“Quando leres a história de um grande criminoso, antes de condená-lo, agradece ao céu magnânimo por não estares em seu lugar; por não teres te envolvido nas mesmas circunstâncias ou não teres recebido os mesmos influxos.” (Lichttenbert, físico alemão que viveu nos anos de 1742-1799).
Uma tragédia ocorrido há mais de ano em Guarapuava, o autor de homicídio de um casal, de nome Rodrigo Neumann Pires, de 43 anos, caminhoneiro, foi julgado e condenado no dia 4/11/25, há 27 anos e 6 meses de prisão.
Dias atrás mais especificamente em 8/9/25, fizemos neste espaço uma reflexão intitulada “Os dois lados de acidentes – tragédias”, em que abordamos da importância da empatia, ou seja de se colocar no lugar dos outros e ver os dois lados das coisas.
O caso “Vermeio” do julgamento acima, é um daqueles adequados para reflexões nessa linhagem.
Até onde se tem conhecimento da tragédia, o Rodrigo “Vermeio” chegou numa loja de conveniência, alcoolizado e deve ter tido algum comportamento inadequado, e foi retirado de forma bruta do local, depois de levar um tapa na cara e talvez mais algumas outras agressões, xingamentos e humilhações.
Fazer essas coisas e principalmente tapa em rosto de pessoas, humilhações, xingamentos ainda que em cima de um bêbado é algo muito perigoso, e com potencial de gerar mágoa, ódio, desejo de vingança e a pessoa alvo dessas coisas perder a cabeça como se diz, e acabar fazendo vingança, se desgraçando e causando desgraças, como o caso do caminhoneiro acima. Matou 2 por vingança, e ficaram 4 crianças órfãs.
Nas Redes Sociais muito gente se posicionando do lado do Rodrigo “Vermeio”, e até com ataques ao Judiciário/Justiça, mas ele fez besteira, não poderia ter feito o que fez. Assim como também os vigilantes/seguranças, não poderiam ter feito o que fizeram. A gente tem pena deles todos, da sua mãe e outros familiares, dos órgãos, mas vingança é crime premeditado e qualificado, e além do que vejamos mais algumas coisas reflexivas sobre isso: “A maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo. Mate-o dentro de si. Os fracos matam o corpo dos seus inimigos, os fortes matam o significado deles dentro de si. Os que matam o corpo são assassinos, os que matam o que eles representam são sábios. (Livro “O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury, pág. 144).
“ Quem se vinga arruma uma dívida que vai ter que pagar em vida.”
“Antes de embarcar numa jornada de vingança, cave duas sepulturas.” (Confúcio).
“Não vingue-se, que da vingança vem o arrependimento.” (Confúcio).
“Nunca use a vingança, sente-se e espere….aqueles que fazem o mal acabam se destruindo sozinho.”
Outra coisa nos momentos de ira, raiva, violenta emoção ou coisas do gênero, não agir. Fazer contagem como o Zeca Diabo da obra “O Bem Amado” de Dias Gomes, e personagem de Lima Duarte, passou a fazer quando entrou para a fase de tentativa de conversão.
Caso “Vermeio”, mais uma tragédia de desgraça para os dois lados de famílias, e onde o binômio álcool e arma de fogo, foram fatores cruciais.
Não é salutar, é muito perigoso ser explosivo, temperamental, descontrolado. É melhor ou menos pior, ser mais lento, pensativo diante de agressões e adversidades. Na pior das hipóteses quando a raiva não vai embora, o adversário, inimigo já está longe, e daí muitas vezes o desejo de vingança murcha ou fica inviabilizado de fazer, por o agressor e ofensor já ter tomado o seu rumo.
Além do que a filosofia e legado do Marechal e sertanista Cândido Rondon, que viveu nos anos de 1865-1958 é muito importante: “Morrer se preciso for, matar nunca”, e da para conciliar isso com precauções, prevenções, mecanismos de defesa, antes do próprio exercício da legítima defesa do art. 25 do Código Penal.
(Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).




