Capa e Editorial da Edição nº: 774

Suicídio

Palavra forte, que provoca uma sensação estranha de medo, angústia, perda, de fragilidade e impotência. Para quem ama a vida e aqueles que o cercam, considera essa ação imaginável. È uma ação tão extrema, tão sem razão de ser que o ser humano tão acostumado a criticar e julgar tudo não consegue nem mesmo fazer isso, julgar o ato, o que dirá criticá-lo.  E quando falamos em suicídio, pensamos em atos extremados, uma bala que atravessa o cérebro, uma facada no coração, um enforcamento. Ato extremo e rápido. Que tira quem se ama de perto num segundo. Mas, na realidade, muitas vezes e num número bem grande, tem gente cometendo o suicídio lentamente. Sim, quando se trabalha demais, procurando ter e ter, com a desculpa de cuidar da família, comete-se o suicídio emocional, já que se afasta da família e aí os entes queridos vão perdendo as pessoas aos poucos. Mas essa perda ainda dá para recuperar, dá muito trabalho, mas é possível de se reverter. Agora há os que fazem a escolha pela morte lenta, às vezes trazendo complicações e dores e muito trabalho para as pessoas queridas. Sim, quando um homem não procura regularmente o médico para fazer seus exames rotineiros, está escolhendo a morte e não a vida. Quando homens e mulheres descobrem que estão com diabetes e não se cuidam, não mudam os hábitos alimentares e diários, estão a cada dia encurtando as suas vidas. Quem não preserva a vida, não luta por ela, é sim um suicida. Podem até defender que eles o fazem inconscientemente, sem se dar conta. Mas vamos falar sério, será que um pedaço de bolo de chocolate molhadinho vale mais que o carinho dos filhos? Será que uma cerveja bem geladinha vale mais a pena do que buscar garantir um dia a mais na companhia dos netos? Será que comer aquela suculenta lasanha, vale mais que o aconchego dos braços de quem se ama?  Sem contar que o diabetes é uma doença tranquila, se cuidada, se respeitada e bem administrada. Mas se ignorada, é cruel, pois a pessoa pode deitar enxergando e acordar cega, literalmente falando. Ela ataca de forma lenta, porém contínua, os rins, quando se percebe, ela já gangrenou uma perna e essa tem que ser amputada. Sim, dá para viver sem enxergar, sem uma perna e viver bem, mas vai dar trabalho até se readaptar ao novo jeito de viver e os que cercam e amam o descuidado, o irresponsável, vão sofrer muito, porque sofrem o seu sofrimento e do outro que está passando pela dificuldade que podia ser evitada. Se não tivesse comido o bombom, se tivesse trocado o refrigerante pelo suco, se tivesse saído da cadeira e ido fazer uma boa e regular caminhada. E se cuidar, para quem tem diabetes, dá um trabalhinho, mas perto do valor da vida, do bem estar e de poder continuar e aproveitando bem a companhia de todos é muito simples. Quase ninguém escolhe ficar doente, mas, quando fica, a escolha de se curar ou aprender a conviver com a doença de maneira saudável é de cada um. A escolha é sempre individual, os outros podem aconselhar, pedir, rezar, contudo, ao final, a escolha é do sujeito se pela vida ou pelo encontro com o seu final bem antecipado ao previsto. Alguns ainda vão argumentar “isso é bobagem, o dia D já está determinado”. Concordamos, todos já trazemos o prazo de validade determinado, talvez não seja permitido alongá-lo, mas encurtá-lo ou não é uma escolha de cada um.

 

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