condições perfeitas pode fazer com que um projeto nunca saia do papel.

A evolução acontece a partir da prática. Depois de publicar um vídeo, por exemplo, a pessoa consegue observar o resultado, identificar pontos que precisam ser aperfeiçoados e melhorar o conteúdo seguinte.

Publicidade

Greidi também alertou que curtidas e comentários não são as únicas formas de medir o alcance de uma publicação. Muitas pessoas acompanham os conteúdos sem interagir publicamente, mas salvam, compartilham ou comentam pessoalmente sobre aquilo que assistiram.

Por isso, ela acredita que a continuidade do trabalho precisa estar vinculada ao propósito e não somente aos números apresentados pelas plataformas.

Comparação pode impedir o avanço

A entrevistada chamou a atenção para os efeitos da comparação com outras pessoas nas redes sociais. Como o Instagram apresenta apenas recortes da realidade, não é possível conhecer todas as circunstâncias, dificuldades ou estruturas existentes por trás de uma publicação.

Publicidade

Para Greidi, acompanhar outras mulheres pode servir de inspiração, mas não deve se transformar em uma tentativa de reproduzir rotinas incompatíveis com a própria realidade.

A comparação é muito cruel, porque você acha que sabe da vida da pessoa, mas não sabe

Greidi Cáceres

A própria coragem de publicar não significa que a pessoa esteja completamente segura com a aparência, com a fala ou com o conteúdo produzido. Muitas vezes, explicou, ela apenas decidiu enfrentar o medo e continuar.

Inteligência artificial deve apoiar, não substituir

A inteligência artificial também esteve entre os temas abordados no Falando De…. Greidi considera que ferramentas como o ChatGPT podem ajudar empreendedoras a organizar ideias e estruturar informações sobre produtos e serviços.

No entanto, ela alerta que o texto gerado pela tecnologia não deve ser simplesmente reproduzido, especialmente quando não corresponde à linguagem utilizada pela pessoa no cotidiano.

Publicidade

A ferramenta pode ajudar a organizar o pensamento, mas a comunicação final precisa preservar a identidade da empreendedora. Caso contrário, o cliente poderá encontrar uma diferença entre a imagem apresentada nas redes sociais e a pessoa responsável pelo atendimento.

Greidi também demonstrou cautela em relação à substituição de pessoas por personagens criados artificialmente. Embora reconheça que o recurso possa funcionar em algumas áreas, defendeu que, no trabalho de posicionamento profissional, a presença humana continua sendo essencial.

Família, trabalho e rede de apoio

Mãe de Antônio e Arthur, Greidi falou abertamente sobre a tentativa diária de conciliar maternidade, cuidados com a casa, compromissos profissionais e a gestão de uma empresa ao lado do marido.

A organização da rotina é feita por meio de um calendário dividido por cores, no qual são registrados os compromissos dos filhos, as terapias de Arthur, reuniões, atividades da empresa e até tarefas pessoais.

Publicidade

Ela também destacou a importância da rede de apoio, formada por familiares que auxiliam nos cuidados com as crianças quando surgem compromissos profissionais.

Apesar do planejamento, Greidi reconheceu que nem todos os dias acontecem conforme o previsto. O caminho, segundo ela, está em estabelecer prioridades, reduzir a cobrança e aprender a dizer “não”.

“Às vezes, a gente diz tanto ‘sim’ para fora que esse ‘sim’ é um ‘não’ para dentro”, refletiu.

A estrategista também defendeu o direito ao descanso, inclusive nos momentos em que a pessoa decide não realizar nenhuma atividade. Para ela, o cuidado pessoal é necessário para que o trabalho continue sendo desenvolvido com qualidade.

Publicidade
A jornalista Nara Coelho com a entrevistada Greidi Cáceres | Foto: Naor Coelho Fatos do iguaçu

Redes sociais não podem ocupar toda a vida

A conectividade permanente modificou os limites do horário comercial. Conforme Greidi, mesmo depois de fechar as portas do estabelecimento, muitas empreendedoras continuam trabalhando no ambiente on-line, respondendo mensagens e atendendo clientes.

Essa disponibilidade constante pode se transformar em uma rotina automática e desgastante. Por isso, é necessário estabelecer horários e compreender que descansar também faz parte do trabalho.

“A internet aproxima quem está longe e distancia quem está perto”, afirmou Greidi.

Ela contou que, em casa, procura limitar o uso do celular durante os momentos em família. A preocupação é evitar que o tempo passe enquanto a atenção permanece concentrada na tela.

A entrevistada também alertou para a necessidade de filtrar informações e acompanhar o conteúdo acessado pelas crianças. Vídeos falsos, mensagens ameaçadoras e publicações feitas sem responsabilidade podem causar consequências sérias, principalmente para pessoas em situação de vulnerabilidade emocional.

Publicidade

Para Greidi, quem produz conteúdo precisa ter consciência da influência que exerce. Essa responsabilidade também deve orientar a escolha de produtos, empresas, pessoas e lugares aos quais o profissional decide associar sua imagem.

Empreendedorismo como instrumento de transformação

Na parte final da entrevista, Greidi deixou uma mensagem às mulheres que ainda têm receio de mostrar seus trabalhos ou assumir a identidade de empreendedoras.

“Vergonha não paga boletos”, declarou, ao incentivar as profissionais a reconhecerem a própria trajetória, acreditarem em sua capacidade e darem o primeiro passo.

Segundo ela, o empreendedorismo pode transformar não apenas a vida da mulher que inicia um negócio, mas também a realidade das pessoas atendidas por sua empresa.

Greidi também apresentou sua definição de posicionamento: “É aquilo que a sua empresa é quando você não está. É o que as pessoas falam de você e da sua empresa quando você não está”.

A estrategista reforçou que uma presença digital consistente deve fazer com que a profissional seja lembrada pelo que realmente é, pelos valores que representa e pelas transformações que consegue promover por meio do trabalho.

Quem quiser acompanhar o conteúdo de Greidi Cáceres ou obter informações sobre suas consultorias pode acessar o perfil @greidecaceres, no Instagram.

O podcast Falando De…, apresentado por Nara Coelho, integra a programação da TV Fatos e promove conversas voltadas à informação, à troca de experiências e à apresentação de histórias capazes de inspirar a comunidade.


Assista o episódio

Editoria TV Fatos
Publicidade
Compartilhar

Leia também