Uma das melhores reflexões escritas que fizemos e publicadas no Jornal Fatos do Iguaçu, de 1998 para cá, foi e é crônica “Vulgaridade e Cidadania”, publicada na edição nº. 91 de 16-31 de março do ano 2000.
O assunto é interessante e pertinente, porque não é fácil conciliar, vulgaridade, insatisfações e reclamações com CIDADANIA.
Vivemos num contexto paradoxal, de choque de deveres com direitos, de liberdade com abusos, de um lado desperdícios, ostentações e privilégios e de outro lado pessoas vulneráveis em termos de rendas, habitações.
Há também o contexto de que tem gente que não se contenta com nada, e só sabe reclamar e ver defeito nas ações dos outros, como se só ele seja o bom, e muitas vezes incoerentemente ao que pratica nos atos de sua vida civil e até familiar.
É aquela velha história antes de qualquer insatisfação, reclamação, é importante fazer uma autoavaliação, se está fazendo a parte que lhe cabe, olhar no espelho e examinar a consciência para verificar se está em condições de fazer críticas, reclamações, reivindicações, até porque quem não faz a parte que lhe cabe e não zela do que tem e do bem comum, não pode reclamar do que não está a receber e não tem.
Nos tempos que estive agente político de 4 mandatos eletivos, amigos e correligionários vinham nos contar que em botecos da vida, entre os quais no antigo Castelinho da esquina da Rua XV de Dezembro, com a Avenida Trifon, muitos jogadores de sinuca e cachaceiros em horário e dias úteis da semana, deitavam falação mal e invenciones contra nós e outros, por insatisfações, interesses contrariados, gosto opor fofocagens e males do gênero. E isso é até normal e cultural, e até faz bem para a autoestima do falante, pois, numa espécie de mecanismo de defesa, lhe é salutar e estratégico jogar a culpa de seus fracassos, problemas, frustrações nas costas de quem está no poder em qualquer das esferas: Municipal, Estadual e União/Nação, e os agentes locais são os melhores alvos..
Assim e em síntese para encerrar a reflexão, antes de reclamações, de demonstrar insatisfação, salutar se olhar no espelho, fazer autoavaliação de seus atos, de suas ações na sua família e ambiente de trabalho e social, para daí ver se está em condições, se tem moral, para fazer posicionamentos, reclamações ou críticas ainda que construtivas.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, CIDADÃO e municipalista)
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