ESPECIAL WINTERSHOW: Em 2016, destaque para a canola e para as hortaliças de inverno

Evento alcançou a marca de 5.300 visitantes, que puderam conferir de perto todas as novidades em trigo, cevada e aveia, além dos 78 expositores, das palestras com especialistas e convidados e exposição de máquinas agrícolas

por Andréa A. Alves | fotos: Rodrigo Disnei

O WinterShow é um evento realizado desde 2004 pela Cooperativa Agrária e pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), que aborda a tecnologia de toda a cadeia produtiva dos cereais de inverno, da pesquisa à agroindustrialização. Nos campos da Fapa, na Colônia Vitória, em Entre Rios, Guarapuava, todo ano trazem novidades em trigo, cevada, aveia e canola, além de palestra de especialistas e convidados e exposição de máquinas agrícolas, uma programação voltada a destacar a inovação e as tendências do setor.

Em 2016, nos dias 18, 19 e 20 de outubro, o WinterShow, na sua 13º edição, demonstrou novamente os motivos pelos quais é considerado o maior evento relativo a cereais de inverno do país. Além de ter contado com 78 expositores, apresentou nove áreas de pesquisa aplicada, seis palestrantes convidados, dinâmica de máquinas, novidades em relação à horticultura e a realização do Canola Day.

O evento gratuito e aberto ao público em geral, contou com o patrocínio de Caixa Econômica Federal, Oro Agri, Nufarm, Dow Agrosciences, Banco do Brasil e Sindicato Rural de Guarapuava.

Presidente da Agrária, Jorge Karl
Presidente da Agrária, Jorge Karl

 

“O evento se torna cada vez mais referência aqui no Paraná e, também, no Brasil. Existem vários eventos similares no país, mas todos eles de culturas de verão e o nosso são as culturas de inverno. O nosso foco principal é um evento técnico que atraia muito mais nossos cooperados, técnicos, produtores da região, pesquisadores, pessoas do comércio, do agronegócio, estudantes. De ano a ano a gente percebe um aumento de público e percebe, também, um aumento de interesse em diversas áreas”, destaca o presidente da Agrária, Jorge Karl.

Esta edição contou com 5.300 visitantes. Foi a segunda melhor marca em termos de público, desde o início do formato atual do WinterShow. O primeiro dia de evento, na terça-feira, dia 18, além de produtores rurais, estudantes, pesquisadores e agrônomos, os professores de toda a região marcaram presença para ouvirem o filósofo Mario Sérgio Cortella, que abriu o ciclo de palestras com a apresentação intitulada “A emergência de múltiplos paradigmas: novos tempos, novas atitudes”.

Mario Sérgio Cortella
Mario Sérgio Cortella

Às 10h30, os visitantes lotaram o auditório principal para prestigiar o autor de inúmeros livros, que é conhecido no meio acadêmico como amigo da psicopedagogia. Entre os vários assuntos abordados, ele lembrou da força da união, do cooperativismo. “E junto dos bons que você fica melhor. É o princípio da ideia de uma cooperativa, não adianta ser bom sozinho, para ficar melhor tem que se juntar com outros bons”.

Cortella explicou para sua plateia a diferença entre medo e pânico e, afirmou, que coragem sem competência de nada adianta. “Se tiver coragem de enfrentar, de buscar, tem que ter coragem acima de qualquer coisa. Só não confunda medo com pânico, que é a incapacidade de ação. E medo é o estado de alerta. Mas, coragem sem competência de nada adianta. O líder na hora da encrenca toma posição. A competência é o combustível da coragem”.

Lembrou, também, do momento conturbado que o Brasil se encontra. Disse que o país está em um estado febril. “Mas a gente sabe que não há cura sem febre. Tem alteração na política, na economia, mas nós continuamos trabalhando. Vamos indo buscar e não desistimos. Nosso país passa por um momento que é difícil, mas não invencível, não é insuperável. Como dizia a tua avó e a minha: ‘não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe’. Nós já tivemos crises econômicas muito mais fortes, mas nunca tivemos as duas crises juntas, política e econômica. Enquanto tudo acontece nós continuamos trabalhando, estudando, produzindo, ensinando, assistindo tevê”.

Mario Sérgio Cortella
Mario Sérgio Cortella

O filósofo falou dos muitos modos diferentes de fazer, olhar e pensar as coisas, afirmando, que se vive hoje a emergência de múltiplos paradigmas. “Paradigma é uma palavra que vem do grego antigo que significa ao lado e, digna, significa apontar. Por isso um paradigma é quando eu mostro ao lado um modelo, um jeito de fazer”.

