A culpa é da Internet. Será?

Por José Carlos Correia Filho*

Tenho ouvido cada vez mais reclamações que partem de pais e professores, os quais se queixam da falta de dedicação das crianças e dos adolescentes aos estudos. E dentre as razões para essa negligência com a educação, sempre aparece a Internet, as redes sociais e os jogos eletrônicos.

Os estudantes se distraem por muito tempo vendo os tais “memes”, vídeos, games, clipes de música. E quando se fala dos “bate papos” das redes sociais então? Fotos que precisam ser postadas diariamente como se isso fosse uma obrigação. De fato, há uma exagerada dedicação a coisas bastante inúteis e sem sentido, e de outro lado o abandono do que realmente seria digno de uma atenção maior por parte dos jovens. E tal situação, na modesta opinião deste professor, já deixou de ser preocupante, e está no nível de alarmante.

Mas, a culpa é da Internet? Ora, só porque algo lhe é oferecido, está disponível, você precisa mesmo mergulhar nisso de cabeça? Vou até citar um versículo bíblico: “Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada domine.1 Coríntios 6:12. Essa frase já responde muito, você precisa mesmo se prender, só porque a Internet está lhe oferecendo as correntes?

A Internet foi criada para facilitar a comunicação e a interação humana, e ela tem muita coisa boa, muita mesmo. Mas os mais jovens não conseguem fazer as escolhas corretas, nem dividir seu tempo entre o necessário e o apenas divertido. A quem cabe auxiliá-los? Cabe à família, em primeiro lugar, e depois à escola, às igrejas, etc.

É muito confortável dar um celular aos filhos e deixá-los à vontade, pois assim ficam quietos e “não incomodam”. Mas não é esse o papel de um pai e de uma mãe, pelo menos daqueles que querem mesmo o melhor para seus filhos. Nós precisamos sim determinar limites, horários para cada coisa, e sermos firmes nessa missão. Afinal, quem manda em sua casa, você, seu filho ou o celular dele(a)?

Há centenas de sites com conteúdo didático na rede, onde você pesquisa de tudo, todos os conteúdos das escolas. Muitos destes sites já trazem inclusive questões de vestibulares e simulados para que o estudante possa testar o que aprendeu, conferindo as respostas nos gabaritos. No YouTube há aulas prontas, que variam de cinco minutos a uma hora de duração, onde professores explicam cada conteúdo com ilustrações, tabelas, gráficos, mapas, imagens.

Imagine você determinar horários para seu filho assistir a vídeos sobre os assuntos que ele estudou na escola naquele dia, como ele vai melhorar seu desempenho escolar! Ou então, você já pensou que seu filho pode fazer um cursinho sem sair de cãs, e gratuitamente? Na Internet você pode encontrar formas de acesso às Universidades, sem passar pelo Vestibular, como o PAC da Unicentro, o PAS da UEL e da UEM, o PSS da UEPG. Programas de governo para financiamento estudantil. Informações sobre estágios remunerados para jovens que buscam o primeiro emprego.

É tanta coisa boa, mas você está aí, preferindo ver seus filhos gastarem dias e dias em bobagens inúteis, que não contribuirão em nada com o futuro deles. Acorde para acordar seus filhos! Repito: quem manda em sua casa é você, seus filhos ou os memes, vídeos, jogos?

Saia dessa zona de conforto de permitir que seus filhos façam o que querem na Internet. Invista no futuro deles, na formação deles, na vida deles. Quem sabe você mesmo não irá se motivar a ler mais, a buscar mais informações, mais conhecimento? Quem sabe você não vai descobrir que você pode também deixar alguma futilidade de lado, e pelo menos por uma hora diária, sentar-se ao lado deles, ver seus cadernos, perguntar sobre seu dia na escola, estimulá-los a estudar, diariamente.

Faça um teste, por dois meses, e observe as notas na escola. Faça isso, pelo amor que você diz ter aos seus filhos, tire eles dessa enorme quantidade de lixo idiotizante que há, e eleve-os à busca por um futuro melhor. Não é possível que você queira ver seus filhos feito zumbis em meio a tanta porcaria!

Será fácil? Não, mas ninguém disse que ser pai/mãe seria, e eu duvido que você tenha se iludido achando que fosse. E que não seja apenas uma imposição sua na base do grito. Mas que seja algo estimulado, feito em conjunto por vocês, que perdure e que vire hábito, que se torne rotina.

A escola do seu filho, por melhor que seja, não dá conta da educação dele sozinha, e você precisa assumir sua parcela nessa missão. A INTERNET PODE SER MUITO BOA, seu conteúdo pode fazer seus filhos crescerem muito, melhorarem muito, e ELA NÃO É A CULPADA se seu filho está deixando a desejar nos estudos. VOCÊ É.

*Professor de História

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