Foto: Arquivo/Pessoal

Autismo não se cura, se compreende

2 de abril, dia Mundial de Conscientização do Autismo

Por Nara Coelho

A ONU, Organização das Nações Unidas, em 2007 declarou que 2 de abril seria o dia que no mundo todo dedicaria uma atenção especial à Conscientização do Autismo.

A importancia desse dia está em lembrar que o Autismo é um transtorno que não tem cura,que é preciso compreender o autismo e principalmente o autista na sua singularidade.

O Nascimento

O nascimento de uma criança acaba trazendo várias mudanças na rotina e na organização familiar, principalmente para os pais e ou cuidadores que passam por uma preparação para lidar com essas transformações. Quando esta criança começa a apresentar um desenvolvimento atípico e dificuldades na interação social, a família passa por um momento angustiante e cheio de dúvidas, que pode piorar quando é realizado o diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) na criança.

É comum sentir insegurança e negação após o diagnóstico

Uma das principais barreiras entre família e autismo é na hora de receber o diagnóstico. A psicóloga Beatriz Zeppelini B. M. Nasser, especializada em Análise do Comportamento, explica que as dificuldades vêm de muitas facetas, inclusive da mídia.

As pessoas acreditam que a criança com TEA ou é genial e obsessiva ou é agressiva e responde mal. “Existe muita coisa entre esses extremos e a gente não pode generalizar”, diz ela. “Os estereótipos do autismo dificultam a aceitação”.

O medo é normal

Sentimentos como o medo tomam conta da família que irá enfrentar obstáculos no seu cotidiano dos quais não estava preparada, pois receber uma criança autista acarreta numa nova realidade. A família passa por novas adaptações para atender as necessidades da criança, com isso, é natural que as relações familiares sejam afetadas, principalmente na saúde emocional desta família.

A decepção pode acontecer, mas deve ser superada

Com o impacto ao receber o diagnóstico de TEA, é comum os familiares passarem por um momento de negação. Há um luto devido à perda de uma criança que foi idealizada pela família, para que posteriormente consigam identificar as capacidades e potencialidades que a criança autista possui. Porém, essa negação não pode se prolongar, pois a intervenção precoce é extremamente importante.

Além do autismo, o autista é um ser humano

Beatriz explica que o processo de receber diagnóstico ainda é difícil entre família e autismo. Existem algumas dúvidas comuns, como o que pode acarretar na vida da criança?

Mas é importante entender a importância de não seguir estereótipos ao lidar com os sintomas e as dinâmicas da criança. E sempre, claro, apoiá-la no aprendizado e na socialização. “Além do autismo ele é um ser humano, vai ter os interesses dele, as habilidades dele, as dificuldades dele”.

É muito importante buscar informações sobre o TEA

Emoções como o medo e o constrangimento em cuidadores de crianças autistas ocorrem devido à grande falta de informação, experiência e compreensão sobre o TEA. Compreender as causas do autismo e as consequências advindas são essenciais para os familiares entenderem as futuras mudanças. Há grandes expectativas, tanto positivas como negativas, quanto ao futuro e o desenvolvimento da criança, e isso pode ser influenciado pelo entendimento e compreensão das informações e recursos oferecidos.

O apoio aos familiares é essencial

A reação dos pais frente ao diagnóstico é procurar ajuda e assistência para aquele filho, mas acabam esquecendo da importância da família se reestruturar para conseguir proporcionar um ambiente enriquecedor, sem estressores, com amor, afeto e compreensão da família, além de estimular as qualidades e habilidades que aquela criança pode apresentar.                       

A forma como cada criança autista evolui é única e depende de diferentes fatores, como o grau de comprometimento psíquico e principalmente o engajamento da família no processo terapêutico, contribuindo na evolução e na retomada do desenvolvimento. Por isso, é essencial que a família consiga se reestruturar para conseguir harmonizar a rotina familiar às novas mudanças, cuidando não só do membro com TEA, mas também adquirindo estrutura psicológica para todos os familiares que estão envolvidos diretamente.

Todos da familia e amigos devem se envolver

Quando se fala da importância da família abraçar a criança autista que chega, é toda a família, a dedicação dos pais e irmão será maior, mas inclusive é fundamental que avós, tios, primos também se envolvam, compreendam e acolham a criança.

Esses pais irão precisar muito desse apoio e compreensão e saber que a família está ali com eles, os ajuda e os fortalecem.

Os amigos

As crianças autistas às vezes são de uma convivência mais dificil e por isso podem se agitar em festinhas e reuniões familiares, é comum as famílias com crianças autistas sentirem o afastamento dos amigos.

O que é uma perda muito grande para quem se afasta, pois perde a oportunidade de conviver com a beleza da diferença. Evitam que seus filhos aprendam que o viver e conviver exige compreensão, tolerância, aceitação, respeito e carinho.

Perdem de aprender com a força, determinação, resiliência de pais que conseguem ir além das aparências, ultrapassarem a barreira do autismo e ver o lindo e ser humano que há em seu filho, vibrar e amar cada conquista.

Aos amigos e familiares cabe a bela tarefa de ser sustentação aos pais e aprenderem com eles o verdadeiro significado do acreditar e amar sem limites.

Fatos do Iguaçu

Compreendendo a beleza e a importancia abraçou essa causa, e durante os dias de 30/03 a 02/04 realizou reportagens, buscando colaborar com a conscientização de todos sobre a importancia da sociedade acolher os autistas.

Encerra trazendo o depoimento da Patricia de Fátima Martins, mãe das irmãs Maria Luiza e Mirela, Thaisa Uliana Freitas Silverio, mãe do pequeno Joaquim Henrique e Nilsa dos Santos, mãe da sapeca Maria Izabela dos Santos Quintiliano.

Três mães que contam as dificuldades de ser mãe de filhos autistas, mas, principalmente, exprimindo a delícia a gratificação que é ser mães de seus filhos e filhas.

Fontes: Vittude , Jadeautism.com

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Naor Coelho

Naor Coelho, administrador de empresa, jornalista e o diretor responsável pelo Fatos do Iguaçu

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