ABERTURA
O WinterShow 2016 foi aberto oficialmente no início da manhã, com participação do secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, do prefeito de Guarapuava, Cesar Silvestri Filho, entre outras autoridades. O diretor financeiro da Agrária, Arnaldo Stock, agradeceu os cumprimentos dos convidados, e deu como aberto o evento.

O prefeito concedeu entrevista ao FATOS DO IGUAÇU e falou do investimento em pesquisa. Disse que a Fapa se volta à vocação da região. “Nossa vocação, realmente, nos diferencia de outros municípios e de outras regiões. As culturas de inverno também nos diferenciam, principalmente, pela alta produtividade e, justamente, por esse trabalho de longo prazo que vem sendo feito há muitos anos. O investimento em pesquisa em culturas que são próprias para nossa região incentivam esse tipo de evento e fazem com que se agregue mais valor ao nosso solo, valorizando o nosso potencial”, frisou Cesar Silvestri Filho.

Prefeito Cesar Silvestri Filho
Prefeito Cesar Silvestri Filho

 

QUEM VAI E QUEM FICA?

Na terça-feira, às 15 horas, mais uma palestra marcou o primeiro dia da feira. José Luiz Tejon, da TCA International, falou sobre: “Quem vai e quem fica, os desafios dos produtores rurais”. O pesquisador internacional abordou temas como: sucesso profissional, superação e motivação e o futuro do agronegócio. Afirmando, que a tecnologia provoca disrupturas diárias, conhecimentos inovadores e que o futuro do agronegócio será a capacidade do produtor de aprender a aprender.

VIRNA E WORKSHOP

No segundo dia de WinterShow, três palestrantes convidados. Um deles foi o engenheiro agrônomo e administrador André Debastiani, sócio-analista da empresa Agroconsult, que falou sobre perspectivas de mercado. À tarde, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Florestas, Gustavo Ribas Curcio, palestrou acerca da sustentabilidade relacionada à conservação da água e do solo.

Em seguida, a programação contou com a presença ilustre da atleta da Seleção Brasileira de Voleibol, Virna Dias. A medalhista de bronze nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e de Sydney, 2000, destacou a capacidade de superação necessária para se alcançar objetivos, e a importância do apoio de lideranças nesse processo.

A programação contou, ainda, com um workshop sobre qualidade na produção de farinhas, destinado aos clientes da Agrária Farinhas.

Para finalizar o dia, uma Dinâmica de Máquinas. Os visitantes puderam conferir de perto as principais novidades que incrementar a atividade agrícola.

AGROMETEOROLOGIA

A manhã do terceiro e último dia de WinterShow contou com a presença do estudioso de agrometeorologia e climatologia, o agrônomo da assistência técnica da Agrária, Rodrigo Ferreira. Ele apresentou as previsões sobre as condições de clima nos próximos meses, afirmando, que as perspectivas são favoráveis à safra de verão.

PALESTRAS SIMULTÂNEAS

Conforme previsto para os três dias, as palestras simultâneas dos pesquisadores da Fapa atraíram novamente a atenção de cooperados, estudantes, profissionais e produtores de toda a região. Foram duas rodadas, uma pela manhã e outra à tarde, realizadas a respeito de nove áreas de pesquisas agrícolas aplicáveis.

Uma delas foi o “Manejo de pragas em cereais de inverno visando produtividade e rentabilidade”, pelo pesquisador Alfred Stoetzer. Ele mostrou que o controle biológico é muito importante, porque ajuda a não precisar aplicar inseticidas. “Tem vários insetos que o fazem. Quatro espécies que fazem controle e, claro, uma delas predomina”.

