O Democrata decidiu participar das eleições proporcionais de 2026 no Paraná e homologou 22 candidaturas: 13 para deputado federal e nove para deputado estadual. A definição ocorreu na noite de 5 de agosto, poucas horas depois de a convenção estadual do partido ter terminado sem apresentar candidatos próprios.
As listas foram aprovadas por uma comissão formada por quatro delegados que receberam da convenção poderes para decidir se a legenda disputaria as eleições proporcionais e para escolher os respectivos candidatos.
De acordo com a ata complementar encaminhada à Justiça Eleitoral, a reunião ocorreu entre 19 e 20 horas, em Curitiba, e as decisões foram tomadas por unanimidade e aclamação.
Participaram Danilo Becker D’Avila, Izaias Meireles, Fabio Rodrigo de Jesus e Rubens Vaz Moreira. O documento foi transmitido pelo sistema CANDEx às 16h32 de quinta-feira, 6 de agosto.
Decisão complementa convenção da manhã
Na convenção realizada na manhã de 5 de agosto, o Democrata havia aprovado apoio a Sandro Alex, do PSD, para governador, e a Alexandre Curi, do Republicanos, para o Senado.
Naquela ocasião, nenhuma candidatura própria foi homologada. O quadro automático do CANDEx registrou expressamente: “Não há candidatos a declarar”.
A convenção, no entanto, delegou a decisão sobre as eleições para deputado federal e estadual a Danilo Becker D’Avila, Izaias Meireles, Fabio Rodrigo de Jesus e Rubens Vaz Moreira. Para que uma decisão fosse válida, seria necessária a concordância de pelo menos três dos quatro integrantes.
Os quatro participaram da reunião realizada à noite e aprovaram tanto a participação do partido nas duas disputas proporcionais como os nomes, números e nomes de urna dos candidatos.
A nova ata passa a integrar formalmente o documento da convenção. As demais decisões anteriores, inclusive os apoios majoritários, foram ratificadas.
Democrata lança 13 candidatos a deputado federal
A chapa para a Câmara dos Deputados possui nove homens e quatro mulheres. A participação feminina corresponde a aproximadamente 30,8%, pouco acima do mínimo de 30% exigido pela legislação eleitoral.
Foram homologados:
- Dra. Rose de Paula — número 3535;
- Pastor Valdeney Leite — número 3507;
- Rodrigo Oliveira — número 3525;
- Miguel Bombeiro — número 3593;
- Robson Moreira — número 3560;
- Ja Já da Saúde — número 3501;
- Elisangela Borges — número 3577;
- Aroldinho Lima — número 3533;
- Taís Bárbara — número 3570;
- Sargento dos Santos — número 3590;
- Tania Mara — número 3510;
- Chef Caju — número 3527;
- Dr. Ricardo — número 3555.
Os candidatos concorrerão isoladamente pelo Democrata. Desde as Eleições de 2020, não são permitidas coligações entre partidos nas disputas proporcionais.
Como o Paraná possui 30 cadeiras na Câmara Federal, cada partido ou federação pode apresentar até 31 candidaturas — o equivalente ao número de vagas em disputa, acrescido de uma. A lista do Democrata ocupa 13 dessas posições.
Chapa estadual tem nove nomes
Para a Assembleia Legislativa do Paraná, o partido aprovou cinco homens e quatro mulheres. As candidaturas femininas representam aproximadamente 44,4% da relação.
A chapa é composta por:
- Gil Loubach Véio do Colchão — número 35678;
- Silvana Festa – Causa Animal — número 35321;
- Marcio Loco — número 35700;
- Claudio dos Santos — número 35000;
- Ivandro Biscaia — número 35350;
- Sabino — número 35123;
- Keila Ramos — número 35799;
- Professora Jurema Leysen — número 35277;
- Enfermeira Marisleidy — número 35203.
O Paraná elegerá 54 deputados estaduais. Dessa forma, cada legenda ou federação pode registrar até 55 candidatos para a Assembleia. O Democrata apresentou inicialmente nove nomes.
Somadas as duas listas, o partido homologou 14 homens e oito mulheres. As mulheres correspondem a aproximadamente 36,4% do total.
A legislação exige que cada chapa proporcional mantenha individualmente o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada gênero. Pelas informações registradas na ata, tanto a relação federal como a estadual atendem ao percentual. Confira as regras para o registro de candidaturas no TSE.
Listas ainda poderão ser modificadas
Embora as candidaturas tenham sido homologadas, os delegados conservaram poderes para promover alterações antes da conclusão do processo de registro.
A ata permite a inclusão, exclusão e substituição de candidatos, o preenchimento de vagas remanescentes e a correção de nomes, números e informações cadastrais.
Também poderão ocorrer mudanças em casos de:
- renúncia;
- falecimento;
- impedimento superveniente;
- falta de documentação;
- indeferimento, cancelamento ou cassação do registro;
- necessidade de adequação aos percentuais de gênero.
