As geadas também devem ocorrer, porém de forma menos abrangente e menos frequente do que em anos com neutralidade climática ou sob influência do fenômeno La Niña.   Foto: Arquivo/Fatos do Iguaçu

Estação teve início às 5h24 deste domingo (21) e será influenciada pelo fenômeno El Niño, segundo o Simepar

Redação Portal Fatos do Iguaçu com Simepar


O inverno de 2026 começou oficialmente às 5h24 deste domingo, 21 de junho, no Hemisfério Sul. Tradicionalmente conhecida por ser a estação mais fria e seca do ano no Paraná, a nova estação deve apresentar características diferentes neste ano. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a previsão é de chuvas acima da média histórica e temperaturas ligeiramente mais elevadas em grande parte do Estado.

A chegada do inverno coincide com o solstício de inverno, fenômeno astronômico que marca o dia mais curto e a noite mais longa do ano. A partir desta data, os dias passam gradativamente a ganhar mais minutos de luz solar até a chegada da primavera.

El Niño muda o comportamento típico da estação

Segundo o meteorologista Leonardo Furlan, do Simepar, a principal responsável pelas mudanças previstas para este inverno é a atuação do fenômeno El Niño, cujas condições já foram confirmadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

O fenômeno ocorre devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando o regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do planeta.

No Paraná, os efeitos já começam a ser sentidos e devem se intensificar nos próximos meses.

O El Niño aumentará no Paraná a frequência de chuvas e sistemas frontais, ocasionará menor amplitude térmica, mais ocorrências de nevoeiros e geadas menos generalizadas”, explica Leonardo Furlan.

Mais chuva durante toda a estação

Historicamente, o inverno paranaense é marcado pela atuação frequente de massas de ar frio e seco, que reduzem significativamente os volumes de precipitação, principalmente nas regiões Norte e Centro do Estado.

Neste ano, porém, o cenário será diferente. A previsão aponta que os volumes de chuva ficarão acima da média histórica durante todo o inverno, com tendência de aumento gradual até a chegada da primavera.

As chuvas continuarão sendo provocadas principalmente pela passagem de frentes frias, que devem ocorrer com maior frequência devido à influência do El Niño.

Frio menos intenso ao longo dos meses

Embora o inverno ainda traga episódios de frio intenso e possibilidade de geadas, especialmente nas regiões Sul, Centro-Sul, Sudoeste, Campos Gerais e Região Metropolitana de Curitiba, a tendência é de que as temperaturas fiquem acima da média climatológica.

O Simepar prevê que julho ainda apresente períodos de frio mais expressivo, mas a intensidade das massas de ar polar deve diminuir gradativamente ao longo de agosto. Em setembro, as temperaturas devem ficar ainda mais elevadas em relação à média histórica.

Outra consequência esperada é a redução da amplitude térmica, ou seja, a diferença entre as temperaturas mínimas e máximas deverá ser menor em comparação a anos anteriores.

Nevoeiros e geadas continuam presentes

Mesmo com temperaturas mais elevadas, fenômenos típicos da estação continuarão ocorrendo. O inverno seguirá favorecendo a formação de nevoeiros durante as manhãs, especialmente em áreas próximas a rios, lagos e vales.

As geadas também devem ocorrer, porém de forma menos abrangente e menos frequente do que em anos com neutralidade climática ou sob influência do fenômeno La Niña.

Além disso, o Simepar destaca a possibilidade de ocorrência dos chamados “veranicos”, períodos de vários dias consecutivos com tempo seco e temperaturas elevadas para a época, especialmente durante o mês de agosto.

Estado reforça monitoramento e prevenção

Diante da previsão de aumento nos volumes de chuva, o Governo do Paraná já está reforçando a estrutura de monitoramento meteorológico e prevenção de desastres.

O Simepar iniciou a contratação de novos meteorologistas e participa dos projetos Monitora Paraná e Monitora Litoral, que incluem a aquisição de novos radares meteorológicos e equipamentos de monitoramento oceânico.

Paralelamente, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil vem orientando os municípios a intensificarem ações preventivas, como limpeza de galerias pluviais, desassoreamento de rios, revisão de áreas de risco e preparação de abrigos para situações de emergência.

Segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, a formação do El Niño está sendo acompanhada com atenção por todos os órgãos envolvidos.

“Não temos como prever agora quais locais serão mais suscetíveis às ocorrências ligadas ao aumento expressivo de chuva. Naturalmente, as áreas que possuem histórico de tragédias precisam concentrar um planejamento reforçado para reduzir os impactos à população”, destacou.

Atenção para os próximos meses

Com a confirmação do El Niño e a previsão de um inverno mais úmido e relativamente mais quente, especialistas recomendam que agricultores, gestores públicos e a população acompanhem regularmente os boletins meteorológicos.

Embora o frio continue sendo uma característica marcante da estação, especialmente nas regiões mais elevadas do Paraná, o inverno de 2026 deverá ser lembrado pelo aumento das chuvas e por temperaturas mais amenas do que o habitual.

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