Divórcios em 1ª instância ou realizados por escrituras extrajudiciais caíram 2,8% em um ano – Foto: Freepik
Pesquisa aponta redução nos nascimentos pelo sexto ano seguido, leve queda nos divórcios e crescimento dos óbitos em 2024.
Redação Portal Fatos do Iguaçu com Agência IBGE
O Brasil vive mudanças importantes no perfil das famílias e da população. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2024, o país registrou queda no número de divórcios, leve aumento nos casamentos, recorde de uniões entre pessoas do mesmo sexo, redução pelo sexto ano seguido no número de nascimentos e aumento nas mortes, especialmente entre idosos e homens jovens por causas não naturais.
As informações fazem parte das Estatísticas do Registro Civil, levantamento feito com base nos dados enviados por cartórios e varas judiciais de todo o país.
Menos divórcios, mas mudança importante na guarda dos filhos
Em 2024, foram registrados 428.301 divórcios, uma redução de 2,8% em relação a 2023. Essa foi a primeira queda nesse indicador desde 2020, ano marcado pela pandemia.
Segundo o IBGE, a diminuição é considerada pequena e ainda não indica, necessariamente, uma mudança definitiva de comportamento da população. As quedas ocorreram em quase todas as regiões, com exceção do Norte, onde os divórcios aumentaram.
Um dado inédito chamou atenção: pela primeira vez, a guarda compartilhada dos filhos passou a ser mais comum que a guarda exclusiva da mãe. Em 2024, 44,6% dos divórcios judiciais com filhos menores adotaram a guarda compartilhada, enquanto 42,6% ficaram com a guarda exclusivamente feminina. Essa mudança é reflexo direto da lei de 2014 que prioriza a divisão de responsabilidades entre pai e mãe.
Casamentos voltam a crescer, mas ainda abaixo do período pré-pandemia
O número de casamentos civis teve alta de 0,9%, totalizando 948.925 registros em 2024. Apesar do crescimento, o volume ainda está abaixo do observado antes da pandemia da Covid-19.
O Centro-Oeste foi a região com maior aumento, enquanto o Nordeste foi a única a registrar queda. Dezembro segue como o mês mais procurado para oficializar a união.
Outro destaque foi o recorde de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que chegaram a 12.187 registros, o maior número desde o início da série histórica, em 2013. A maior parte dessas uniões foi entre mulheres. O IBGE aponta que o avanço reflete maior aceitação social e segurança jurídica.
Pessoas estão se casando mais tarde
Os dados também mostram que os brasileiros estão adiando o casamento. Em 2024, os homens se casaram, em média, aos 31,5 anos, e as mulheres, aos 29,3 anos. Há 20 anos, essas idades eram bem menores.
Cresceu também o número de casamentos envolvendo pessoas divorciadas ou viúvas, que já representam 31,1% das uniões civis, indicando mais recasamentos e novas formações familiares.
Nascimentos caem pelo sexto ano consecutivo
O Brasil teve 2,38 milhões de nascimentos em 2024, uma queda de 5,8% em relação a 2023. É o sexto ano seguido de redução, confirmando uma tendência de longo prazo.
Outro dado importante é a queda no número de mães jovens. Em 2004, mais da metade dos nascimentos era de mulheres com até 24 anos. Em 2024, esse percentual caiu para 34,6%. A maternidade na adolescência também diminuiu, embora ainda represente um desafio social e educacional.
Mortes aumentam, especialmente entre idosos e homens jovens
Em 2024, o país registrou 1,49 milhão de mortes, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. A maior parte dos óbitos ocorreu entre pessoas com 60 anos ou mais, reflexo do envelhecimento da população.
As mortes por causas não naturais, como acidentes, homicídios e suicídios, representaram 6,9% do total. Os homens continuam sendo as maiores vítimas: entre jovens de 15 a 29 anos, o número de mortes masculinas por essas causas foi 7,7 vezes maior que o de mulheres.
Um retrato de um Brasil em transformação
Os dados do IBGE mostram um país que envelhece, tem menos filhos, reorganiza suas famílias e enfrenta desafios importantes, especialmente na proteção da juventude masculina e no cuidado com a população idosa.
Mais do que números, o levantamento ajuda a compreender como os brasileiros estão vivendo, formando famílias e enfrentando as transformações sociais dos últimos anos.









