Convenção encerrou projeto de candidatura própria ao Governo do Paraná; Alvaro Dias participou do encontro, mas não foi incluído na chapa e anunciou desistência no dia seguinte
Redação Portal Fatos do Iguaçu
O MDB do Paraná aprovou a indicação do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca para concorrer ao cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Sandro Alex, candidato do PSD ao Governo do Estado. A decisão representa uma mudança significativa na estratégia eleitoral apresentada anteriormente pelo partido, que até o final de junho sustentava a pré-candidatura de Greca ao Palácio Iguaçu.
A deliberação ocorreu durante a Convenção Estadual do MDB, realizada no domingo, 2 de agosto, na Sociedade Thalia, em Curitiba. Conforme a ata encaminhada à Justiça Eleitoral, apenas uma chapa majoritária foi inscrita para apreciação dos convencionais.
A indicação de Greca como vice recebeu 132 votos favoráveis e 14 contrários. Não houve votos brancos ou nulos. Embora aprovada por ampla maioria, a decisão enfrentou a maior resistência entre as deliberações registradas na convenção: quase 10% dos votos foram contrários à composição com o PSD.
Mudança na estratégia do MDB
A decisão encerra, na prática, o projeto de candidatura própria do MDB ao Governo do Paraná. No dia 22 de junho, a direção partidária havia lançado Rafael Greca como pré-candidato ao governo. O posicionamento foi reafirmado em 30 de junho, quando os diretórios nacional e estadual divulgaram uma nota conjunta confirmando Greca para governador e Alvaro Dias para o Senado.
Na ocasião, o partido declarou que informações em sentido contrário não correspondiam à realidade. A manifestação foi assinada pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e pelo presidente estadual, deputado federal Sergio Souza. Confira a nota divulgada pelo MDB.
Pouco mais de um mês depois, entretanto, a convenção aprovou uma configuração diferente: Sandro Alex como candidato a governador pelo PSD e Rafael Greca como vice pelo MDB.
A mudança aproxima definitivamente o MDB do grupo político liderado pelo governador Ratinho Junior. De acordo com a ata, participaram dos pronunciamentos Sandro Alex, Rafael Greca, Ratinho Junior, Sergio Souza, Anibelli Neto, Tercilio Turini, Beti Pavin, Eduardo Pimentel e Alvaro Dias.
O documento registra que os discursos destacaram a união entre MDB e PSD e a intenção de dar continuidade ao projeto administrativo conduzido pelo atual governo estadual.
Alvaro Dias não foi homologado
Apesar de ter participado e discursado durante a convenção, Alvaro Dias não aparece entre os candidatos aprovados. A ata não registra votação para o Senado e também não indica suplentes para o cargo.
Isso significa que o ex-senador não foi formalmente rejeitado pelos convencionais, pois seu nome não integrou a única chapa colocada em votação. O que ocorreu foi a ausência de homologação de sua candidatura.
No dia seguinte à convenção, Alvaro publicou uma carta em suas redes sociais anunciando que não participaria das eleições. No comunicado, afirmou ter concluído que não existiam, dentro do grupo liderado pelo governador, as condições necessárias para construir unidade em torno de seu nome.
“Não serei candidato”, declarou.
A decisão ocorreu mesmo com Alvaro liderando pesquisas recentes para o Senado. Levantamento Genial/Quaest divulgado em 27 de julho apontava o ex-senador com 20% das intenções de voto, enquanto Alexandre Curi, Deltan Dallagnol e Gleisi Hoffmann apareciam com 10% cada. Veja os dados da pesquisa.
Executiva poderá decidir sobre o Senado
Embora não tenha aprovado um candidato ao Senado durante a convenção, o MDB concedeu amplos poderes à Comissão Executiva Estadual. A autorização foi aprovada por 140 votos favoráveis e seis contrários.
Com essa delegação, a direção estadual poderá negociar coligações, escolher ou substituir candidatos e indicar posteriormente um nome para o Senado e seus respectivos suplentes. Também poderá alterar a composição das chapas majoritária e proporcional, desde que sejam respeitados os prazos e as regras da Justiça Eleitoral.
Portanto, a ata não significa necessariamente que o MDB ficará fora da disputa pelo Senado. O documento deixa aberta a possibilidade de lançamento de outro nome ou de participação em uma coligação formada em torno de candidato de partido aliado.
As convenções partidárias podem ser realizadas até 5 de agosto. Os partidos e as coligações têm até as 19 horas de 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
MDB aprova 74 candidaturas proporcionais
Na disputa proporcional, o MDB aprovou 74 candidaturas, sendo 30 para deputado federal e 44 para deputado estadual. As nominatas concorrerão de forma isolada, sem coligações proporcionais.
Para a Câmara dos Deputados, foram homologados 21 homens e nove mulheres. A participação feminina corresponde exatamente aos 30% exigidos pela legislação eleitoral.
Na disputa pela Assembleia Legislativa, a nominata é formada por 29 homens e 15 mulheres, com participação feminina de aproximadamente 34%. Entre os nomes aprovados estão os deputados Anibelli Neto e Tercilio Turini, além de Beto Lunitti e Gerson Colodel.
As chapas proporcionais receberam 146 votos favoráveis e apenas um contrário, sem votos brancos ou nulos.
A convenção foi presidida pelo deputado federal Sergio Souza, presidente estadual do MDB, e secretariada por Gerson Colodel. O encontro ocorreu entre 9 e 13 horas e a ata foi transmitida pelo sistema CANDex no dia 3 de agosto.
Nota de transparência: Esta reportagem foi elaborada a partir da análise da ata oficial da Convenção Estadual do MDB, de informações públicas e de consultas a fontes jornalísticas e partidárias, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial. O conteúdo foi organizado e revisado pela redação do Portal Fatos do Iguaçu.