Pesquisador Alfred Stoetzer
Pesquisador Alfred Stoetzer

 

As demais palestras simultâneas foram: “Culturas de inverno em sistemas de rotação”, por Juliano de Almeida; “Aveias brancas para produção de grãos e forragem”, por Marcelo Teixeira Pacheco (UFRGS) e Juliano de Almeida; “Difusão de tecnologia para expansão do cultivo de canola”, por Gilberto Omar Tomm e Ernani Peres Ferreira (Embrapa Trigo) e Juliano de Almeida; “Novidades sobre adubação nitrogenada”, por Sandra Maria Vieira Fontoura; “Manejo de plantas daninhas em cereais de inverno”, por Vitor Spader; “Conservação de solo: rumos para a excelência”, por Paulo José Alba; “Impacto de doenças foliares no manejo de microtoxina em cereais de inverno”, por Heraldo Rosa Feksa; e, o “Manejo de cultivares de cevada”, por Noemir Antoniazzi e Eduardo Pagliosa. Essa última recebeu atenção especial do FATOS DO IGUAÇU.

plantacao

CEVADA PODE BATER NOVO RECORDE

Dentre as pesquisas e resultados apresentados no WinterShow 2016 estava o “Manejo de cultivares de cevada”. O pesquisador Noemir Antoniazzi concedeu entrevista exclusiva ao FATO DO IGUAÇU. Ele afirmou que a cevada para a Cooperativa Agrária é a cultura mais estratégica em função da industrialização. Disse, que hoje, a maltaria é a indústria mais importante por duas razões: primeiro, pela demanda e, segundo, pela rentabilidade.

Pesquisador da Fapa, Noemir Antoniazzi
Pesquisador da Fapa, Noemir Antoniazzi

 

Segundo o pesquisador, os cooperados não conseguiram atender sozinhos a essa demanda. Então, a Agrária teve que buscar outros produtores fora da cooperativa para atender a necessidade. “Já fomos para Ponta Grossa e outras regiões do Estado do Paraná, como Clevelândia, Mangueirinha, e, até, para Santa Catarina. São regiões aptas e identificadas por nós com uma boa condição climática e, também, de solo para produzir cevada com qualidade”.

Explicou que a cevada se presta para uma boa produção de malte ou é considerada como forrageira e não cervejeira. Assim, o valor dessa cevada que não serve para o malte tem um deságio muito grande. “Nós temos duas linhas de pesquisa, uma delas é o desenvolvimento de novas variedades adaptadas à nossa região e à nossa condição, atendendo o produtor no campo e, ao mesmo tempo, buscando as necessidades da indústria para produção de cerveja. E esse é um dos pilares da nossa pesquisa. A outra linha é o manejo e o cultivo dessa cevada”.

De acordo com Noemir Antoniazzi, para cada variedade nova que a Agrária desenvolve é entregue ao cooperado uma indicação técnica de cultivo para ser utilizada no campo para poder atingir a qualidade exigida na indústria.  “De nada vale o produtor ter seis toneladas por hectare de uma cevada que não se presta para a indústria de malteação. E, também, não adianta ter uma boa qualidade com baixa produtividade. Então, é preciso ter boa produtividade e qualidade. Nesse contexto trabalhamos buscando variedades adaptadas e isso é muito demorado. Para se ter uma ideia aqui trabalhamos com 10 mil parcelas e em cada mil parcelas conseguimos uma variedade. Hoje o maior desafio no contexto geral de uma nova variedade é com relação a doenças fungicas. Mas, outra agravante, maior ainda, é o tempo de desenvolvimento de uma nova variedade. Desde a concepção, o desenvolvimento, até a chegada na maltaria são de 12 a 15 anos. Isso nos traz uma grande dificuldade”.

Depois de todos os anos de pesquisa, quem dá ‘a última palavra’ é a indústria. Ela vai dizer se a Agrária pode multiplicar aquela semente e sair plantando. “Precisamos desta validação para poder validar esta nova variedade. Nós andamos contra o tempo. É claro, que a cada novo ano temos novas candidatas, porque é um processo contínuo. Então, como temos aqui 10 mil parcelas, em tese, temos a possibilidade de ter 10 novas variedades em andamento, uma este ano, outra o ano que vem, e, assim por diante. O que demora é a primeira com 15 anos, mas depois a cada ano temos uma”, afirma o pesquisador.

A Agrária possui hoje em torno de 330 a 350 grupos familiares e todos eles produzem cevada. Noemir Antoniazzi conta que houve uma diminuição de área plantada em 2016 por conta das frustrações de 2014 e 2015. Mas, o ano chega com ótimas notícias. Devido as condições que se encontram as lavouras no campo, pode ocorrer uma safra histórica, um recorde de produtividade. “Nosso recorde de hoje é de 2013, onde a média dos cooperados ficou em 4.808 quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 2.500. Eu acredito que se as condições de clima não forem tão severas neste momento para frente, que é tão crucial nesta fase final de enchimento de grãos e colheita, nós devemos superar esse número de 2013 e ficar muito próximo de 5 mil toneladas por hectare em média. A colheita deve iniciar agora no começo de novembro e deve durar de duas a três semanas dependendo das condições climáticas”.

