Francisco Carlos Caldas

Quando leres a história de um grande criminoso, antes de condená-lo, agradece ao céu magnânimo por não estares em seu lugar; por não teres te envolvido nas mesmas circunstâncias ou não teres recebido os mesmos influxos.” (Lichttenbert, físico alemão que viveu nos anos de 1742-1799).

Uma tragédia ocorrido há mais de ano em Guarapuava, o autor de homicídio de um casal, de nome  Rodrigo Neumann Pires, de 43 anos, caminhoneiro, foi julgado e condenado no dia 4/11/25, há 27 anos e 6 meses de prisão.

Dias atrás mais especificamente em 8/9/25, fizemos neste espaço uma reflexão intitulada “Os dois lados de acidentes – tragédias”, em que abordamos da importância da empatia, ou seja de se colocar no lugar dos outros e ver os dois lados das coisas.

O caso “Vermeio” do julgamento acima, é um daqueles adequados para reflexões nessa linhagem.

Até onde se tem conhecimento da tragédia, o Rodrigo “Vermeio” chegou numa loja de conveniência, alcoolizado e deve ter tido algum comportamento inadequado, e foi retirado de forma bruta do local, depois de levar um tapa na cara e talvez mais algumas outras agressões, xingamentos e humilhações.

Fazer essas coisas e principalmente tapa em rosto de pessoas, humilhações, xingamentos ainda que em cima de um bêbado é algo muito perigoso, e com potencial de gerar mágoa, ódio, desejo de vingança e a pessoa alvo dessas coisas perder a cabeça como se diz, e acabar fazendo vingança, se desgraçando e causando desgraças, como o caso do caminhoneiro acima. Matou 2 por vingança, e ficaram 4 crianças órfãs.

Nas Redes Sociais muito gente se posicionando do lado do  Rodrigo “Vermeio”, e até com ataques ao Judiciário/Justiça, mas ele fez besteira, não poderia ter feito o que fez. Assim como também os vigilantes/seguranças, não poderiam ter feito o que fizeram. A gente tem pena deles todos, da sua mãe e outros familiares, dos órgãos, mas vingança é crime premeditado e qualificado, e além do que vejamos mais algumas coisas reflexivas sobre isso: “A maior vingança contra um inimigo é perdoá-lo. Mate-o dentro de si. Os fracos matam o corpo dos seus inimigos, os fortes matam o significado deles dentro de si. Os que matam o corpo são assassinos, os que matam o que eles representam são sábios. (Livro “O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury, pág. 144).

Quem se vinga arruma uma dívida que vai ter que pagar em vida.”

Antes de embarcar numa jornada de vingança, cave duas sepulturas.” (Confúcio).

Não vingue-se, que da vingança vem o arrependimento.” (Confúcio).

Nunca use a vingança, sente-se e espere….aqueles que fazem o mal acabam se destruindo sozinho.”

Outra coisa nos momentos de ira, raiva, violenta emoção ou coisas do gênero, não agir.  Fazer contagem como o Zeca Diabo  da obra “O Bem Amado” de Dias Gomes,  e personagem de Lima Duarte, passou a fazer quando entrou para a fase de tentativa de conversão.

Caso “Vermeio”, mais uma tragédia de desgraça para os dois lados de famílias, e onde o binômio álcool e arma de fogo, foram fatores cruciais.

Não é salutar, é muito perigoso ser explosivo, temperamental, descontrolado. É melhor ou menos pior, ser mais lento, pensativo diante de agressões e adversidades. Na pior das hipóteses quando a raiva não vai embora, o adversário, inimigo já está longe, e daí muitas vezes o desejo de vingança murcha ou fica inviabilizado de fazer, por o agressor e ofensor já ter tomado o seu rumo.

Além do que a filosofia e legado do Marechal e sertanista Cândido Rondon, que viveu nos anos de 1865-1958  é muito importante: “Morrer se preciso for, matar nunca”, e da para conciliar isso com precauções, prevenções, mecanismos de defesa, antes do próprio exercício da legítima defesa do art. 25 do Código Penal.

    (Francisco Carlos Caldas, advogado, municipalista e CIDADÃO).

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