Temos constatado nos últimos tempos o agravamento de despreocupações de pessoas e principalmente de agentes políticos em relação ao custo-benefício de atos que praticam.
Quando estivemos Vereador na legislatura 2013-2016, com o propósito de diminuir, moralizar, e tornar mais eficaz e eficiente atos e ações relacionadas a cursos, viagens, diárias na Câmara Municipal, fizemos projeto que virou a Resolução 02/2013, de 10/04/13, em que nos §§ 2º. 3º. do art. 1º. foram inseridos ônus de relatório do custo-benefício e repasse a interessados ainda que sintético informações e conhecimentos recebidos.
Essas dispositivo foram excluídas em Resolução de outra legislatura.
As nossas preocupações cidadãs não são só em relação ao acima exposto, mas uma série de outros atos que são praticados em Pinhão.
Nos dias 15 e 16/09/25 houve um curso sobre Licitação promovido pela Prefeitura, com mais de 90 inscritos, 30 dos quais ligadas a Câmara (local do curso) que participou garupa do treinamento do pessoal do Executivo, sem diárias, despesas de inscrições, deslocamentos e na linha do custo-benefício, da contratação de R$76.834,50, da Inexigibilidade nº. 20/2025 de 5/8/25, que abrange não só o curso de 2 dias, mas também de outros treinamentos pelo prazo de 12 meses.
Em Guarapuava nos dias 12 e 13 teve o 17º. Festival da Terceira Idade, no Centro de Eventos da Cidade dos Lagos. Não tenho ideia do custo para o Município, mas o benefício penso ser grande. Mais de 1000 Idosos se apresentando, chiques, autoestima elevada.
Na vida particular, cada um faz o que bem entender com o seu patrimônio, rendas, finanças, endividamentos, mas não é demais se fazer alertas, educação financeira nas escolas, famílias, para tentar ajudar a diminuir explorações, frias, maus negócios, que muito ocorrem por falta de mecanismos de defesas, fraquezas e limitações humanas. Por exemplo este escriba de pequenos deslocamentos e da atividade advocatícia e rural, tem uma Pararti 1986, uma camionete F-1000 ano 1997, um Pálio 2014, uma moto Honda/NX150 BROS ES, ano 2008, um velho tratorzinho Valmet, uma bicicleta Caloi, que somando tudo não passa o valor de R$130 mil, e se no lugar adquirir veículos e utilitários melhores e mais caros, vai estar contra, em estado de incoerência, ineficácia e ineficiência ao aqui pregado.
Na vida pública municipal essa questão de despreocupações com gastos/dispêndios, análise do custo-benefício das coisas, está se agigantando e tomando dimensões delicadas e altamente preocupantes, que o diga por exemplos, os dispêndios com as Festas do Pinhão; com eventos, com ostentações, tapetes, cortinas, enfeites, comilanças, alugueis de palcos, toldos, enfeites como de Páscoas e Natais; generosidades com o erário; contratação do Pregão 88/2024 de R$6.999,666,66 de serviços de limpeza e tratativas de resíduos sólidos.
Não só de pão, de trabalho e atos da vida cotidiana vive o homem, mas é salutar, lazer, diversão, arte e atos construtivos do gênero, mas em tudo é fundamental, essencial se fazer as contas, análise do custo-benefício das coisas. E até porque na falta de tantas coisas essenciais, as vezes a prática de algumas contratações acabam se caracterizando como coisas supérfluas, não prioritárias, dispensáveis. E isso tudo sem radicalizar, as coisas como um dito utópico de Salvador Diaz Miron, citado pelo professor e escritor Gilberto Cotrim, num Livro de Educação Moral e Cívica-ECM, dos meus tempos de atuação no magistério na década de 1980, de que “Ninguém deveria ter direito ao supérfluo, enquanto alguém precisasse do estritamente necessário”. E que leva também a pertinência de reflexões sobre propósitos e ações de se diminuir o número de ricos (não eliminar) e de pobres para se aumentar o número de virtuosos. Silvio Santos, Antônio Ermírio de Moraes, Luciano Hang, Ratinho, Cristiano Ronaldo e muitos outros dessa linhagem, foram e são alguns exemplos de ricos, utilíssimos e respeitáveis em geração de empregos e outros benefícios para o País. Mas em regra, no médio, no equilíbrio, estão os melhores benefícios e as maiores virtudes. Extremos, polarização, excessos a lógica são custos elevados e prejuízos.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).



