Aos 24 anos, Anderson Brol Kempf apostou no improvável, envolveu toda a família e transformou uma pequena propriedade no Faxinal dos Carvalhos em referência na produção de ovos, geração de renda e inovação no campo.

Quando a vitalidade da semente encontra a determinação da araucária mãe, o resultado é crescimento. Assim nasceu a Granja Brol, no Faxinal dos Carvalhos, a 8 km de Pinhão, fruto da ousadia de Anderson Brol Kempf, de 24 anos, que decidiu apostar em galinhas poedeiras para garantir uma nova fonte de renda na propriedade da família. O que muitos chamaram de loucura virou uma das histórias mais inspiradoras da agricultura familiar pinhãoense.

A família vive há mais de 40 anos no sítio de 3 alqueires, onde antes a renda vinha das hortaliças vendidas para a merenda escolar e para os mercados locais. Anderson começou ajudando com o leite: trabalhava fora durante o dia e, no fim do expediente, voltava para ordenhar as vacas. Parecia que o caminho seria seguir com a leiteiria — até que, um dia, ele decidiu arriscar.
“Deu uma loucura”, diz ele, sorrindo. Com o pai trabalhando em Cascavel, Anderson reaproveitou a estrutura de uma estufa e comprou 600 galinhas. Imaginava que seria simples, mas descobriu rápido que o investimento era alto e o retorno lento: seis meses de gastos até o primeiro ovo. Toda a renda do leite era usada para alimentar as aves.
Mesmo assim, a mãe, Salete Brol, incentivou e ajudou a convencer o pai, Eroni Valmir Kempf, e as irmãs — Milena, Estefani e Camila — a abraçarem o projeto. No início, muitos diziam que ele estava louco. A família, porém, acreditou.

As dificuldades eram enormes. Sem veterinários especializados em avicultura na região, Anderson enfrentou mortalidade alta e o problema do canibalismo entre as aves. O aprendizado veio de noites assistindo vídeos, estudando e testando práticas. “A gente sentava à noite, a família toda, pra ver o que fazia pra diminuir o canibalismo. Sofremos muito, mas hoje a mortalidade é baixa”, explica.
O esforço deu resultado. Em apenas dois anos, a Granja Brol saltou de 600 para quase 10 mil galinhas, gerando cerca de 5 mil ovos por dia. A meta é chegar a 500 dúzias até o fim do ano. A granja se tornou o carro-chefe da propriedade, mas se integra ao leite, ao mel, aos panificados e à horta, criando um sistema em que um setor complementa o outro.
A produção abastece praticamente todo o comércio de Pinhão: JM, Nosso Supermercado, Superpão, Oba, Charnoski. A família também marca presença fiel na Feira do Produtor, todos os sábados, onde os fregueses esperam pelo ovo, pelo pão e pelas verduras da dona Salete.

O apoio recebido também foi fundamental para a expansão. A prefeitura auxiliou com espaço no parque industrial, onde está em construção a agroindústria que permitirá embalar e distribuir os ovos para outros municípios. A COOAFAPI ajuda na comercialização para a merenda escolar, garantindo preço e estabilidade.
Atualmente, a Granja Brol possui o SIM (Serviço de Inspeção Municipal) e busca o SUSAF para vender para todo o Paraná, especialmente para atender outras merendas escolares. O trabalho é diário e intenso: os ovos são coletados três vezes ao dia para manter qualidade e evitar perdas.
Mesmo com a correria, Anderson não deixa de inovar. A granja investe em linhagens que produzem ovos coloridos — azulados, creme, brancos e vermelhos — muito procurados pelos mercados. “O ovo azul lembra o caipira antigo, tem mais valor. Os mercados já pediram produção inteira”, comemora.
As galinhas de descarte também entram nos planos. Depois de um ano e meio de produção, elas deixam de ser rentáveis e podem ser vendidas como carne, semelhante à caipira. A família avalia construir um pequeno frigorífico para aproveitar mais essa oportunidade.

E, como quem sonha grande não para, a Granja Brol já planeja um novo passo: o turismo rural. A propriedade, organizada com flores, lagoas, pomares e uma variedade de aves ornamentais — pavões, patos, marrecos e cisnes —, começa a ser preparada para receber visitantes, incluir atividades educativas e integrar rotas turísticas.
“Pinhão tem tudo de bom, é um povo acolhedor. Eu desejo que a cidade cresça e abra mais espaço para nós, produtores”, diz Anderson. As necessidades do interior, ele reforça, passam por estradas melhores, assistência técnica e mais cursos voltados para avicultura, área em que ele, hoje referência, precisou aprender praticamente sozinho.
A história da Granja Brol revela o que o Pinhão tem de mais forte: gente que acredita na terra, que enfrenta desafios com união e que transforma pequenas propriedades em grandes exemplos. Em seus 61 anos, Pinhão vê florescer novas raízes de futuro — como as que Anderson e sua família plantam todos os dias, entre vacas, flores, pavões e milhares de galinhas que deram origem a um sonho que só cresce.
Reportagem publicada originalmente na edição impressa comemorativa aos 61 anos de emancipação política do município de Pinhão – PR.