Cada modificação política deverá receber a concordância de pelo menos três dos quatro delegados e ser formalizada por escrito.
Izaias Meireles foi designado como responsável operacional pelo preenchimento do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, o DRAP, e dos Requerimentos de Registro de Candidatura, os RRCs.
Ele também poderá corrigir erros materiais e atender aos avisos e diligências do sistema, mas não está autorizado a modificar sozinho as candidaturas aprovadas.
Documento diverge sobre quem presidiu a reunião
O texto principal afirma que Danilo Becker D’Avila assumiu a presidência da reunião e que Rubens Vaz Moreira atuou como secretário. Essa informação também aparece no encerramento, no qual Danilo é identificado como “presidente da reunião”.
No resumo gerado automaticamente pelo CANDEx, entretanto, Rubens Vaz Moreira aparece simultaneamente como responsável por presidir e secretariar os trabalhos.
A lista de presença registra os quatro delegados, e a declaração final é atribuída a todos eles. Portanto, a divergência não altera o quórum unânime declarado no texto, mas deverá ser esclarecida ou retificada para preservar a coerência formal do documento.
CANDEx mostra nova composição de coligação
O ponto político mais relevante da parte estruturada do documento está no campo destinado aos dados da coligação.
A nova ata apresenta a denominação “A Mudança Continua”, indica João Carlos Ortega como representante e relaciona a seguinte composição:
- Republicanos;
- MDB;
- Democrata;
- Avante;
- Federação PSDB/Cidadania.
Essas informações não aparecem na parte narrativa da ata complementar, que trata exclusivamente das candidaturas proporcionais e ratifica as demais deliberações da convenção.
Também há diferença em relação ao documento transmitido pela manhã. Na ata original, o campo automático da coligação apresentava somente o PSD, sem denominação ou representante. O texto deliberativo, por outro lado, aprovava uma aliança inicialmente formada por PSD, Republicanos e Democrata, aberta à entrada de outras legendas.
Agora, o campo automático não apresenta o PSD, apesar de a candidatura de Sandro Alex ao governo ter sido expressamente apoiada pelo Democrata e ratificada pela ata complementar.
O documento também não explica a qual disputa majoritária — governo ou Senado — está vinculada a coligação “A Mudança Continua”. O quadro de cargos menciona governador, vice-governador, senador e suplentes, mas não individualiza a composição para cada candidatura.
A ausência do PSD nesse campo não permite concluir automaticamente que o Democrata retirou o apoio a Sandro Alex. Ao contrário, a parte narrativa afirma que todas as decisões anteriores não alteradas permanecem integralmente ratificadas.
A diferença pode decorrer de atualização incompleta do CANDEx, associação do campo a outra candidatura majoritária ou nova composição que ainda necessite ser formalizada. A configuração definitiva deverá ser esclarecida no DRAP apresentado à Justiça Eleitoral.
Primeiro pleito geral com o nome Democrata
Esta será a primeira eleição geral disputada pela legenda com a denominação Democrata. O partido utilizava anteriormente o nome Partido da Mulher Brasileira, o PMB, e manteve o número 35.
O cadastro oficial de partidos do Tribunal Superior Eleitoral registra que a alteração para Democrata foi aprovada em 2 de dezembro de 2025. Consulte a relação de partidos registrados no TSE.
No Paraná, a Comissão Provisória Estadual é presidida por Danilo Becker D’Avila.
Candidaturas dependem de registro
A escolha e a homologação partidária não representam o deferimento definitivo das candidaturas.
Partidos e federações têm até as 19 horas de 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro. A Justiça Eleitoral analisará a documentação, a filiação partidária, as condições de elegibilidade, possíveis causas de inelegibilidade e o cumprimento das regras aplicáveis às chapas.
O TSE alerta que alterações posteriores também precisam preservar os percentuais de gênero. Uma substituição ou exclusão que faça uma das listas ficar abaixo do mínimo de 30% poderá afetar o registro coletivo da legenda. Veja as regras para substituição de candidaturas.
Até a conclusão dos registros, o Democrata deverá conferir a grafia dos nomes, os dados cadastrais, a identificação de quem presidiu a reunião e a composição da coligação informada no CANDEx.
A propaganda eleitoral geral, inclusive na internet, estará autorizada a partir de 16 de agosto. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.
Nota de transparência: Esta reportagem foi elaborada a partir da análise comparativa da ata da Convenção Estadual do Democrata e da Ata Complementar nº 1 da Comissão de Delegados, ambas realizadas em 5 de agosto de 2026. Também foram consultadas fontes públicas e institucionais. Ferramentas de inteligência artificial auxiliaram na leitura, comparação e organização das informações. O conteúdo foi revisado pela redação do Portal Fatos do Iguaçu.








