Transformar os compromissos ambientais dos países em ações concretas exige dinheiro. Essa é a principal avaliação do WRI Brasil para a COP31, conferência mundial sobre mudanças climáticas prevista para ocorrer entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Em material divulgado nesta sexta-feira (6), o instituto de pesquisas destaca que os recursos são necessários tanto para reduzir a poluição que aquece o planeta quanto para preparar a população para secas, enchentes, incêndios e ondas de calor.
Na prática, isso significa investir em medidas como melhorar a estrutura das cidades contra alagamentos, proteger fontes de água, conservar florestas e tornar a produção industrial e o transporte menos poluentes.
A COP reúne representantes de países para negociar ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Um dos objetivos é colocar em prática o Acordo de Paris, compromisso internacional para limitar o aquecimento do planeta.
Como as mudanças no clima afetam a população
Segundo o WRI Brasil, os efeitos das mudanças climáticas também atingem a economia e o orçamento das famílias. Secas e calor excessivo podem prejudicar lavouras e reduzir a oferta de alimentos. Enchentes podem destruir casas, estradas e estabelecimentos comerciais.
Esses problemas provocam perdas de renda e aumentam os gastos dos governos com reconstrução e atendimento à população.
Para Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, adiar as medidas de prevenção torna o enfrentamento desses impactos mais caro e aumenta os riscos para as pessoas mais vulneráveis.
De onde deve vir o dinheiro
Um dos temas centrais da conferência será como ampliar o chamado financiamento climático: recursos destinados a reduzir as causas do aquecimento global e enfrentar seus efeitos.
De acordo com o material do instituto, o Roteiro Baku–Belém aponta caminhos para mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, reunindo diferentes fontes de financiamento.
O WRI Brasil defende a participação de governos, instituições financeiras e empresas. Também considera necessário facilitar o acesso dos países em desenvolvimento a doações e empréstimos com juros mais baixos e condições favoráveis.
Karen Silverwood-Cope, diretora de Clima, Finanças e Economia do instituto, explica que juros elevados e dificuldades para preparar projetos impedem que muitos investimentos saiam do papel.
Além de conseguir mais dinheiro, o desafio é fazer os recursos chegarem com rapidez aos projetos e acompanhar sua aplicação.
Prevenir pode custar menos do que reconstruir
O instituto destaca que preparar cidades e comunidades para os efeitos do clima pode evitar prejuízos maiores no futuro.
Segundo estudo do WRI citado no material, cada dólar investido em adaptação pode gerar, em média, US$ 10,50 em benefícios ao longo de dez anos. Esses benefícios incluem perdas evitadas e ganhos econômicos, sociais e ambientais.
A adaptação envolve medidas como melhorar a drenagem das ruas, proteger áreas sujeitas a deslizamentos e preparar serviços públicos para situações de calor extremo ou falta de água.
Florestas também ajudam a proteger a produção rural
Outro assunto que o WRI Brasil pretende levar à COP31 é a relação entre a conservação das florestas e a produção de alimentos.
Conforme o instituto, uma pesquisa a ser apresentada no contexto da conferência aponta que a perda de vegetação e as mudanças climáticas já prejudicam áreas produtoras de soja na Amazônia e no Cerrado. Em determinadas áreas analisadas, a redução da estação chuvosa chega a 75 dias.
O estudo também indica que mais de 37 milhões de hectares destinados à soja e à pecuária enfrentam aumento de temperaturas acima de 35°C, com impactos negativos sobre a produção.
Para Mariana Oliveira, diretora de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, combater o desmatamento é uma forma de proteger a capacidade de produzir alimentos e a economia do agronegócio.
O instituto também defende atividades que gerem renda com a floresta preservada, como o aproveitamento sustentável de seus produtos e a recuperação de áreas degradadas.
Mudanças na economia precisam considerar os trabalhadores
A substituição de atividades mais poluentes por outras de menor impacto ambiental também deve considerar quem depende desses setores para trabalhar.
É o que os especialistas chamam de “transição justa”: mudar a forma de produzir e consumir energia, oferecendo qualificação e oportunidades às pessoas afetadas.
Segundo estudo do WRI e parceiros citado no texto, essa transformação pode gerar cerca de 375 milhões de empregos no mundo na próxima década. Entretanto, apenas 1% dos planos climáticos nacionais analisados apresenta propostas para financiar a preparação dos trabalhadores.
Para o instituto, ampliar fontes como energia solar e eólica precisa vir acompanhado de políticas de emprego, desenvolvimento e segurança no abastecimento de energia.
Ônibus elétricos e indústrias menos poluentes
No transporte, uma das propostas é ampliar o uso de eletricidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão.
O WRI informa que participa da estruturação de um fundo, em parceria com o BTG Pactual e o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), para financiar mais de 1.700 ônibus elétricos em pelo menos quatro cidades brasileiras.
Na indústria, o instituto defende investimentos em tecnologias que reduzam a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global, especialmente na fabricação de aço e cimento.
Mercado de carbono também estará em discussão
A conferência também deverá discutir a cooperação entre mercados regulados de carbono. Nesses sistemas, regras estabelecem limites para a emissão de gases e permitem a negociação de autorizações de emissão.
O objetivo é criar um incentivo econômico para que as empresas reduzam sua contribuição para o aquecimento global.
Segundo o WRI Brasil, a troca de experiências entre países pode ajudar no desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.
Para o instituto, o resultado esperado da COP31 é avançar das promessas para investimentos capazes de proteger a população, reduzir prejuízos e criar oportunidades de trabalho e renda.
Fonte: WRI Brasil, com base no material divulgado em 6 de novembro de 2026.




