UM PAPO RETO SEM FARPAS

Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Uma vez ou outra, um e outro jovem – às vezes nem tão jovem assim – acaba vindo até mim para, acreditem, pedir alguma espécie de orientação existencial pra esse caipira desorientado. Tadinhos deles. Tadinhos mesmo. Eles, definitivamente, não sabem o que fazem.

Mas, fazer o que, não é mesmo? Já que o pedido é feito, com o reluzir do desespero em torno das meninas dos zóios, creio que devemos procurar, dentro de nossas limitações, socorrer e acolher quem procura um candeeiro para alumiar o seu peregrinar por esse mundão de Deus.

Quando esses jovens me procuram, eles sempre pedem a indicação de um livro que os auxilie a matutar e, consequentemente, compreender melhor os seus dilemas. Uns são bem cabeludos. Outros, nem tanto. Mas todos, sem exceção, dilemas dignos de atenção.

Em regra, chegam sempre meio acanhados, de mansinho, sem saber por onde começar. Ouço-os atentamente e, após eles tentarem falar sobre o que estão procurando, pergunto, na lata e sem piscar: você está com uma crise de fé? E, melancolicamente, eles sempre respondem: “Sim. É isso mesmo professor”.

Após isso, em muitos casos, acaba emergindo no rosto deles certa confiança que os leva a desabafar e a fazer uma penca de perguntas. Algumas, de fato, muito boas. Outras tantas acabam sendo apenas o reflexo duma profunda desorientação gerada pelo cenário contemporâneo. Cenário esse tomado por um rasteiro hedonismo em misto com um materialismo vulgar que, de maneira indesejável, acaba enchendo a cabeça de qualquer um com um monte de minhocas.

Tal cenário, ao seu modo, é fomentado pelas instituições de ensino com sua criticidade oca, pela grande mídia com sua vulgaridade progressista e por aqueles que se apresentam como autoridades espirituais, ou como algo similar a isso, com suas lições de moral esvaziadas de sentido e profundidade.

Bem, mas essas pontas soltas ficam para outra ocasião, quem sabe para outra escrevinhação. O que vem ao caso, nesses turvos traços, é o pedido, quase desesperado, por uma leitura que nos ajude a sair da cova da desesperança modernosa. Um livro que, de fato, seja capaz de nos falar algo ao coração. Algo que valha. Livros esses que, sem grandes pretensões, aqui partilho se, por ventura, estamos também tomados, em algum nível, pela corrosão advinda das dúvidas existenciais geradas por uma possível crise de fé, de modo similar à vivida pelos jovens que algumas vezes me procuram.

O primeiro, que sempre recomendo, é da pena de C. S. Lewis. “CRISTIANISMO PURO E SIMPLES” é o nome da obra. Nesta encontramos uma série de conferências radiofônicas que foram proferidas pelo autor na rádio BBC de Londres durante a Segunda Guerra Mundial. Conferências cujas palavras nos guiam, serenamente, das sobras do vazio até a luz que nos é apresentada por Cristo, o Verbo divino encarnado.

Lembro-me até hoje que, um desses jovens, tempos depois, voltou até mim dizendo que gostou muito do livro, que a leitura o ajudou pra caramba e que, segundo ele: “o que foi mais legal professor é que a gente realmente entende o que o autor está dizendo”.

Batata! É isso mesmo.

O segundo é um psicólogo judeu. Victor Emil Frankl é seu nome. Homem esse que amargou alguns anos no campo de concentração de Auschwitz e, da experiência extrema que ele viveu, brotou, do seu tinteiro, uma extensa obra, mas nada foi tão profundo e sincero quanto o livro “EM BUSCA DE SENTIDO”.

Nesse, o referido autor, nos lembra o óbvio ululante. De que um homem que não tem um “por que viver” acaba não suportando nenhum “como se vive”.

Sobre esse livro, certa feita, uma jovem, que estava lendo-o, confidenciou-me: “Nossa! Esse livro faz a gente ver a vida com outros olhos”.

De fato, é bem desse jeito.

Enfim, poderíamos aqui tecer um punhadinho de comentários sobre essas duas obras e a respeito da vida dos dois autores, mas, penso eu, creio que não seria apropriado nesse momento.

Também poderia colocar junto com esses dois títulos mais um punhado de obras, porém, fazer isso, me pareceria algo inapropriado. Além de contraproducente seria apenas uma forma vil de me ametidar. E não é essa a intenção.

O propósito é ajudar quem deseja ser ajudado. Mostrar uma, duas lamparinas para quem procura um pouco de luz para encontrar o seu rumo num bom prumo. Só isso. Ponto.

Ah! E não se esqueça: toda leitura fica muito melhor e mais profícua quando acompanhada dum lápis, dum bloco de notas e duma boa xícara de café.

(*) Apenas um caipira bebedor de café.

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