O presidente da Agrária, Jorge Karl, afirma que o potencial produtivo instalado no campo está muito bom, mas como é uma atividade desenvolvida a céu aberto, para falar em recorde de safra, ainda dependem do clima até a colheita. “E como agora estamos em uma fase de transição, do inverno para a primavera, do clima frio para o clima quente, e temos aí chuvas fortes, ventos e granizos, que podem impactar a produção. Então, ainda está muito cedo para falar em resultado de safra, mas, é claro, que nós torcemos, porque o potencial produtivo instalado no campo é muito alto”.

Produtor de cevada, Arnaldo Stock
Produtor de cevada, Arnaldo Stock

 

Quem confirma é o produtor Arnaldo Stock, que planta cevada há 31 anos. Segundo ele, a expectativa é de recorde. “Cada ano é um ano diferente, como diz o pesquisador de cevada, que também tem 30 e poucos anos, todo ano é uma safra diferente da outra. Cada ano é uma emoção. É uma cultura importante para a região, até porque, a gente gosta de cerveja e sem cevada não tem cerveja. Então a gente tem vários motivos para plantar a cevada. Este ano promete superar o recorde de 2013. Estamos a duas a três semanas da colheita, mas não existe nada garantido. Eu brinco que é um cassino. Como a gente viu hoje aqui no nosso evento uma ventania muito grande e tivemos em algumas regiões granizo muito forte. Então, não tem nada pronto para o produtor, um granizo forte pode gerar perdas de 100%, mas a gente torce que isso não aconteça, apesar de já ter ocorrido em algumas regiões. Torcemos que pare a chuva, porque muita chuva dificulta o controle de doenças. Apesar disso, a expectativa é muito grande para esse ano”.

PEQUENO PRODUTOR EM UM GRANDE EMPRESÁRIO

Em 2016, o WinterShow montou um estande voltado exclusivamente à horticultura, que é uma atividade agroeconômica realizada por micro, pequena, média e grande propriedade, localizada tanto no interior, quanto nas proximidades dos grandes centros urbanos.

No estande de horticultura

 

As hortaliças em sistemas de produção em campo aberto exigem investimento inicial superior, mas geram mais lucro a cada hectare cultivado, quando comparadas a outras culturas, como os grãos. Por isso, apesar das variações cíclicas e sazonais das hortaliças, os negócios no setor vêm sendo bastante atrativos.

Essa variação acontece porque os lucros obtidos dependem do valor agregado do produto e da conjuntura de mercado. Além disso, a maior rentabilidade da cultura é condicionada ao alto nível tecnológico, incluindo cultivares/híbridos mais produtivos e manejo adequado da cultura.

O presidente da Agrária, Jorge Karl, afirma que um grupo de produtores da Cooperativa está se interessando cada mais por hortaliças. “Temos, por exemplo, a cebola que atravessa o período de inverno no campo, então, resolvemos trazer para o evento para mostrar justamente o manejo dessas culturas e para despertar o interesse de mais produtores, enfim, divulgar a tecnologia e fazer com que aumente o número de interessados que vem visitar o WinterShow”.

Engenheiro agrônomo Rafael Mendes
Engenheiro agrônomo Rafael Mendes

 

O engenheiro agrônomo da assistência técnica, Rafael Mendes, orientou os visitantes sobre o cultivo de hortaliças de inverno. Segundo ele, a hortaliça na Agrária chegou para fomentar a pequena propriedade. “Dividindo a área de pai para filho, de avô para pai, às vezes a propriedade fica em uma dimensão que não se consegue ter viabilidade de manutenção da família. E o que tem que fazer é ir para novos setores. A hortaliça chega para manter esse pessoal no interior, na sua propriedade agrícola”.

Por mais que seja pequena, mas com uma viabilidade financeira de manutenção, com a hortaliça é tudo dez vezes mais comparada com os cereais. “A hortaliça chega como um gap de mercado, com certo vislumbre pelo produtor, porque ela é muito rentável. É 10 vezes mais rentável que a soja, por exemplo, que o custo do hectare hoje seria de 3 a 4 mil e o de batata, por exemplo, é de 40 mil, mas, também, o lucro é de 2 mil de soja e 20 ou 30 mil de batata, dependendo do ano”.

