Sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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COP31: dinheiro para enfrentar mudanças no clima será um dos principais desafios, avalia WRI Brasil

Instituto defende investimentos para proteger cidades, reduzir prejuízos no campo e ampliar o uso de energias menos poluentes

Ilustração de uma cidade cercada por árvores e áreas agrícolas, com rio em primeiro plano, ônibus em uma avenida, painéis solares e turbinas eólicas ao fundo, sob céu parcialmente encoberto.

Investimentos em preservação ambiental, energia limpa e transporte sustentável estão entre as ações para enfrentar as mudanças climáticas debatidas na COP31. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Transformar os compromissos ambientais dos países em ações concretas exige dinheiro. Essa é a principal avaliação do WRI Brasil para a COP31, conferência mundial sobre mudanças climáticas prevista para ocorrer entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia.

Em material divulgado nesta sexta-feira (6), o instituto de pesquisas destaca que os recursos são necessários tanto para reduzir a poluição que aquece o planeta quanto para preparar a população para secas, enchentes, incêndios e ondas de calor.

Na prática, isso significa investir em medidas como melhorar a estrutura das cidades contra alagamentos, proteger fontes de água, conservar florestas e tornar a produção industrial e o transporte menos poluentes.

A COP reúne representantes de países para negociar ações de enfrentamento às mudanças climáticas. Um dos objetivos é colocar em prática o Acordo de Paris, compromisso internacional para limitar o aquecimento do planeta.

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Como as mudanças no clima afetam a população

Segundo o WRI Brasil, os efeitos das mudanças climáticas também atingem a economia e o orçamento das famílias. Secas e calor excessivo podem prejudicar lavouras e reduzir a oferta de alimentos. Enchentes podem destruir casas, estradas e estabelecimentos comerciais.

Esses problemas provocam perdas de renda e aumentam os gastos dos governos com reconstrução e atendimento à população.

Para Mirela Sandrini, diretora executiva do WRI Brasil, adiar as medidas de prevenção torna o enfrentamento desses impactos mais caro e aumenta os riscos para as pessoas mais vulneráveis.

De onde deve vir o dinheiro

Um dos temas centrais da conferência será como ampliar o chamado financiamento climático: recursos destinados a reduzir as causas do aquecimento global e enfrentar seus efeitos.

De acordo com o material do instituto, o Roteiro Baku–Belém aponta caminhos para mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, reunindo diferentes fontes de financiamento.

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O WRI Brasil defende a participação de governos, instituições financeiras e empresas. Também considera necessário facilitar o acesso dos países em desenvolvimento a doações e empréstimos com juros mais baixos e condições favoráveis.

Karen Silverwood-Cope, diretora de Clima, Finanças e Economia do instituto, explica que juros elevados e dificuldades para preparar projetos impedem que muitos investimentos saiam do papel.

Além de conseguir mais dinheiro, o desafio é fazer os recursos chegarem com rapidez aos projetos e acompanhar sua aplicação.

Prevenir pode custar menos do que reconstruir

O instituto destaca que preparar cidades e comunidades para os efeitos do clima pode evitar prejuízos maiores no futuro.

Segundo estudo do WRI citado no material, cada dólar investido em adaptação pode gerar, em média, US$ 10,50 em benefícios ao longo de dez anos. Esses benefícios incluem perdas evitadas e ganhos econômicos, sociais e ambientais.

A adaptação envolve medidas como melhorar a drenagem das ruas, proteger áreas sujeitas a deslizamentos e preparar serviços públicos para situações de calor extremo ou falta de água.

Florestas também ajudam a proteger a produção rural

Outro assunto que o WRI Brasil pretende levar à COP31 é a relação entre a conservação das florestas e a produção de alimentos.

Conforme o instituto, uma pesquisa a ser apresentada no contexto da conferência aponta que a perda de vegetação e as mudanças climáticas já prejudicam áreas produtoras de soja na Amazônia e no Cerrado. Em determinadas áreas analisadas, a redução da estação chuvosa chega a 75 dias.

O estudo também indica que mais de 37 milhões de hectares destinados à soja e à pecuária enfrentam aumento de temperaturas acima de 35°C, com impactos negativos sobre a produção.

Para Mariana Oliveira, diretora de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, combater o desmatamento é uma forma de proteger a capacidade de produzir alimentos e a economia do agronegócio.

O instituto também defende atividades que gerem renda com a floresta preservada, como o aproveitamento sustentável de seus produtos e a recuperação de áreas degradadas.

Mudanças na economia precisam considerar os trabalhadores

A substituição de atividades mais poluentes por outras de menor impacto ambiental também deve considerar quem depende desses setores para trabalhar.

É o que os especialistas chamam de “transição justa”: mudar a forma de produzir e consumir energia, oferecendo qualificação e oportunidades às pessoas afetadas.

Segundo estudo do WRI e parceiros citado no texto, essa transformação pode gerar cerca de 375 milhões de empregos no mundo na próxima década. Entretanto, apenas 1% dos planos climáticos nacionais analisados apresenta propostas para financiar a preparação dos trabalhadores.

Para o instituto, ampliar fontes como energia solar e eólica precisa vir acompanhado de políticas de emprego, desenvolvimento e segurança no abastecimento de energia.

Ônibus elétricos e indústrias menos poluentes

No transporte, uma das propostas é ampliar o uso de eletricidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural e carvão.

O WRI informa que participa da estruturação de um fundo, em parceria com o BTG Pactual e o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), para financiar mais de 1.700 ônibus elétricos em pelo menos quatro cidades brasileiras.

Na indústria, o instituto defende investimentos em tecnologias que reduzam a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global, especialmente na fabricação de aço e cimento.

Mercado de carbono também estará em discussão

A conferência também deverá discutir a cooperação entre mercados regulados de carbono. Nesses sistemas, regras estabelecem limites para a emissão de gases e permitem a negociação de autorizações de emissão.

O objetivo é criar um incentivo econômico para que as empresas reduzam sua contribuição para o aquecimento global.

Segundo o WRI Brasil, a troca de experiências entre países pode ajudar no desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.

Para o instituto, o resultado esperado da COP31 é avançar das promessas para investimentos capazes de proteger a população, reduzir prejuízos e criar oportunidades de trabalho e renda.

Fonte: WRI Brasil, com base no material divulgado em 6 de novembro de 2026.

Editoria Mundo
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