Índice de violência sexual contra crianças é alto em Pinhão

Promotora de Justiça Lorena Almeida Barcelos de Albuquerque:  “ Há bastante casos de violência contra crianças e adolescentes aqui em Pinhão” | Foto: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu

Por Nara Coelho

A violência infanto-juvenil ainda é alarmante no país, as crianças são as maiores vítimas de estupro no Brasil, segundo o Atlas da Violência de 2018.

As denúncias realizadas pelo Disque Denúncia 181, mostram que no Paraná a situação de violência contra a criança e adolescente é muito grave, em 2018 foram 1.165 registros.

No Pinhão a situação é gravíssima, segundo dados levantados pela psicóloga Jolly Danubia de Oliveira Dellê, que atua na secretaria municipal de assistência social, na área do acolhimento infantil, os números são gritantes, em media por semana são de 5 a 12 casos de violência sexual infanto-juvenil.

A promotora de Justiça, Lorena Almeida Barcelos de Albuquerque, que atua na comarca local, reitera os dados levantados por Jolly.

“ Há bastante casos de violência contra crianças e adolescentes aqui em Pinhão, principalmente violência sexual, mas também outras formas de violência como a psicológica, física, a própria negligencia e abandono das famílias em relação aos cuidados com as crianças, com esses dados verificamos a necessidade da criação da comissão”, destacou a promotora.

Ela também repassou que a solicitação para a criação da Comissão, veio por parte do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes de Pinhão, o Comdicapi.

COMISSÃO DE ENFRENTAMENTO À VIOLENCIA

Para poder qualificar o trabalho que já é realizado em relação à questão da violência infanto-juvenil no município, foi criada a Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência Infantil e Juvenil.

A comissão é formada por representações dos diversos setores da sociedade, pois o atendimento às crianças e adolescentes é sempre em conjunto. “Quando se trata de crianças e adolescentes, a solução sempre vai envolver mais de um setor do município ou do estado, eles sempre demandam uma ação em conjunto para atender a criança de forma completa, assim, é preciso que haja diálogo entre os  setores, por isso  a necessidade de estabelecer o fluxo”, detalhou a promotora.

Entre as representações estão ministério público, conselho tutelar, serviço de assistência social, Cras, CREA, serviço de acolhimento, secretaria de saúde e educação, hospital local,  e os de referencia na região, o caps a policia civil e militar, o núcleo regional de educação, as escolas estaduais e municipais.

PADRONIZANDO O FLUXO DE ATENDIMENTO

A Comissão Municipal de Enfrentamento a Violência veio para poder dar um direcionamento e definir um protocolo de atuação a todos os profissionais que atuam na rede de atendimento.

”Após as duas primeiras reuniões a Comissão percebeu que era importante unificar o trabalho que já é realizado e está elaborando um fluxo de atendimento para os casos de violência e esse fluxo foi elaborado com a ajuda da psicóloga da prefeitura Jolly, que atua no acolhimento infanto-juvenil e em diálogo com todos os profissionais e setores envolvidos”, explicou a promotora.

E ela detalhou: “A idéia é definir o passo-a-passo dos atendimentos, qual órgão deve-se procurar em cada situação de violência, qual a atribuição de cada órgão, como fazer os encaminhamentos para se ter um caminho único para não se perder tempo pensando aonde ir ou a quem encaminhar cada situação. Quem procurar e quando procurar, essas informações são importantes tanto para a população como para os profissionais da rede”.

AÇÕES JÁ REALIZADAS

Está sendo elaborada uma cartilha de orientação sobre os tipos de violência e como funciona cada setor para se distribuído para a população. Foram realizadas capacitações pelos técnicos que atuam no estado do Paraná sobre escuta espontânea e sobre a escuta qualificada. “A violencia sexual e outras contra a criança e adolescentes vai gerar pessoas com uma serie de problemas, que levam a um ciclo de mais violência, a nossa função é quebrar esse ciclo para que a criança possa ter uma vida adulta digna e produtiva”, finalizou a psicóloga.

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