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Pesquisadores afirmam: Manter o Jardim Botânico de Faxinal do Céu é garantir a existência de espécies em extinção

Por Nara Coelho

A proposta de desativação das Vilas Residenciais de Segredo, em Reserva do Iguaçu e do Faxinal do Céu em Pinhão, no estado do Paraná pela empresa Copel deixou pesquisadores de diversas áreas e universidades perplexos, preocupados.

JARDIM BOTÂNICO ABRIGA ESPÉCIES EM EXTINÇÃO

No sábado, 29 de agosto, o deputado Tadeu Veneri (PT) organizou uma reunião virtual, quando foram discutidas formas para lutar pela permanência das Vilas com investimentos para garantir a qualidade das estruturas e trabalhos hoje já realizados.  

A reunião teve a participação de vinte e cinco pessoas, entre elas, engenheiros florestais, pessoas que conhecem o Jardim Botânico e defendem o meio ambiente, professores que já vivenciaram cursos de formação na Vila de Faxinal e falaram da importancia do local para a formação de profissionais, pois permite uma imersão completa num espaço preparado para isso, aconchegante e belíssimo, do presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná, Senge, Leandro Grassmann, alunos de mestrado na área de biologia e professores pesquisadores da UEM, Universidades Estadual de Maringá, Maria Aparecida Sert, Jeselay dos Reis, entre outros.

A importância de toda a estrutura para a pesquisa foi o destaque. O Jardim Botânico congrega um espaço de vegetação de clima temperado único, no sentido que é um espaço vivo que se pode pesquisar plantas, animais, solos e clima em seu habitat natural. Além de ter espécies do mundo todo. Também foi destacada toda a questão da arquitetura e engenharia da usina que pode ser explorado e que já é em pesquisas.

ORQUÍDEAS RARAS E ANIMAIS EM EXTINÇÃO

A professora da UEM, Maria Gutierre, repassou aos presentes que ela e um professor pesquisam orquídeas e que um dos espaços que eles utilizam para a pesquisa é o Jardim Botânico, e que estarão editando um livro que traz duas espécies de orquídeas que eles só encontraram no Jardim Botânico de Faxinal do Céu.

Os professores pesquisadores da Unicentro, Adriano Silvério e João Miranda, que já desenvolvem projetos com o Jardim Botânico, descreveram algumas espécies em extinção, ou em vias de extinção, como um micro sapo, o papagaio de peito roxo, uma espécie de morcego, que é raro, quase só encontrado nesse espaço, entre outros animas.

Um pedacinho do Jardim Botânico de Faxinal do Céu | Foto; Naor Coelho

Foi falado da importância do Museu Regional do Iguaçu, que registra a história, usos e costumes de culturas, inclusive que devido à construção das usinas foram praticamente extintas.

A professora Liliana Porto, da UFPR, Universidade Federal do Paraná, resumiu as principais  consequências diretas da desativação das Vilas residenciais ou um investimento irrisório por parte da Copel nessas estruturas:  sucateamento do patrimônio público do Paraná; impacto social regional relevante, retirando o trabalho de centenas de moradores locais e inviabilizando projetos futuros de geração de emprego e renda;  risco ao Jardim Botânico e a sua imensa diversidade biológica, em especial algumas espécies raras e em risco de extinção; problemas ao acesso de pesquisadores e estudantes universitários ao Jardim Botânico; limites à circulação, lazer e aprendizado dos moradores de Pinhão, rompendo seus vínculos territoriais com o espaço de Faxinal do Céu.

PROCURADORIA ESPECIAL DO MEIO AMBIENTE

O Procurador de Justiça da Procuradoria Especial do Meio Ambiente do Paraná, Saint-Clair Honorato Santos, participou da reunião e explicou que a procuradoria estará levantando dados sobre a questão, inclusive sobre os impactos ambientais e sociais que a construção das usinas de Energia Elétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Neto e  Governador Ney Aminthas de Barros Braga e das Vilas Residenciais causaram na região, como a empresa Copel ressarciu os municípios pelo que foi degradado ambientalmente e culturalmente, bem como quais são hoje as consequências locais e até para a pesquisa e proteção da flora e fauna, a desativação das estruturas de Segredo e Faxinal do Céu.

O procurador lembrou que nesse momento as estruturas são públicas e o Estado tem obrigações com elas e com as relações dessas com os cidadãos da região. Como ele foi informado da existência da Fundação Fundere-Copel, que poderia ser um dos caminhos para resolver a questão, que ele também irá verificar se a Fundação teria todos os aparatos legais para gestar todas essas estruturas.

CAMINHOS LEVANTADOS PARA SOLUCIONAR A DESATIVAÇÃO

Além da proposta da Fundação Fundere-Copel passar a gerir o espaço, os presentes levantaram a possibilidade transformar o espaço em uma APA, que é uma Área de Proteção Ambiental, que seria mantida pelo municipio com as verbas do ICM Ecológico, o tombamento do espaço, pois assim se protegeria o patrimônio cultural que esse congrega, que o Estado do Paraná assumisse o espaço.

AS AUSENCIAS FORAM SENTIDAS

Todos os participantes, inclusive o procurador da justiça, questionaram a ausência do poder executivo na reunião. Os organizadores repassaram que os prefeitos foram convidados e que nenhum apresentou justificativa pela ausência.

PETIÇÃO EM PROL DO JARDIM BOTÂNICO

A petição criada pela Biotecnóloga, Tatiane Martins da Silva, está no link: http://chng.it/tKFLWRKv , quer chegar a 10.000 assinaturas para poder encaminhá-la à procuradoria do meio ambiente, “É um espaço perfeito para sensibilizar as pessoas da importância da natureza na nossa vida, é um vasto campo para pesquisa e além disso ele promove a geração de renda no local, assim pedimos às pessoas que assinem a petição”.

Esse simples ato de assinar e compartilhar a petição para levar mais pessoas a assinarem a petição  poderá fazer a diferença na vida de muitas pessoas que vivem na região, inclusive garantido a sustentação econômica das famílias.

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