Fotos: Divulgação Agrária
Cooperativa fundada por imigrantes Suábios do Danúbio, em Entre Rios, Guarapuava, chega à marca histórica com 780 cooperados, mais de dois mil colaboradores e novos investimentos no Centro-Sul do Paraná
Por Redação Portal Fatos do Iguaçu
A Cooperativa Agrária, sediada no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, celebra nesta terça-feira, 05 de maio, seus 75 anos de história. A data marca a trajetória iniciada em 1951 pelos Suábios do Danúbio, etnia de origem germânica que, após a Segunda Guerra Mundial, encontrou no Brasil uma nova oportunidade de reconstrução por meio da agricultura, do cooperativismo e do trabalho comunitário.
A chegada dos pioneiros ao Paraná foi resultado de um processo histórico marcado por perdas e recomeços. Após a tomada das regiões onde hoje ficam países como Croácia, Hungria, Romênia e Sérvia pelo exército russo, os suábios tiveram seus territórios expropriados e passaram a viver como refugiados de guerra na Áustria por cerca de sete anos. Entre os projetos de realocação para outras partes do mundo, destacou-se a iniciativa do agrônomo Michael Moor, apoiada pela organização humanitária Ajuda Suíça para a Europa, que possibilitou a vinda de 500 famílias ao Brasil para viver da agricultura.
Sete décadas e meia depois, a Agrária se consolidou como uma das principais cooperativas agroindustriais do Paraná. Com foco no cultivo de soja, milho, cevada e trigo, a cooperativa utiliza essas culturas como matéria-prima em suas seis unidades de negócio: Agrária Farinhas, Agrária Grits e Flakes, Agrária Malte, Agrária Nutrição Animal, Agrária Óleo e Farelo e Agrária Sementes. Parte da produção agrícola também é direcionada à comercialização no mercado de commodities.
Além da estrutura instalada em Entre Rios, a cooperativa mantém uma planta industrial às margens da BR-277, em Guarapuava, e uma unidade de recepção e armazenagem de grãos no município de Pinhão. A Agrária também participa da Maltaria Campos Gerais, empreendimento instalado na divisa entre Ponta Grossa e Carambeí, em intercooperação com outras quatro cooperativas agroindustriais do Paraná. A estrutura ajudou a consolidar o Estado como o maior produtor nacional de malte.
Faturamento recorde e base cooperativista
Nos últimos anos, a Agrária registrou sucessivos recordes de faturamento, alcançando R$ 8,1 bilhões em 2025. Para o presidente do Conselho de Administração, Adam Stemmer, o desempenho é sustentado por três pilares considerados essenciais para a cooperativa: a comunidade, o cooperado e o colaborador.
Segundo Stemmer, a Agrária nasceu com a missão de proporcionar uma vida melhor às famílias suábias, o que mantém a cooperativa profundamente ligada à comunidade de Entre Rios. As tradições trazidas pelos imigrantes seguem presentes no distrito, especialmente em ações voltadas à cultura e à educação.

Atualmente, o quadro social da Agrária é formado por 780 produtores rurais. No último ano, eles cultivaram mais de 160 mil hectares, principalmente na região Centro-Sul do Paraná. Para fortalecer a relação com os cooperados, a cooperativa investe em pesquisa, assistência técnica, verticalização da produção e programas internos voltados à agricultura regenerativa.
A estratégia busca garantir maior rentabilidade por área plantada, ao mesmo tempo em que atende às exigências do mercado consumidor e contribui para a preservação dos recursos naturais. De acordo com Stemmer, tanto a comercialização de grãos quanto os processos industriais permitem à cooperativa assegurar a compra da produção dos cooperados, com preços mais atrativos que os praticados no mercado.
Sucessão familiar no campo
Outro ponto considerado estratégico pela Agrária é a sucessão nas propriedades rurais. Desde o lançamento do ciclo estratégico Atitude 5C, em 2024, o tema passou a ser tratado como prioridade. Para isso, a cooperativa criou o Programa Raízes, voltado à orientação das famílias cooperadas na condução do processo sucessório e na preparação dos futuros responsáveis pela atividade agrícola.
A iniciativa busca garantir a continuidade da produção no campo e fortalecer a permanência das novas gerações na atividade rural. Para a cooperativa, uma sucessão bem planejada é fundamental para a perenidade dos negócios e para a manutenção da base produtiva.
Colaboradores são destacados na trajetória da cooperativa
Além dos cooperados, a Agrária destaca a importância dos mais de dois mil colaboradores que atuam nas diferentes áreas da cooperativa. Adam Stemmer ressalta que a capacidade técnica, o engajamento e a permanência de profissionais por longos períodos são fatores que contribuem para a solidez da organização.
Segundo ele, o trabalho cotidiano das equipes internas é essencial para o funcionamento das unidades industriais, comerciais, administrativas e de apoio ao cooperado.
A Agrária do futuro

Com o olhar voltado para o futuro, a cooperativa mantém investimentos em planejamento, inovação e abertura de novos mercados. Em novembro de 2025, foi anunciado um projeto de infraestrutura de R$ 1,1 bilhão no distrito de Entre Rios. As obras, com conclusão prevista para 2028, incluem um Centro de Análises Laboratoriais, um Centro de Logística e uma nova torre para malteação de cevada.
A iniciativa, chamada Maltaria de Maltes Especiais, será desenvolvida em parceria com a empresa alemã IREKS. A intenção da Agrária é ser pioneira no Brasil na produção de maltes especiais, produto que atualmente é importado.
A expansão da cooperativa no Centro-Sul do Paraná também segue no planejamento. Nos próximos dias, devem começar as obras de terraplanagem para a construção de uma nova unidade de recepção e armazenagem de grãos em Boa Ventura de São Roque. Também está prevista a instalação de uma estrutura semelhante no município de Candói.
Outro projeto em estudo é a produção de proteína animal, proposta que poderá representar a criação de uma nova unidade de negócios da cooperativa e que já desperta interesse entre os cooperados.
Ao completar 75 anos, a Agrária reafirma o lema de amor pelo trabalho e compromisso com o futuro. Para Adam Stemmer, o grande desafio é manter vivo o espírito que deu origem à cooperativa: ser um motor de desenvolvimento para a comunidade, para os cooperados e para os colaboradores, preservando o legado construído pelos pioneiros suábios e preparando novas gerações para os próximos capítulos dessa história.

