Madalena Zanardini, coordenadora da Atenção Primária | Foto: reprodução transmissão ao vivo rede sociais

Por Naor Coelho – Portal Fatos do Iguaçu


Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Pinhão, realizada na noite desta segunda-feira (15), a coordenadora da Atenção Primária à Saúde, Madalena Zanardini, utilizou a Tribuna Livre para apresentar os programas desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Saúde e esclarecer dúvidas sobre a implantação do chamado “horário protegido” nas unidades de saúde do município. A apresentação também trouxe novidades importantes, como a implantação do contraceptivo subdérmico Implanon pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao iniciar sua fala, Madalena destacou que o objetivo da participação na tribuna foi levar informações aos vereadores e à população sobre ações já em andamento e novos projetos voltados à qualificação dos serviços de saúde. Segundo ela, o conhecimento dessas informações permite que os representantes públicos orientem corretamente os cidadãos sobre os serviços disponíveis.

Rede municipal conta com 28 unidades de saúde

A coordenadora apresentou um panorama da estrutura da Atenção Primária no município. Atualmente, Pinhão conta com 11 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) em funcionamento e uma em processo de homologação, localizada na Divinéia. Ao todo, são 28 unidades de saúde, incluindo unidades satélites vinculadas às equipes de referência.

De acordo com os dados apresentados, a rede municipal dispõe de 17 médicos, 16 enfermeiros, 12 técnicos de enfermagem e 68 agentes comunitários de saúde. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h às 17h, com exceção da unidade de Santa Maria, que possui horário estendido até as 22 horas.

Diversos programas são desenvolvidos na Atenção Primária

Durante a apresentação, Madalena destacou a diversidade de programas executados pela Atenção Primária, entre eles Leite das Crianças, Mãe Paranaense, Hiperdia, Saúde na Escola, Brasil Sorridente, Saúde Digital, visitas domiciliares, imunização, grupos de gestantes e o programa Nascer Bem Paraná. Também citou a atuação da equipe multiprofissional e-Multi, composta por psicólogo, nutricionista e assistente social.

A coordenadora enfatizou que a Atenção Primária é a principal porta de entrada do SUS e responsável pelo acompanhamento dos usuários ao longo de toda a vida, desde o pré-natal até a terceira idade. Segundo ela, grande parte dos problemas de saúde pode ser resolvida nas unidades básicas de saúde.

Orientação sobre uso correto da UPA e das UBS

Outro ponto abordado foi a utilização adequada dos serviços de urgência e emergência. Madalena explicou que casos como dor no peito, suspeita de infarto, AVC, sangramentos, traumas e dificuldade respiratória devem ser encaminhados à UPA. Já situações como renovação de receitas, acompanhamento de hipertensos e diabéticos, curativos, sintomas gripais e encaminhamentos devem ser resolvidas nas unidades básicas.

Ela ressaltou que nenhum paciente deixa de ser atendido na UPA, porém os casos mais graves têm prioridade, o que pode aumentar o tempo de espera para situações menos urgentes.

Horário protegido busca qualificar profissionais

Um dos principais temas da explanação foi o chamado “horário protegido”, previsto em portaria do Ministério da Saúde. A iniciativa garante períodos destinados à educação permanente dos profissionais da Atenção Primária. Em Pinhão, os servidores participam de um curso de aperfeiçoamento com carga horária total de 360 horas, iniciado em março de 2026 e com encerramento previsto para março de 2027.

Segundo Madalena, o horário protegido não representa folga ou redução da carga horária, mas sim momentos obrigatórios de capacitação realizados dentro das próprias unidades de saúde. O objetivo é melhorar a qualidade do atendimento prestado à população e adequar os serviços às novas exigências do Ministério da Saúde, que ampliou de sete para 21 os indicadores utilizados para repasse de recursos à Atenção Primária.

A coordenadora explicou ainda que as capacitações ocorrem em sistema de rodízio para evitar o fechamento simultâneo das unidades, garantindo a continuidade do atendimento à população.

Município inicia implantação do Implanon pelo SUS

Outro anúncio importante foi a implantação do contraceptivo subdérmico Implanon pelo SUS no município. O método tem duração de até três anos, alta eficácia contraceptiva e não exige uso diário. Profissionais da rede municipal participaram de capacitação promovida pela Secretaria de Estado da Saúde em Guarapuava para realizar o procedimento.

Madalena informou que o município elaborou um protocolo próprio, aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde, para regulamentar a oferta do método. O documento deverá ser transformado em lei municipal e encaminhado para apreciação da Câmara.

Inicialmente, o atendimento será priorizado para mulheres em situação de vulnerabilidade social, adolescentes a partir dos 14 anos com autorização dos responsáveis, vítimas de violência, usuárias de álcool e outras drogas, mulheres em situação de rua e aquelas com dificuldade de adesão a outros métodos contraceptivos. Entretanto, conforme a coordenadora, todas as mulheres poderão ter acesso ao método, respeitando a disponibilidade e os critérios estabelecidos.

A implantação e o acompanhamento serão realizados exclusivamente nas unidades básicas de saúde, mediante avaliação da equipe da própria unidade.

SUS é de todos, afirma coordenadora

Ao encerrar sua participação, Madalena ressaltou a importância do SUS na vida da população e defendeu a valorização dos profissionais da saúde.

“Todos nós utilizamos o SUS. Desde o momento em que abrimos uma torneira em casa, já estamos utilizando ações de vigilância em saúde”, afirmou.

Ela também anunciou que, na segunda semana de agosto, o município realizará nova capacitação envolvendo Implanon, DIU e procedimentos estruturados voltados ao planejamento reprodutivo.

Após a apresentação, Madalena respondeu questionamentos dos vereadores sobre possíveis efeitos colaterais do Implanon, explicando que sintomas como sangramentos irregulares, dores de cabeça e náuseas podem ocorrer nos primeiros meses, mas geralmente são controlados com acompanhamento e tratamento sintomático nas unidades de saúde.

Ouça a fala da Coordenadora:

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