A nossa Vereança de 1989-1992, foi de muito trabalho, e até porque com a Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, houve uma ruptura nas vidas municipais, a começar por os Municípios cada um ter que fazer suas Leis Orgânicas, e nós tivemos o ônus e bônus de ser o Relator da Comissão de Sistematização da Lei Orgânica Municipal-LOM promulgada em 5/04/1990, e a nossa LOM foi uma das mais avançadas e progressistas do Estado do Paraná.
Os embates e peleias mais árduas que enfrentamos, foram relacionadas à uma Comissão Especial de Investigação-CEI, por causa de improbidades ocorridas com uso de combustível da Prefeitura na campanha eleitoral das eleições de 1988; e esquema que estava iniciado de empresa particular “forrar o pala” como se diz de ganhar e repartir dinheiro em cima de regularização de loteamentos irregulares, e de forma não republicana e improba.
Por batermos de frente com esses com esses lamentáveis ocorridos e interesses escusos que estavam interessados em achaques, por muito pouco não fomos assassinado em agosto/setembro de 1989, deixado casal de filhos órfãos e ido para o Cemitério da Caroba com 34 anos de idade, ou seja, ter tido um fim trágico político como teve o nosso amigo e correligionário Mario Evaldo Mórski, em 4/04/1984. E isso só não ocorreu porque colocamos a “boca no trombone” como se diz, e fizemos cartinhas para muitas e várias autoridades do Município e Comarca, entre os quais um dos maiores Promotores de Justiça que a Comarca de Pinhão já teve (Dr. José Salvari Dias Mâncio), dizendo que qualquer coisa que nos acontecesse, apresentamos o nome do provável assassino mandante. E dessa estratégia sobrevivemos, e só voltamos a ser atacado mas não mais com perigo de morte, em 1996 quando fomos alvos e recorde de feroz perseguição política a nós e ao nosso candidato, o líder Darci Brolini que com o seu Vice Osvaldo Lupepsa-Deco, venceram as eleições e nos fomos eleitos Vereador pela segunda vez praticamente sem fazer campanha eleitoral e com expressiva votação, 6,12% dos votos válidos.
Tivemos outros embates, peleias, perrengues na Vereança de 1989-1992, mas de coisas normais e corriqueiras da política, como com as distorções, invencionices, injustiças com a estreia de projeto de implantação de uniforme nas escolas municipais, de posicionamento pelo regime estatutário em que fomos acusado de diminuição de direitos trabalhistas do funcionalismo, e por termos sido o autor, de contribuição do FUNPREV de 8% no lugar de 4%, e em que hoje a contribuição já está em 14 % e a sobrevivência do Fundo só com essas contribuições, é preocupante e com potencial do Município ter que fazer complementos de recursos no futuro.
Ser Vereador de Verdade e das reais funções do cargo, em que a mais importante e árdua é fiscalização, e posicionamentos firmes, claros, de austeridade, cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficácia-LIMPE, eficácia e outros, é desgastante, há dificuldades de reeleição, e o agente é alvo de muitas distorções e incompreensões mas vale a pena e não nos arrependemos de nada que fizemos e mais ou menos como dizia Millôr Fernandes, escritor e humorista carioca que viveu nos anos de 1923-2012, se você agir com DIGNIDADE não vai resolver os problemas do mundo, mas de uma coisa tenha certeza haverá uma canalha a menos na Terra.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO)




