Francisco Carlos Caldas

Era ainda criança na década de 1960 quando ouvimos pela primeira vez história de vendaval, furacão, ciclone, tornado ou coisa do gênero.  E foi dos estragos que ocorreu nas matas e pinheirais no Guarapuavinha e Entre Rios, onde contavam até do sumiço de um porco que estava engordando num chiqueiro, e que foi pelos ares.

O meu sobradinho onde tenho escritório já por duas vezes foi danificado por vendaval, um em maio/1997 e outra em 5/10/2005, do granizo, em que tivemos que trocar toda cobertura e colocar lona por baixo das telhas.

Minha casa também por duas vezes atingida pelos mesmos  fenômenos acima, e trocado telhado por zinco com isopor por baixo.

A sede da fazenda do meu sogro  Odilon Lustosa Mendes e da família da minha irmã que foi casada com Edison Mendes de Campos, e na localidade de Butiá, em 06/05/2017 foram destruídas por um tornado.

Os tornados do dia 7/11/2025, que destruiu  em torno de 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, também causaram destruições em outros locais: Guarapuava, Distrito de Entre Rios, proximidades do Cadeado, propriedade de criação de suínos de W. Leh, acessões do assentamento Nova Geração; no Candói, Restaurante e Posto Três Pinheiros da BR-277, Turvo (Cachoeira dos Turcos) e outros locais, e tudo isso nos deixa cada vez mais pensativo e preocupados com as cassetadas que a vida dá nas pessoas e que estamos todos sujeitos e vulneráveis  a essas ocorrências.

            Tem coisas que ocorrem porque ação humana deu causa direta ou indiretamente, como desastres de Mariana-MG, de 5/11/2015; de Brumadinho em 25/10/2019; construções e atividades próximas a rios, morros, e de espaços vulneráveis a enchentes e deslizamentos como os lamentáveis ocorridos no Rio Grande do Sul e outros locais; prédios, pontes, obras que caem por erros e economias indevidas em materiais, mas tem coisas que são consequências de fenômenos naturais; e como habitações e empreendimentos se têm em mais locais da terra, e o mundo virou uma aldeia global pelo desenvolvimento das comunicações, onde gente fica sabendo e rápido das coisas que acontecem aqui e acolá, e na realidade meio que normal esses acontecimentos, e que não só efeitos de desmatamentos, poluições, desrespeitos ao meio ambiente, ainda que essas coisas contribuam para ocorrências, na nossa desprezível idiossincrasia.

E como dizia o saudoso empresário e comunicador Silvio Santos, nós não levamos e não  somos dono de nada, aqui só somos administradores de coisas, daí, a importância das virtudes, de patrimônio conquistados serem usados para o bem, geração de trabalho e renda também para os outros, de se buscar GESTÃO e ainda mais nas vidas públicas em que dinheiro vem de sacrifícios do povo e impostos.

Nesse clima e psicológico abalado com essas ocorrências do dia  7/11/25, ainda lemos uma postagem de Sebastião Bello, sobre um tornado ocorrido em Palmas, no ano de 1959, e que atingiu a Fazenda Fortaleza e uma serraria, com muita destruição e mortos.

E depois disso tudo lembramos do dito por Francis Bacon, filósofo, escritor e político inglês que viveu nos anos de 1561-1626: “Não se vence a natureza, senão obedecendo-a”.  E tem as fatalidades de fenômenos da natureza, que são mistérios do porquê aqui e acolá, de quem atingidos ou salvos.

Abalado com o ocorrido e sensibilizado com a as ações  governamentais e solidárias do povo.

Para encerrar o registro de que o vento é o ar em movimento, e nos veio à mente a bela canção “O vento” dos Monarcas, e mais reflexões sobre isso tudo, e que da vida a gente só leva a vida que leva, e o essencial, o fundamental, é o sentido, o porquê da vida e o legado que fica, daí também a importância de conhecer e valorizar o  passado e a História.

            (Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).

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