Passei a véspera de Natal em companhia de minha mulher, na residência de casal amigo, que gentilmente nos convidaram.
A consoada foi simples: o tradicional bacalhau com batatas, pencas e grelos. Tudo regado com generoso azeite trasmontano. Após a farta ceia, houve doces da época e, apetitosas e douradinhas rabanadas.
Realizada a troca habitual de lembranças – sempre ansiosamente esperada pelas crianças – aconchegamo-nos ao redor da cálida lareira.
As a achas, colocadas de fresco, estrelejavam e crepitavam; altas labaredas irradiavam tons doirados com tonalidades, que iam de vermelho a verde-pálido, lambendo os ressequidos toros de oliveira.
As crianças tagarelavam. em surdina, com bonecas que o ” generoso” Menino – Jesus lhes trouxera; e nós, os mais velhos, debatíamos acaloradamente “importantes” assuntos em voga.
Abordou-se, entre outros, os meios de comunicação, e a influencia que exercem na opinião; na escolha dos cidadãos. (Numerosos países proíbem sondagens políticas, durante a campanha eleitoral. Entre eles: a Espanha – cinco dias antes do dia de reflexão, e a Itália. duas semanas. Erradamente julgamos que pensamos; mas não pensamos: somos simples bonifrates. E nem nos lembramos, a influencia que exercem, na nossa mente, os meios de comunicação.
Estávamos a prosear animadamente, quando me apercebi de vozes infantis em murmúrio. Dois petizes, que frequentavam o quarto ano, engalfinharam-se:
– Salazar era mau!…
refutou o amigo, empertigado:
– Não era Salazar!… Era a polícia!…
– A “fessora” disse-nos que” fazia” guerra” nas colónias….
– Colónias?!: Não: Províncias Ultramarinos!…
Os ânimos acalmaram-se, derivando para temas apropriados para a idade. Temas que não deviam entrar na escola. Assuntos, que são apenas da família: pais e avós. Estarei em erro?
A sociedade mudou – sempre muda, – Apareceram, no nosso país: novas culturas, e novos modos de viver, que devem ser respeitados
Já o nosso Camões dizia:
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A globalização, a entrada de imigrantes, com diferentes culturas e crenças, deve ser respeitada; e igualmente rever: mentalidades, conceitos e preconceitos, se queremos concórdia e paz.
Contudo não devemos abdicar das nossas: tradições, costumes, crença e raízes, que herdamos dos nossos maiores, e devemos transmiti-las a futuras gerações.
Isso não é nacionalismo, é o desejo de continuarmos a ser portugueses.