Rafael Mendes explica que o risco é grande, mas fazendo o seguro agrícola o produtor não perde o seu investimento. “Embora o risco da hortaliça seja muito grande, como hoje a gente está numa época de transição do El Niño para a La Niña, bastante chuvas de granizo, são fatores que comprometem. Mas, fazendo da forma certa, com seguro agrícola, consegue ter mais segurança”.

O agrônomo destaca, que visando a saúde, o consumo de hortaliças vem crescendo a cada ano. “O bem-estar e a nutrição estão muito mais forte hoje, todo mundo come salada, não é mais só o arroz e o feijão. Na Agrária estamos fomentando batata, tomate rasteiro, mandioquinha salsa, alguma coisa de repolho e a cebola. O carro-chefe é a batata, que temos hoje na Agrária em torno de 600 hectares”.

Estudante e produtor, Deonir Moss Neto
Estudante e produtor, Deonir Moss Neto

 

O estudante do terceiro período de Agronomia na Faculdade Campo Real, Deonir Moss Neto, disse que participou dos três dias do WinterShow. Assistiu palestras, visitou os estandes e achou tudo muito interessante nessa edição, afirmou, que pode conferir os produtos novos que estão chegando no mercado.

O jovem contou que planta na propriedade da família, além do feijão, cebola e batata, que é o carro-chefe. “Agora a Agrária entrou com um projeto de hortifruti e temos engenheiro agrônomo que nos dá assistência lá no campo. O investimento é muito grande, é muito arriscado, mas vale a pena. É uma cultura muito interessante de cultivar e estudar ela. O carro-chefe é a batata, uma cultura que mais exige investimento, mas se der tudo certo o lucro é garantido. É uma das culturas que mais pode trazer o dinheiro”.

O coordenador da Fapa, Leandro Bren
O coordenador da Fapa, Leandro Bren

 

O coordenador da Fapa, Leandro Bren, afirma que a hortaliça é uma excelente opção para a pequena propriedade. Destaca, que não é necessário ter grandes áreas para produzir e, sim, muito cuidado e muita técnica para que tenha uma alta produtividade e produtos de qualidade. “Principalmente quando se fala da região de Guarapuava e isto vem acontecendo em quase todo o Brasil, o custo para comprar um hectare de terra é muito elevado e é preciso anos e anos de trabalho para conseguir pagar um hectare de terra. A hortaliça chega como um grupo de culturas que favorece o pequeno produtor, que vai poder ter na mesma área alta lucratividade com uma possibilidade de ter mais fontes de receita. Tem aí um dizer: ‘que a cultura da hortaliça transforma o pequeno produtor em um grande empresário’”.

CANOLA DAY

Além do destaque especial para as hortaliças de inverno, no WinterShow 2016 teve uma programação dedicada à quarta cultura de inverno, a canola. O Canola Day foi um evento de âmbito nacional promovido pela Fapa, pela Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) e Embrapa Trigo. Mostrou as opções de sementes – incluindo novas cultivares – e de defensivos voltados à essa cultura. Nos campos demonstrativos, os visitantes tiveram aulas sobre épocas de plantio, de aplicação e dos híbridos utilizados.

canola

Com o passar dos anos, ficou provado que o plantio de canola oferece vantagens agronômicas e financeiras. Cotada pelo mesmo valor da soja no mercado, a oleaginosa é a principal fonte de matéria-prima para o biodiesel na Europa. Além disso, o óleo de canola é um dos melhores e mais saudáveis para a alimentação humana por diminuir os riscos de problemas cardíacos e ajudar a reduzir o colesterol.

O presidente da Agrária, Jorge Karl, afirma que com o passar dos anos a canola começou a chamar atenção dos cooperados. “Este ano decidimos dedicar um espaço específico para ela, o Canola Day. Mas, o foco principal do WinterShow continua sendo cevada, trigo e aveia, a canola é apenas uma opção de inverno. Estamos ainda no início, não temos ainda uma recomendação segura, precisamos ainda de anos de pesquisa para termos resultados econômicos mais consistentes”.

Mas, o pesquisador Juliano Almeida, mostrou no evento um ensaio de rotação de culturas, em que se insere a canola numa proporção de 25, 33, 50 e, até, 100%, que não prejudicou os rendimentos da soja. “Então este mito que existia, que canola pode prejudicar a produtividade da soja, com o nosso experimento provamos que isso não é verdade”.

