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Uma araucária é linda… mas um grupo de araucárias é um espetáculo da natureza: as sementes caem por perto, fincam raízes e deixam, a cada época, o cenário mais belo. A família Oliveira na educação é assim. Há quatro gerações atuando em Pinhão e contribuindo com o desenvolvimento do município, a história começa com a professora Menaide Gomes, segue com a filha Elvira Terezinha Gomes Oliveira e o genro Nereu Souza de Oliveira (que também lecionou por um período), chega à professora Ariane do Rocio Oliveira de Deus e floresce na bisneta Isabelle Maria Oliveira de Deus Danzer, hoje com 30 anos e 16 de sala de aula.

Conversar com Ariane e Isabelle é atravessar memórias que pedem pausa e respiro. Entre risos e olhos marejados, mãe e filha revisitam a Pinhão de ontem e de hoje, sempre pelas portas da escola.

Raízes: da casinha de madeira ao primeiro “prézinho”

As lembranças de Ariane começam no interior, onde a avó Menaide ensinava numa casinha de madeira próxima de onde hoje está a Escola Água Verde. Ao vir para a cidade, Ariane passa pelo “prezinho” perto da delegacia e pela Escola Municipal Professora  Eroni  Santos Ferreira (a antigo Castelo Branco), enquanto a mãe, Elvira, se tornava professora e diretora. Em casa, educação era ofício e vocação: Elvira comandou a primeira pré-escola do município, a Branca de Neve, e Nereu buscava crianças de Kombi para garantir que todas chegassem.

Mais tarde, Elvira seria homenageada com o nome de um CMEI no bairro Nossa Senhora Aparecida, reconhecimento por uma trajetória que ajudou a abrir caminhos para a educação infantil em Pinhão.

Troncos fortes: 30 anos de sala de aula e o olhar que amplia o mundo

Ariane soma três décadas no magistério — redes estadual e privada — e hoje é Gestora do Sucesso Acadêmico na faculdade Censupeg, concluindo sua terceira graduação, rumo ao Serviço Social. Sua formação como professora, conta, foi moldada por três referências: a professora Eroni Santos Ferreira, que lhe despertou o amor pela Matemática; a madrinha e professora Rosemari Solski, de quem herdou o hábito de ser madrinha de turma e organizar viagens que apresentavam o mar e a capital a estudantes do interior; e a pedagoga Nara Coelho, cuja orientação — firme e parceira — a fez crescer profissionalmente.

Ariane orgulha-se dos mais de 400 formados e dos cerca de 700 alunos que hoje frequentam a faculdade. O brilho que mais a emociona? “O dia do diploma”, quando aquele sorriso que segura o canudo simboliza emprego, concurso e melhora de vida para a família.

Copa de copa: a geração que segue ensinando e aprendendo

Isabelle cresceu cercada por cadernos, quadras e bibliotecas. Tentou a Engenharia por seis meses, a convite do pai, professor de Inglês e Português, mas a vocação falou mais alto: “Eu preciso ser professora para o resto da vida.” Hoje, é regente do 4º ano na Escola Municipal João José Zattar e docente do curso de Magistério (Morski), onde atua em três séries, inclusive na Prática de Ensino.

Entre cidade e interior, Isabelle percorre estrada de chão diariamente e enxerga diferenças que pedem pontes: no campo, a rotina mistura tarefa, roça e o sinal de internet que às vezes só chega “no barranco”; na cidade, a tecnologia avança, mas a tradição do respeito ao professor permanece. Em 2024, uniu alunos do Morski e do Zattar em atividades comuns: nasceu dali um vínculo natural, prova de que convivência e afeto educam tanto quanto os conteúdos.

Galhos abertos: juventude, trabalho e acolhimento

Para mãe e filha, o Pinhão acolhedor — de escolas engajadas e gente que se ajuda — evoluiu muito. Falta, porém, mais lazer e cultura para os jovens, além de oportunidades de primeiro emprego. Ariane cita o exemplo de um supermercado local que criou um programa de treinamento para adolescentes — disciplina, rotina, atendimento —, alinhando o potencial do jovem à necessidade da empresa. “Se confiarmos neles, eles mostram um potencial gigante”, reforça Isabelle.

A mensagem se estende ao tecido social: empatia como prática diária, cada um fazendo sua parte — do cuidado com a cidade às chances no mercado. Na educação, o chamado é claro: acolher. “A escola foi feita para amar”, diz Isabelle. “Se a criança não quer ficar, há algo errado.” Por isso, ela celebra os abraços na chegada, o lanche, o recreio e a alegria das pequenas conquistas que fazem o aluno querer voltar no dia seguinte.

Frutos novos: o amanhã que nasce hoje

Quando pensa no filho Emanuel, de 6 anos, Isabelle sonha com um Pinhão seguro, acolhedor e com empregos qualificados — na docência, sim, mas também em áreas de tecnologia, engenharia, saúde e robótica. “Que ele crie raiz aqui, como o bisavô e a bisavó criaram”, deseja.

Ariane completa: a cidade tem potencial, fé e gente trabalhadora. A faculdade mostrou isso “ao transformar vidas com diploma e oportunidade”. O desafio é seguir plantando — na escola, nas empresas, na comunidade — para que cada geração encontre sombra e horizonte.

Como um capão de araucárias, a família Oliveira comprova que educação é floresta: cresce em conjunto, sustenta biodiversidade de trajetórias e multiplica sementes. Em Pinhão, quatro gerações já provaram que ensinar é, antes de tudo, enraizar esperanças.


Reportagem publicada originalmente na edição impressa comemorativa aos 61 anos de emancipação política do município de Pinhão – PR.


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