Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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COMO EÇA EXPLICA A FALTA DE PATRIOTISMO

Humberto Pinho da Silva sorrindo em uma redação, sentado à mesa com jornais, máquina de escrever e uma xícara de café.

Como se sabe, o nacionalismo é o amor que se sente pela Pátria, onde se nasceu, e se foi criado. Segundo José Maria Coloma (Léxico de Política), o termo equivale a patriotismo.

Eça, assevera – que o patriota, o que ama sua Pátria, o torrão onde nasceu e viveram os ancestrais, nunca pode ser cosmopolita.

Ao adquirirem idiomas, costumes, hábitos, e expressões de outros povos, o poliglota, esquece-se, lentamente a pátria, e a língua materna dilui-se em contacto com idiomas estranhos.

Certa ocasião, nos anos cinquenta, conheci jovem francesa, que estudara em Bordéus, mas pouco conhecia, além da pequena povoa em que vivia.

Um dia resolveu conhecer a terra dos antepassados, e abalou para Portugal.

Tudo lhe parecia estranho, e não compreendia, comportamentos e modos de pensar dos portugueses.

Como beijava todos que encontrava, recomendaram-na a não o fazer, principalmente homens. Respondeu envergonhada:

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-"Desculpem, mas eu sou francesa, e beijar é a forma de cumprimentar na minha terra!"

Atualmente, com a globalização, o turismo, a vinda maciça de imigrantes, a sociedade europeia, de raiz cristã, transformou-se: hábitos alteraram-se, assim como antigos valores e costumes, que eram características de cada nação, desapareceram

Mas, leia-se o que disse Eça: 

"Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - toda a outra deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças;  e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo" – " “Correspondência de Fradique Mendes." - (A " Madame" S.)

Editoria Humberto Pinho da Silva
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