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COLUNA SAÚDE ACONTECE – Hipertensão na gravidez: É melhor prevenir!

Um pré-natal de qualidade é o caminho para evitar a hipertensão arterial específica da gestação

“É uma doença que acomete cerca de 10% das gestações,ou seja, 10% da humanidade nasce sob os riscos da hipertensão na gravidez”. Essas são palavras de Álvaro Nagib Atallah,nefrologista, clínico, diretor da Cochrane Brasil e que tem essa doença como área de pesquisa há quase 40 anos.

A hipertensão gestacional não tem uma causa única. Acredita-se que o problema é resultado de uma série de aspectos como alimentação exagerada com excesso de sal, sedentarismo e fatores imunológicos e hereditários.
Diante ao isolamento social, os cuidados precisam ser redobrados e a manutenção de bons hábitos é essencial. Ficar o dia inteiro dentro de casa pode ocasionar quadros de ansiedade e o escape para esse sentimento é, muitas vezes, encontrado na comida. Por essa e outras razões, manter uma dieta balanceada combinada à prática de exercícios físicos tornou-se ainda mais importante, principalmente quando se trata das gestantes diagnosticadas com pressão alta.

Hipertensão Gestacional

A hipertensão gestacional é uma das complicações mais comuns em grávidas e é caracterizada pelo aumento da
pressão sanguínea durante o período da gestação em mulheres que apresentaram ou não o problema anteriormente. Esse distúrbio pode aparecer na forma de pré-eclâmpsia, quando o aumento da pressão arterial é acompanhado da eliminação de proteína pela urina. Caso não seja tratada adequadamente, o quadro pode evoluir para eclâmpsia, provocando além da pressão muito elevada, sintomas mais graves, como convulsões e inchaços, perda fetal e até a morte.

Nesse estágio, a vida da mãe e do bebê são colocadas em risco. “O feto também é afetado, porque pode desenvolver e crescer menos ou nascer prematuro”, comenta. Geralmente, a hipertensão gestacional acomete dois grupos de mulheres: as mais novas e aquelas que escolhem engravidar após os 35 anos. As diabéticas e mulheres com incompatibilidade sanguínea também tendem a ficar mais expostas ao desenvolvimento da doença.

“Uma das hipóteses para explicar isso é que o sistema vascular do útero e placenta das adolescentes ainda não está bem desenvolvido. No caso das mulheres mais velhas, elas já estão começando o processo de aterosclerose. Se ela for diabética, é um atrativo, pois a diabetes também é uma doença vascular”, explica Álvaro.
Além do mais, as mulheres com hipertensão crônica têm grandes chances do agravamento do quadro. Sendo assim, é fundamental acompanhar e seguir um tratamento específico para assumir as rédeas da doença durante a gravidez.

Pré-natal

O pré-natal é fundamental para qualquer gestante que deseja uma gravidez saudável e tranquila. Em casos daquelas diagnosticadas com hipertensão gestacional, o acompanhamento médico é um forte aliado. “O pré-natal pode evitar muitas complicações e, se for bem feito, há evidências de formas de prevenção”, conta.
É por meio desse acompanhamento, que o médico consegue assistir, além da saúde materna, o processo
circulatório do feto, o útero placentário e o desenvolvimento do bebê. Além disso, ao final da gravidez, ele é capaz de identificar sinais de pré-eclâmpsia e interromper o parto antes, para que o quadro não se complique.

Alguns estudos publicados na Cochrane Library, considerada a maior base de dados de ensaios clínicos, indicam que alguns hábitos podem evitar o agravamento ou até mesmo prevenir a doença. O uso do cálcio na alimentação é um dos exemplos e a recomendação é administrar de uma a duas gramas de cálcio diariamente, em forma de carbonato de cálcio, leite ou queijo durante o período gestacional.
“Reduz significativamente o risco, principalmente nas brasileiras. Normalmente, elas têm dificuldade de ingestão de cálcio por serem de baixa renda ou por não terem o hábito de comer derivados do leite ou queijo”.

Outro método que agrega na prevenção da hipertensão gestacional é a utilização da aspirina. De acordo com estudos, as aspirinas em baixas doses, a partir da décima segunda semana, reduz a incidência da pré-eclâmpsia e é seguro para mãe e bebê. “Com o uso da aspirina, o risco absoluto cai de 7% para 5 a 6%. Sendo assim, a percentagem de casos tem uma redução de 1 a 2%”. Ainda segundo Álvaro, o primeiro passo é prevenir. Antes
mesmo do pré-natal, também é importante ter um planejamento para investigar possíveis problemas como hipertensão crônica e, consequentemente, evitar futuras complicações.

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