Fotos: Nara Coelho/Fatos do Iguaçu
Portal Fatos do Iguaçu com Ione Rodrigues Correia Woynaroski
O município de Pinhão, no Centro-Sul paranaense, está vivenciando uma metamorfose histórica em sua governança. O que antes era um cenário pautado por estatísticas de vulnerabilidade social transformou-se, desde novembro de 2025, no epicentro de uma revolução liderada pelo saber popular e pela autonomia territorial.
O movimento, que rompe com a dependência de intervenções externas, consolidou-se na I Jornada Popular de Organização Territorial. A iniciativa reúne nove organizações de base que decidiram transicionar da espera passiva para a ação coletiva, visando alterar o equilíbrio de poder local e garantir o protagonismo sobre o futuro de suas comunidades.
A Força da União e o Fim da “Espera”
A jornada teve como um de seus marcos iniciais o encontro entre a ciência acadêmica e a sabedoria das lideranças locais, impulsionado pelo Seminário Oficina Prospectiva Territorial, realizado pela Fiocruz Brasília e pela Unicentro. Enquanto as instituições formalizam parcerias técnicas, as comunidades já avançam na prática com a análise de diagnósticos e planos de ação elaborados coletivamente.
A frustração com modelos de gestão “de cima para baixo”, que ignoram as realidades locais, foi o combustível para a criação de um pacto social indivisível. Como resume a própria base do movimento: “As mudanças não ocorrerão por outra via, ela só acontecerá com a organização e a ação popular”.
Vozes do Protagonismo Feminino e Social

Entre as lideranças que compõem esta frente, destaca-se a presença de:
-
Simone do Carmo Lisboa e Gessica Ribeiro Ferreira (Associação Passos para a Liberdade).
-
Sidelma Aparecida de Lima (Cidão Lima) (Associação São Roque, Faxinal dos Coutos).
-
João Maria Ferreira Nunes (Associação Comunitária N. Sra. Aparecida, Lageado Feio).
-
Elisene Jesus de Ramos (Associação Distrital de Pinhalzinho).
Para Simone do Carmo Lisboa, presidente da Associação Passos para a Liberdade, a união abre portas para projetos que antes eram apenas sonhos.
“A ideia é gerar renda para as mulheres, trazer o empoderamento e a capacidade de gerir financeiramente seu lar”, afirma Simone.
Ela explica que a associação atua como um núcleo de sustentabilidade e luta pela equidade. Com a nova coalizão e o suporte técnico da pesquisadora pinhãoense Ione Rodrigues, a entidade planeja escalar atividades de panificação e reciclagem têxtil, além de pleitear veículos para levar as ações para o interior do município.
Rumo à Independência Financeira: O Edital Itaipu
Um dos passos mais concretos desta jornada ocorreu nesta semana. No dia 18 de fevereiro, as lideranças reuniram-se no barracão de reciclagem da Associação Partilha em Produção — um espaço historicamente à margem do centro urbano — para organizar a documentação necessária para o Edital 001/2026 da Itaipu Binacional.
A escolha do local não foi por acaso: o objetivo é descentralizar o conhecimento e dar visibilidade a comunidades de catadores e grupos marginalizados. Após uma tentativa frustrada com o Edital Coopera Paraná, devido à alta burocracia, o grupo agora utiliza a inteligência coletiva para superar gargalos de infraestrutura e captar recursos que garantam autonomia.
Um Novo Capítulo
A rede colaborativa atual une atingidos por barragens, faxinalenses, catadores, agricultores familiares e mulheres em situação de vulnerabilidade. Mais do que uma estratégia econômica, a I Jornada Popular é um divisor de águas para o desenvolvimento sustentável de Pinhão.
Embora a jornada oficial se encerre neste dia 20 de fevereiro, as lideranças afirmam que este é apenas o começo de uma nova página na história do Paraná, onde o povo assume, definitivamente, as rédeas do seu território.
LEIA TAMBEM:
Fiocruz e Unicentro Lançam Parceria Histórica em Pinhão para Construir ‘Territórios Saudáveis’
Pinhão Recebe Projeto de Extensão da Fiocruz Para Fortalecer Saúde e Desenvolvimento Sustentável
Pinhão Marca Presença em Encontro Estadual de Sustentabilidade


