Capa e Editorial da Edição nº: 886

A violência nossa de cada dia

O acontecimento na escola de Suzano, São Paulo, no dia 13, deixou todo o país perplexo, triste e se perguntando porquê. Essas situações que são de grande vulto, que envolve situações tão trágicas costumam chocar e dar assunto para a imprensa e para as pessoas  por um tempo. Inclusive nessa época se ouve de tudo e todos os tipos de absurdos de pessoas leigas e até de quem deveria ter muita responsabilidade sobre o que diz e faz em relação a tudo o que dirá em relação à violência.

Mas, a violência, infelizmente, está no dia-a-dia. E está tão inserida e tão banalizada no cotidiano das pessoas que só se torna assustadora ou chama a atenção em duas situações. Quando é uma situação vultosa, que atinge muitas pessoas como o caso de Suzano, quando a violência está misturada a questões políticas.

No cotidiano ela só chama a atenção de cada individuo quando essa atinge o umbigo de cada um, às vezes até quando o umbigo é de alguém com mais “poderzinho” ou “liderança”, ainda por um breve tempo vai se falar do assunto, às vezes até gera algum tipo de movimento, mas que são sempre de levantar poeira, nada que de fato gere mudanças sociais.

Porque todos os dias bem perto das pessoas têm crianças sendo estupradas, mulheres apanhando, menores sendo utilizados pelo crime e pelo tráfico, e a grande discussão nacional fica meramente na posse de armas, com se isso de fato combatesse a violência. Na reportagem dessa edição sobre a Comissão de Enfrentamento à Violência Infanto-juvenil, fica muito claro como a violência está inserida e corriqueira aqui nas cidades interioranas.

São violências que estão dentro de um contexto sociocultural econômico que deveriam preocupar todos os cidadãos de bem, até porque é essa violência diária que vai gerar essas tragédias como a de Suzano.

Enquanto a sociedade não compreender que o bem estar deve ser para todos e que a violência não é resultado do demônio, mas das desigualdades e indiferença social, que lutar contra a violência é ir muito alem de campanhas e caminhadas de protestos e legalizações de armas, muitas crianças serão estupradas, mulheres morrerão nas mãos de seus pseudo companheiros, crianças e jovens serão manipulados pelos interesses do tráfico e da bandidagem e de vez em quando as pessoas se unirão para rezar em prol das vítimas das tragédias, mas isso possibilitará acalmar a consciência cristã de cada um.

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