Pesquisador da Fapa, Juliano Almeida
Pesquisador da Fapa, Juliano Almeida

 

Dentre as palestras simultâneas no Canola Day, Gilberto Omar Tomm e Paulo Ernani Peres Ferreira, da Embrapa Trigo, e Juliano de Almeida, da Fapa, falaram sobre a ‘Difusão de tecnologia para expansão do cultivo de canola’. Mostraram, que sob o ponto de vista agronômico, a canola como opção de safrinha ou safra de inverno tem mostrado benefícios diretos e indiretos para as culturas subsequentes. Por ser uma planta das famílias das brassicaceae — como o repolho e a mostarda —, plantada em sucessão ajuda a diminuir a pressão de doenças em gramíneas, como o milho plantado na safra de verão ou o trigo na safra de inverno do ano seguinte.

Pesquisador da Embrapa, Paulo Ernani Peres Ferreira
Pesquisador da Embrapa, Paulo Ernani Peres Ferreira

 

Em função de algumas diferenças na tecnologia de produção da canola, que requer uma regulagem diferenciada das semeadeiras para o plantio e para a colheita é necessário treinamento para identificar o momento correto. Por motivos como esses e, também, pelo fato de a canola apresentar resultado melhores em solos de boa fertilidade e com boa adubação, seu cultivo é feito pelos produtores mais tecnificados, ou seja, os que mais seguem as recomendações agronômicas, independentemente do tamanho da propriedade.

“A canola, ao contrário do que se preconizava no começo, não é um cultivo de baixa tecnologia, ela é bastante exigente. É um cultivo que precisa ser bem adubado, então, não é para qualquer agricultor. É para um agricultor que tem assistência técnica, é preciso o agrônomo lá no campo cuidando toda semana. Não é um cultivo que você planta e deixa e vai embora, tem que estar em cima cuidando”, observa Juliano Almeida.

Com a canola não existe mais ociosidade. Segundo o pesquisador, ao entrar após a cultura de verão, tem permitido o aproveitamento de toda a infraestrutura já existente e que muitas vezes fica ociosa, como a terra, máquinas, pessoas, estrutura de armazenamento, recebimento de grãos e transporte.

“O pessoal ainda é muito cético. É muito desconfiado com esse novo cultivo e esse é um dos nossos objetivos. O Canola Day quer quebrar esses mitos e mostrar que a canola é uma boa opção para se plantar no inverno. Mostrando que existe a possibilidade de ter uma renda no inverno. A pesquisa assegura que a canola não vai prejudicar a produtividade da soja. Então, concluímos, que com esses resultados o número de produtores venha aumentar”, destaca Juliano Almeida.

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O produtor não precisa se preocupar, pois há o apoio governamental ao cultivo. Através do zoneamento agrícola, os interessados têm acesso ao seguro agrícola, com isso, diminui ou praticamente elimina os riscos de prejuízo com a lavoura.

De acordo com os pesquisadores, além de todos esses benefícios, ainda tem mais, as vantagens ambientais. Em função da introdução de materiais resistentes às principais doenças, não se tem feito aplicação de fungicidas. Afirmam, que empregam muito pouco na cultura e há lavouras em que efetivamente não se usa qualquer tipo de defensivo. Com isso, abaixa o custo de produção, reduz os riscos para o produtor e o impacto ambiental é muito pequeno.

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VENDAVAL

E falando em plantação, o grande maestro é o clima. E ele marcou presença no WinterShow 2016. Momentos antes do término da programação do Canola Day, fortes ventos destruíram parte da estrutura.

Por volta das 15 horas, estávamos entrevistando o pesquisador da Embrapa, Paulo Ernani Peres Ferreira, quando, por fração de segundos, o céu começou a ficar muito escuro. Coisas voando e pessoas correndo. Vimos a haste de uma tenda sendo arrancada pela força do vento e, quando olhamos para o lado, o auditório principal caiu. E no mesmo instante ouvimos: “corram, corram!”.

Todos os presentes no evento, assustados, molhados, sem saber o que fazer, seguiram para o pavilhão de entrada. A equipe da segurança logo isolou o local dos estandes para garantir a integridade física dos visitantes, organizadores e expositores, devido à chuva e os raios.

O restante da programação prevista foi cancelada. Entre as atrações canceladas estavam a palestra do engenheiro agrônomo Luis Prochnow, do IPNI Brasil, e a segunda rodada da Dinâmica de Máquinas.

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