Francisco Carlos Caldas

O terreno onde tenho  residência, escritório e Cantinho da Cidadania, tem origem em aquisição feita em 1945 (80 anos atrás) pela minha  Vó materna Querubina Rocha Dellê, e que com o seu falecimento em 1961, minha mãe recebeu em 1964 herança de área de 38.386,36 m²  e desde então com impostos rigorosamente em dia com o Município de Pinhão.

Essa área (matrícula 1.597) em 1999 foi objeto do Loteamento “Recanto das Árvores”, com destinação de 35% para ruas e outros espaços do Poder Público, como é de lei, e daí surgiu o Fórum da Comarca de Pinhão nesse local e várias construções no Bairro São José e Mazurechen.

Em função desse contexto, reconhecimento, apego a espaços, gratidão aos feitos por Francisco Alexandre  Dellê e sua esposa Querubina, que tiveram 11 filhos (3 mulheres, uma das quais e a primogênita minha mãe nascida em 10/03/16 e 8 homens); quando de corte de lotes do Loteamento, fizemos um projeto de que sucessores  de Georgina Dellê Caldas, que ficassem na quadra formada pelas ruas XV de Dezembro, Rui Barbosa, Jacir Dellê e Avinda Hipólito Ayres de Arruda, não vendessem lotes. Espaço ficasse para Família Dellê Caldas, daí a existência de 11 lotes, cada com a sua matrícula, mas numa espécie de condomínio fechado.

Outro legado que se objetivou com esse projeto: se preservar patrimônio; muito cuidado com vendas de terras sem  contrapartida de algum empreendimento, investimentos rentável,  e se evitar descapitalização e descendentes virarem sem-terra.

A ideia foi também não prejudicar o desenvolvimento da cidade, mas se preservar laços, gratidão, luta, legado de quem  na prática foram os fundadores da cidade de Pinhão, um dos pioneiros do comércio depois de Job Fernandes de Azevedo, que o diga, que quem doou terras para a formação do Patrimônio Municipal de Pinhão, a sede da antiga Vila Nova, foi Francisco Dellê  esposa Querubina na década de 1940, que de aquisições diversas chegaram a ter mais de 27 alqueires onde hoje e desde 1964 é  perímetro da  cidade de Pinhão, e diante desse contexto, meio que sem sentido pragmático, descendentes dos mesmos terem que estar comprando lotes na cidade, para moradia ou alguma atividade de empreendedorismo.

Há quem ache esses princípios filosóficos, esse apego a história e legados de ancestrais, bobagem, conservadorismo, prevenções, cautelas excessivas, mas continuamos tendo o entendimento de que planejamos o correto, o justo, e o feito está em sintonia com as nossas pregações e ações políticas em cima de  documentação regular de imóveis, que cada família tenha o seu terreninho e casa para morar, ainda que simples e até pequeno, e não na forma de cortiços, condomínios de fato e de direito, que são desde os tempos da Roma Antiga, sementeira de discórdias.

Em se preservando laços de família, o quarteirão acima, pode ficar ainda por muitas décadas como se fosse uma espécie de condomínio, mas, se no caminho e sucessões ocorrem  discórdias, desconsiderações ao combinado, cada um toca a sua vida e faz o que bem entender com o que recebeu.

Querubina Rocha Dellê, foi a única avó que conheci e convivi um pouquinho, pois quando ela faleceu eu tinha 6 anos, e lembro dela toda carinhosa  trazendo bolachas industrializadas e de lata para a gente; e depois conhecendo a sua história de vida, cheguei à conclusão que foi uma mulher maravilhosa, extraordinária, pois, além de um grande legado de vários aspectos, criou 11 filhos nascidos com assistência da parteira  Coralina de Oliveira (chamada de Dona e madrinha Corá), acolheu muitos netos, e nas proporções e peculiaridades do tempo e espaço, foi uma espécie de Irmã Dulce, Madre Tereza da Terra dos Pinheirais/Araucárias, pois, Mila, Sinhana Correntina e outros sofridos de pobreza recebiam ajudas, solidariedade da mesma, numa linha parecida com o praticado pelos também saudosos: Felicidade Dellê e Alcebiades Ferreira Gonçalves (Tio Bide), e outros pinhãoenses importantes na história de Pinhão, de indeléveis legados e dignos de serem lembrados e homenageados.

Desa forma encerramos o ano de 2025 com a crônica de nº. 826, e realista esperançoso na linha e legado do saudoso Ariano Suassuna, com  expectativa de um 2026 melhor, de mais: bons momentos, saúde,  justiça e  paz.

            (Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).

 

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