É bem mais fácil fazer um diagnóstico da vida do outro, tecer comentários maldosos, fazer um documentário sobre os erros dos outros e como que o outro deveria agir. É bem mais fácil ser aquele que levanta os problemas, do que ser aquele que se coloca como o primeiro para ser a solução, ou contribuir de alguma forma para que os problemas sejam sanados.

É tão real isso, que há péssimos e ausentes pais, que querem ensinar outros a serem pais, mas todo mundo percebe que o cara é um pai ausente, com filho mimado, que dá problema na escola, mas para o pai, o problema é a escola, e assim por diante. Esses são os cegos de si mesmos, conseguem enxergar a sujeirinha na vida do outro, mas não percebem a sujeirada na sua própria vida.

Veja na esfera política, o ladrão tenta dar lição de moral e os desavisados e cegos partidários aplaudem, sem perceber que é o crápula pagando de bom moço, que tem solução para todos os problemas do país, mas não reconhece seus próprios problemas. Seja longe ou seja perto, há sempre aquele que tem o melhor discurso, se posiciona em tudo, dá a opinião em tudo, mas quando você conversa com o cônjuge, se percebe claramente que é um péssimo cônjuge. Tem solução para tudo lá fora, quer mudar a cidade, o estado e o país, mas não dá a devida atenção aos de casa, quer cuidar da cidade, mas não cuida da sua própria casa, quer ser bem visto pelos de fora, mas é mal visto pelos de dentro.

Dentro disso ainda, há aqueles que se preocupam com os jovens e adolescentes, estão sempre dispostos a ajudar em alguma ação social, mas são péssimos exemplos para seus filhos, deixam a educação para as mães e se o filho dá problema, a culpa é da mãe, ou da escola; ajudam todo mundo, mas dentro de casa só querem ser servidos, se alguém pede ajuda, é uma afronta. Por isso, é muito mais fácil apontar o dedo. Parafraseando um texto da Bíblia, somos exortados para uma grande verdade “se alguém não cuida dos seus, especialmente os da sua própria família, é pior que a pior pessoa” (1 Timóteo 5.8).

Antes de apontar o dedo para os outros, aponte para você mesmo, para sua casa, suas atitudes. É muito importante e relevante que os problemas na sociedade, sejam levantados (deve acontecer), mas é mais importante ainda que os problemas internos não só sejam diagnosticados como tratados, assim haverá muito mais força, exemplo, dignidade para tratar dos problemas além casa.

Que Deus nos dê discernimento para lidarmos de forma sábia dos nossos problemas e sermos instrumentos de transformação na sociedade. Que aprendamos a reconhecer nossas falhas e trata-las, melhorando assim a cada dia, como cônjuge, pai ou mãe, como cidadão e tudo mais.

Rev Sandro – pastor da Igreja Presbiteriana de Pinhão


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