A tragédia ocorrida no dia 12/02/2026, em Itumbiara-GO e Brasil, foi muito impactante e é altamente reflexiva, da importância de as pessoas terem MECANISMOS DE DEFESA, boa formação educacional e espiritual, saúde mental para o enfrentamento dos embates da vida.
Advogamos na área de FAMÍLIA desde 1979 e em Pinhão desde 9 de março de 1981, e já lidamos com várias situações delicadas de crises conjugais, dos antigos concubinatos, hoje uniões estáveis, em que uma das partes não quer perder o outra ou uma situação de conforto que exista, principalmente do lado masculino. E aí, um potencial enorme para desgraças, feminicídios.
Infelizmente ainda está impregnada na nossa cultura, o “a honra de um macho se lava com o sangue de uma bala”, dita por uma Coronel que fora chifrado na nova Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado, e de alguns homens, acharem que são donos da esposa ou companheira. E muitas vezes o casamento ou união estável ruiu, está a situação insustentável, e alguns não aceitam o rompimento, a perda, e nesse contexto há perigo muito grande.
E teve até tempo atrás o uso em defesa de criminosos, a tese da “legítima defesa da honra”.
Ora ninguém é dono de ninguém. Ninguém é propriedade. Numa relação amorosa ou de conveniência, é fundamental ajuste documental prévio, e diante de crise, o caminho é divórcio, rescisão de união estável de preferência amigável, por envolver menos estresse e dispêndios. E cada um que tome o seu rumo. A fila anda como se diz. E se de deve buscar senão que ex preservem laços de consideração, até amizade, que se fique o RESPEITO MÚTUO, A LIBERDADE para cada um fazer o que bem entender da vida.
O caso Itumbiara-GO, pela lógica, natureza das coisas, o casamento do casal estava em crise, e ao invés deles fazerem divórcio, se enfrentou talvez a resistência do esposo não querer se divorciar, por amor, paixão, conveniência, e ele ao constatar que havia perdido a esposa, resolveu se vingar, e numa espécie de punição arbitrária, ilegal e asquerosa, matar os dois filhos, numa espécie de como um meio de desgraçar, arruinar a vida de esposa.
Esse lamentável ocorrido é assustador, pois, foi além do feminicídio, que muitos ocorrem, pela mentalidade insana, de “não mais sendo minha, também de outro não serás”, pois até filhos inocentes foram sacrificados.
Dias atrás em Santa Catarina, um matou a companheira, atirou em enteada, e cometeu suicídio, jogando seu carro na frente de uma carreta, ainda tentando matar mais gente, e causando problemas, prejuízos a terceiros.
Essa tragédia: a do feminicídio da advogada Tatiana Spitzner, em Guarapuava no dia 22/07/2018, de vários lamentáveis já ocorridos em Pinhão, cada um com suas peculiaridades mas que no fundo se assemelham, são muito impactantes e altamente reflexivos para toda a nossa gente. E nisso tudo, MECANIMOS DE DEFESA, resiliência, emparia, prevenções, busca de inteligência social, virtudes e valores do gênero são fundamentais.
O enfoque em tela também se aplica a questões de casal que se separam e não bem definem as coisas; guarda, regulamentação do direito de visitas, partilha de bens, pensão alimentícia, que se não feito composição via documento particular ou judicial, gera discórdias, medidas protetivas, processos criminais de aplicações de Lei Maria da Penha, prisões.
Todo o cuidado ainda é pouco em casamentos, ajuntamentos, relacionamentos amorosos ou de conveniência, daí nenhum mal em isso ser tratado como um estratégico contrato, negócio, racionalmente como dizem que os chineses fazem e na linha e contexto de semelhanças do “o combinado não sai caro”, e sem essa da emoção ou paixão de “com você eu moro até debaixo da ponte/viaduto”.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).

