Este escriba na infância se criou ouvindo causos de visagens, que gostava muito de ouvir, mas acabou ficando com medo de mortos e de ficar só no escuro.
Superou esse problema quando no final da década de 1960, enfrentou os últimos momento de vida de um tio paterno de nome Amazonas da Silveira Caldas (tio Mázio), que teve câncer no esôfago. Ouviu dele já em voz ofegante, que fosse preservado 3 pinheiros gigantes que existia e ainda existe na antiga sede da Fazenda de nosso ancestral (avô) Estevam da Silveira Caldas, que ele narrou que a mãe dele, Francisca de Oliveira Lima Caldas (Mossica), apreciava muito os bugios ficarem passando de galho em galho de um pinheiro a outro; e queria simplicidade em tudo. Foi um sufoco entender as coisas que queria dizer e do que deixou para falar já com dificuldades nos seus últimos momentos de vida. Foi a primeira vez esse tipo de enfrentamento inclusive com ajuda em dar banho em um morto, mas disso tudo ficou um legado: perdi o temor de enfrentar a morte e mortos, e que não devemos deixar para fazer manifestações a respeito, em momentos de agonia e final de vida. Daí, sermos defensor da ideia, e já fizemos o nosso CODICILO, que suas bases legais estão nos arts. 1.881 a 1.885 do Código Civil.
Depois do caso Tio Mázio, enfrentamos os últimos momentos de vida de meu pai em 15 de agosto de 1987, de irmãos em 27/05/2014 e 20/06/2023, vítimas de câncer de bexiga, de próstata e laringe, respectivamente.
A morte do mano de nome Ari Dellê Caldas, em 27/05/14, que foi um grande contador de causo da linha do saudoso Rolando Boldrin, e conhecedor da história de Pinhão, teve uma passagem emblemática: ele chegou caminhando em minha casa, queria ter ido num banco trocar um cheque, teve uma atordoação, deitou numa cama, e uns 15 minutos após apagou de uma maneira como se tivesse dormindo.
O mano Airton Dellê Caldas, teve uma peleia com o câncer por uns 9 anos, e acompanhamos todo o seu martírio e vida vegetativa dos últimos tempos, fez testamento e também deixou um grande legado, de vida simples, conservadorismo, ética, princípios de economia, decência e dignidade.
Minha mãe, Georgina Dellê Caldas, a primogênita da Família Dellê de Pinhão, nascida em 10/03/1916, faleceu do coração em 30/01/2000, com quase 84 anos, e “apagou” e quando encontrada já morta, se pensou que estava serenamente dormindo. Com quem falávamos de morte com naturalidade, de forma franca e pragmática e é ela quem manda em mim até os dias hoje.
Este escriba já fez vários escritos e reflexões sobre a morte; tem projeto de morrer com 94 anos desde que chegue lá razoável ou bom de cabeça, mas a hora que se for, já tem testamento e codicilo feito. E de momento a ideia é não ir para a Caroba com os meus ancestrais paternos, e sim ser cremado.
Em termos de velório, estamos amadurecendo a ideia para inserir no nosso codicilo, de quando partirmos desta não ter velório público na linha do ocorrido com o saudoso comunicador e empresário Silvio Santos. Para que nossa imagem e lembrança seja, das peleias do cotidiano, dando coice na maçaroca, andando de bicicleta, moto, a pé, fazendo falas informativas, de cidadania, prevenções, alertas, combatendo implacavelmente à corrupção, desperdícios, endividamentos, lambanças, falcatruas, maracutais, improbidades e males do gênero; e não imóvel e vencido com um ternão ou pijama de madeira.
Temos recomendado para amigos e clientes, planejamento sucessório, testamento e CODICILOS que são manifestações de última vontade, de forma escrita, onde a pessoa pode estabelecer disposições para serem cumpridas após a sua morte, que sejam referentes ao seu funeral, doações de pequenas quantias em dinheiro, bens pessoais moveis, roupas ou objetos do gênero.
Muitos desconsideram conselhos, orientações, práticas de pais, avós, dos mais velhos, ensinamentos de professores, de pessoas e líderes mais experientes, mas as vezes um CODICILO atenua um pouco a problemática, de ao menos um pouco de respeito as vontades e aos ditos do falecido.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO)



