LEITURA EM AÇÃO: A comunidade de Santo Antão e Quilombola pelo olhar das crianças

Fotos: Divulgação/Escola Pedro Siqueira

Os alunos da escola Pedro Siqueira contam as histórias das comunidades

Pelo segundo ano o Fatos do Iguaçu tem parceria com a escola municipal Pedro Siqueira para a realização do Projeto: Leitura em Ação, no qual os alunos do quinto ano recebem toda semana a edição, as professoras trabalham algumas reportagens em sala de aula, bem como o Fatos vai registrando as atividades da escola, e para comemorar o aniversário do município de Reserva do Iguaçu, de emancipação política, que foi no dia 4 de setembro, os alunos visitaram duas comunidades, Santo Antão e Quilombolas, importante destacar que foram os alunos que escolheram as comunidades, fizeram a reportagem sobre as entrevistas que realizaram com os moradores de lá.

TEMPOS DE INFÂNCIA DE HORACÉLIA NA COMUNIDADE DE SANTO ANTÃO

Os alunos do quarto ano “A” e “D” e a professora Maria de Fátima Silveira foram visitar a senhora Horacélia de Oliveira Soares, hoje com 83 anos de idade, a fim de conhecer através de seus relatos a comunidade de Santo Antão.

Segundo a entrevistada, por volta dos anos de 1940 chegaram para habitar o lugar, hoje nominado comunidade de Santa Antão o senhor João José Ribeiro, seu pai, junto com a família. Ela tinha quatro anos quando vieram morar na comunidade e que havia poucos moradores, entre eles o senhor Rodolfo Blem e Eugênio Silveira Caldas.

Anteriormente a comunidade se chamava Todos os Santos, mas depois que queimou a igreja, o padre deu o nome de Santo Antão.

Antes de ser construída a nova igreja os cultos eram celebrados nas casas. Tinham a tradição de fazer as chamadas rezas nas casas onde era tudo de graça, serviam os bolinhos de polvilho nas peneiras, os moradores levavam prendas e gritavam leilão. Na época não tinha rádio, se comunicavam através de visitas, os transportes eram cavalos e carroças, que até encalhavam no barro, não havia estradas só carreiro.

Eram feitas as safras de roças onde levavam os porcos tocados para vender na cidade, e com o dinheiro compravam terras, os próprios pais vendiam para os filhos, pois na época havia poucas coisas para comprar, viviam com pouco e eram felizes, festejavam, se visitavam e tinham tempo uns para os outros.  

UMA HISTÓRIA LINDA E EMOCIONANTE

Em visita à Comunidade Paiol de Telhas os alunos dos 5ºs anos B e C com as professoras Izabel Marcelina de S. dos Santos e Eliane Caldas conheceram o lugar, as histórias de vida dos quilombolas.

Uma luta que já dura em torno de 40 anos para retomar o direito de suas terras, assim tem sido o dia-a-dia do povo da comunidade Invernada Paiol de Telhas.

Cerca de onze escravos alforriados em 1860 receberam 1860 uma doação em terras de D. Balbina Francisca de Siqueira, registrada em testamento. Por muito tempo, lá por volta da década de 70, houve um processo de “grilagem” de terras por parte de alguns fazendeiros, esses escravos e suas famílias acabaram sendo expulsos de suas terras, como nos relatou D. Ondina, uma senhora de 104 anos, uma das herdeiras diretas da terra. Em conversa com essa senhora ela descreveu tudo o que se lembra dessa triste história, com lágrimas nos olhos lembrou-se do dia em que ela e sua família foram expulsas da sua própria casa, seu pai fingiu-se de morto após ser ferido com tiros, viu sua casa ser queimada.

Agora que muitos descendentes já retomaram e outros estão conseguindo seus direitos, Dona Ondina vê isso como uma vitória após muitos anos de luta.

 PAIOL DE TELHAS – FUNDÃO

Segundo informações de alguns moradores da comunidade, esta recebeu o nome de Invernada Paiol Telha Fundão, devido ao paiol que havia na entrada da fazenda.

No dia 28 de maio o Incra realizou a entrega de dois títulos coletivos no nome da Associação,  nessas titulações serão  assentadas 112 famílias das 390 que tem direito ao território Quilombolas Paiol de Telha Fundão. Uma delas é a Dona Maria Vanda Viana, que tem mais de 80 anos e atualmente mora na comunidade.

 Alguns entrevistados lembram-se da época em que as famílias estiveram acampadas nas margens da PR 459, nas cercas do seu território, que hoje enfim é reconhecido como de direito das 300 famílias quilombolas.

Expulsos das terras, o grupo esteve instalado na beira da estrada por mais de 20 anos, por não ter aonde ir e como forma de pressionar o governo e dar visibilidade à verdadeira história. Ressaltam ainda que, para que todas as 300 famílias possam viver e plantar na terra, é preciso garantir a titulação de todo o território, pois só foi dado titularidade a parte deste, o restante está em processo.

 

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