Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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COMO OS HOMENS FAZEM SUAS MEDIDAS

Humberto Pinho da Silva sorrindo em uma redação, sentado à mesa com jornais, máquina de escrever e uma xícara de café.

Lembra-nos os "Apólogos Dialogais", de D. Francisco Manuel de Melo, uma grande verdade, mas poucas vezes dita:

Andava em alvoroço e sobressaltada, a gente alojada nas costas do Reino - porque havia misero pirata, que infestava, a costa macedónica, com duas pequenas barcas, movido a remos. Até que janízaros o arrastaram à presença do Grande Alexandre,

Na presença de Sua Majestade, o pobre corsário, tremia e temia, receando severo castigo. Porém, movido de coragem, empertigou-se, e de voz macia e segura, respondeu-lhe às ásperas injurias de Sua Majestade. Transcrevo as próprias palavras do nosso insigne clássico, conservando o sabor e a elegância da sua sublime prosa:

- Tá, tá, senhor Alexandre! Não me trates, que tu e eu, ambos temos um próprio ofício, mas com tal diferença: que a ti, porque roubas o mundo cercado de exércitos, te saúdam as gentes por monarca, e a mim, que com poucos companheiros faço pequenos danos, me infamam de corsário."

E Manuel de Melo, remata: " Eis aqui como os homens fazem suas medidas! "

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Este texto merece reflexão ponderada:

Se cai nas teias da justiça, grande senhor, este, apresenta-se aos magistrados, acobertado de juristas experientes, que com presteza, conseguem que saia ileso ou, pena reduzida.

Mas, se o larápio inculto, que nunca topou oportunidade, ou por ser fraco de inteligência e de memória, assalta galinheiro, e não sendo ligeiro, como lebre, foi apanhado nas malhas da justiça.

Este, sofre sentença impiedosa, que sirva de exemplo, para os demais. 

Recordo o hábil chefe, que era benévolo para prevaricadores, e validos dos diretores; e cruel, para servidores humildes. E dizia – se lhe pediam razão. - É necessário dar exemplo...

Editoria Humberto Pinho da Silva
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