Como se sabe, o nacionalismo é o amor que se sente pela Pátria, onde se nasceu, e se foi criado. Segundo José Maria Coloma (Léxico de Política), o termo equivale a patriotismo.
Eça, assevera – que o patriota, o que ama sua Pátria, o torrão onde nasceu e viveram os ancestrais, nunca pode ser cosmopolita.
Ao adquirirem idiomas, costumes, hábitos, e expressões de outros povos, o poliglota, esquece-se, lentamente a pátria, e a língua materna dilui-se em contacto com idiomas estranhos.
Certa ocasião, nos anos cinquenta, conheci jovem francesa, que estudara em Bordéus, mas pouco conhecia, além da pequena povoa em que vivia.
Um dia resolveu conhecer a terra dos antepassados, e abalou para Portugal.
Tudo lhe parecia estranho, e não compreendia, comportamentos e modos de pensar dos portugueses.
Como beijava todos que encontrava, recomendaram-na a não o fazer, principalmente homens. Respondeu envergonhada:
-"Desculpem, mas eu sou francesa, e beijar é a forma de cumprimentar na minha terra!"
Atualmente, com a globalização, o turismo, a vinda maciça de imigrantes, a sociedade europeia, de raiz cristã, transformou-se: hábitos alteraram-se, assim como antigos valores e costumes, que eram características de cada nação, desapareceram
Mas, leia-se o que disse Eça:
"Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - toda a outra deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo" – " “Correspondência de Fradique Mendes." - (A " Madame" S.)









