Estudantes do Colégio Estadual do Campo Bento Munhoz da Rocha Netto, na localidade de Nova Divinéia, em Pinhão, procuraram a redação do Portal Fatos do Iguaçu para denunciar cortes de funcionários e a suspensão do almoço para quem permanece na escola nos dias de atividades em contraturno. Em uma arte encaminhada ao portal, os alunos afirmam que a refeição foi substituída por uma fruta e pedem condições para “estudar com dignidade”.
Procurada pela reportagem, a diretora Cristiane Sulamar Tscha confirmou, em áudio, que o almoço deixou de ser servido por falta de funcionários suficientes na cozinha. Segundo ela, a escola dispõe de alimentos para preparar a refeição, mas a equipe atual não consegue atender a todas as demandas.
A diretora esclareceu que o colégio pertence à rede estadual e tem como mantenedora a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed). Portanto, a definição do quadro de funcionários e as solicitações relatadas são de responsabilidade da estrutura estadual de educação, e não da Prefeitura de Pinhão.
Distância de casa agrava a situação
Na manifestação, os estudantes informam que a escola tem 125 alunos e relatam reduções de pessoal na cozinha, na limpeza e na biblioteca. Segundo o texto, o corte de uma jornada de 20 horas na cozinha comprometeu o almoço de quem precisa permanecer no colégio entre os turnos.
“Moramos no interior e o transporte escolar torna inviável voltarmos para casa para almoçar”, afirmam os alunos na arte. A mobilização pede a manutenção dos funcionários e da alimentação escolar.
A diretora confirma que essa característica da comunidade precisa ser considerada no dimensionamento da equipe. Por se tratar de uma escola do campo, explica, os estudantes que têm contraturno não conseguem ir para casa no intervalo e retornar para as atividades da tarde.
Lanches continuam previstos, mas almoço foi suspenso
Cristiane explica que o colégio segue um cardápio definido pela Seed, identificado como “pauta 5”, que prevê diferentes lanches ao longo do dia, mas não inclui o almoço. Diante da redução de pessoal, a escola passou a executar somente os serviços previstos nessa programação.
Essa suspensão do almoço não é porque a gente optou, porque a gente acha interessante. Muito pelo contrário, a gente acha extremamente prejudicial
Segundo a diretora, a cozinha conta atualmente com uma funcionária de 40 horas semanais e outra de 20 horas. As atividades do setor começam às 6h30 e se estendem até as 16h55, acompanhando o funcionamento do colégio.
Ela ressalta que a falta da refeição também atinge os professores que almoçavam na unidade. A suspensão, portanto, refere-se ao almoço; o relato não indica a interrupção de todos os lanches oferecidos pela escola.
Direção relata três protocolos e reunião com o Núcleo Regional
De acordo com Cristiane, a direção já fez solicitações por telefone, abriu três protocolos e participou de uma reunião com a chefia do Núcleo Regional de Educação de Guarapuava, acompanhada por três integrantes do Conselho Escolar.
A diretora relata ainda que prestou esclarecimentos ao setor responsável pelos serviços terceirizados da Seed, reforçando a necessidade de recompor a equipe e manter o almoço.
Nós temos itens para o cozimento, para preparo. No entanto, sem o funcionário é impossível essa execução
Além da cozinha, Cristiane afirma que o colégio perdeu neste ano uma profissional administrativa que atuava na biblioteca, na busca ativa de estudantes e na entrega de leite. Para ela, a redução prejudica tanto o incentivo à leitura quanto o acompanhamento dos alunos.
Até o momento do relato encaminhado à reportagem, a direção não havia recebido uma solução efetiva. A expectativa informada por Cristiane era obter mais uma funcionária de 20 horas ou a reativação do contrato da profissional dispensada, permitindo retomar o almoço.










