A vereadora Solange Adronski, integrante da base de apoio do prefeito Valdecir Biasebetti, cobrou explicações sobre os cortes dos períodos extraordinários de trabalho de professores da rede municipal de Pinhão. Em pronunciamento na tribuna da Câmara, na sessão de segunda-feira, 19 de outubro, a parlamentar questionou a escolha da educação como uma das áreas atingidas pelas medidas de contenção de despesas.
Professora, Solange afirmou que os profissionais que atuavam em período extraordinário foram dispensados dessas atividades no dia 15 de outubro, Dia do Professor. Segundo ela, a justificativa apresentada pela gestão foi a necessidade de reduzir gastos.
“Será que a educação precisa ser esse caminho escolhido para conter gastos? Será que nossos alunos precisam pagar esse alto preço?”, perguntou.
Preocupação com alunos que precisam de apoio
O principal ponto da cobrança foi o possível efeito dos cortes sobre estudantes com dificuldades de aprendizagem. Solange destacou o trabalho das salas de apoio e lembrou que já atuou nesse atendimento.
Segundo a vereadora, esses espaços são importantes para auxiliar crianças que precisam recuperar conteúdos e superar defasagens. Ela mencionou alunos do quarto e do quinto ano que ainda podem apresentar dificuldades relacionadas ao período da pandemia.
“Por trás de cada aluno existe uma história, existe uma necessidade”, afirmou.
A parlamentar pediu esclarecimentos sobre como o município pretende manter o acompanhamento desses estudantes após a retirada das jornadas adicionais. Também demonstrou preocupação com a possibilidade de sobrecarga dos profissionais que permanecerão responsáveis pelo atendimento.
Equilíbrio financeiro e prioridades
Solange reconheceu que a administração precisa ter responsabilidade com os recursos públicos e buscar equilíbrio financeiro. Entretanto, questionou os efeitos das decisões sobre as crianças que mais necessitam de acompanhamento.
Para a vereadora, cada medida adotada pelo Executivo produz consequências que precisam ser consideradas antes de sua execução. Na avaliação apresentada na tribuna, o ajuste financeiro deve levar em conta tanto a continuidade do aprendizado quanto as condições de trabalho dos professores.
A parlamentar também defendeu que a educação seja tratada como investimento e que a valorização dos profissionais faça parte das prioridades municipais.
Reconhecimento no Ideb e cobrança por continuidade
Durante o pronunciamento, Solange parabenizou os professores, a equipe da Secretaria Municipal de Educação e a secretária Selenita pelo trabalho desenvolvido na rede. Citou o destaque do município no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Ao relacionar esse reconhecimento aos cortes, questionou se o esforço das equipes e as necessidades dos alunos foram considerados na decisão.
A vereadora também voltou a cobrar atenção às crianças autistas e às famílias que, segundo ela, aguardam respostas da administração sobre suas demandas.
Críticas surgem dentro da própria base
A manifestação tem relevância política por partir de uma vereadora que integra a base governista. Solange afirmou que sua função de representar a população exige posicionamento diante dos problemas, mesmo mantendo apoio à administração.
Não tem como vir a essa tribuna e se acovardar, fingir também que está tudo bem
Durante os apartes — intervenções de outros vereadores autorizadas pela oradora —, parlamentares também questionaram prioridades de gastos e defenderam a revisão de outras despesas para preservar serviços essenciais. As intervenções ampliaram o debate sobre o planejamento financeiro do município.
Ao encerrar, Solange pediu que a administração reavalie os impactos da medida e explique como ficará o aprendizado dos alunos e a rotina dos professores.










