Na empresa onde trabalhei quase quarenta anos, havia centenas de trabalhadores. Cada qual com sua função:
Uns, eram ateus; outros – em pequeno número: crentes; outros ainda: católicos de estatística.
Entre os crentes, havia um, que frequentara o seminário, mas foi constrangido a sair, porque sofria deficiência física: corcovava. Chamava-se Anselmo. Dirigente que tratava todos, com paciência e extrema bondade.
Nunca se envergonhou de se declarar cristão. Quem tivesse problemas de trabalho ou necessidade de apoio e conselho espiritual, dirigia-se a ele.
Era catequista, e todas as semanas deslocava-se à terra natal para cumprir a obrigação. Certa vez confessou-me: ” Se pudesse, e ainda me quisessem, gostava de ser padre”…
Outro, era evangelista ferrenho, e gostava de conversar comigo. Contou-me – certa ocasião teve forte vontade e dizer, perante enfermo grave: ” Em nome de Jesus, levanta-te!”.
Nunca o fez, embora estivesse convicto que seria atendido, mas se tivesse enganado? Cairia no ridículo, e seria alcunhado de lunático ou coisa pior.
Ainda havia outro, que era católico praticante – não gosto do termo, porque quem não cumpre o que Jesus ensinou, não é cristão – o católico, cumpre ou tenta cumprir os Mandamentos.
Tinha aspeto provinciano, caipira. Nos intervalos das refeições, assistia à missa. Se não havia, rezava e orava no templo.
Agnósticos e ateus eram poucos, – Havia um que pretendia batizar o filho. Não que acreditasse; mas, a mulher queria.
Foi falar ao Padre Faria. Este perguntou-lhe?
– ” É casado na Igreja? Respondeu-lhe:
-” Não! Nem acredito. Minha mulher quer, porque diz que é bom…”
-” Então leve o menino para casa, quando tiver idade, traga-o para a catequese.”
” Mas eu pago! Respondeu-lhe, irado. ”
***
Acabo de escutar, num canal de TV, interessante entrevista a figura pública, bastante conhecida.
Ao perguntar-lhe se concordava com o que o Papa dissera sobre determinado assunto, declarou:
– “Por ser católico não me impede de dizer: que discordo muitas vezes, quando Ele fala de temas profanos, sem se basear na Bíblia ou dogma da Igreja”. Para ser católico, basta cumprir o que Jesus ensinou; mas, infelizmente., nem sempre os crentes conhecem o Evangelho…
Em meados deste século, ouvi famoso ator declarar na televisão: “Globo”: – ” Tenho muita fé na Senhora Aparecida, mas para mim, a Santa Forte, é a Santa de Fátima!”…Como há tanta ignorância em matéria religiosa, mesmo em pessoas inteligentes e cultas!?… É inacreditável!…

