Capa e Editorial da Edição n°: 785

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10 de fevereiro de 2017

É triste

            Noticiar que uma prefeitura abre as portas ao atendimento à população trinta dias depois da posse do novo prefeito, sabendo que essa nunca seria a vontade e  disposição do prefeito eleito. Mais triste ainda é saber que isso aconteceu porque ele encontrou um caos estrutural, financeiro, físico, de organização funcional e de gerenciamento dos recursos humanos na prefeitura. É lamentável constatar que ainda em pleno século vinte um administrador público, eleito pelo povo, possa usar e abusar dentro de uma prefeitura, fazer e administrar como se fosse sua casa. Ai fica a pergunta:  a lei de responsabilidade fiscal fica aonde neste caso? Como pode uma gestão descontar o valor dos empréstimos consignáveis dos funcionários e nada acontecer. A tristeza fica maior porque para tudo isso e outras barbaridades acontecerem, que sistema bancário e tantos outros setores que sofreram com os desmandos se calaram. E a pergunta: se calaram porquê? Será por medo? Por descrédito nos sistemas de punições e leis? Por considerar que o poder político pode mais que o legal? Tristeza porque todo o sistema da rede pública estadual e federal que se entrelaça com a municipal vivenciou sim a situação, já que vários programas, informações oficiais que tinham que chegar não chegaram até as esferas superiores, por incrível que possa parecer, pelo jeito não chamou a atenção. Ou será que não quiseram ver, de repente, além da justiça os sistemas dos órgãos governamentais estaduais. e federais  também andam precisando  tirar a venda dos olhos. E a imensa tristeza que nos abate é porque quem é atingido não é o novo governante que entra, este vai ter mais trabalho, mais dificuldade para conduzir a sua gestão, talvez não fique assim tão popular e querido da comunidade, já que durante um bom tempo o que mais vai dizer à população é, não dá, ainda estamos arrumando a casa. O que com certeza abala o seu prestigio político, mas o recupera se for um bom político. Se a população tiver sorte e ele for um bom político e um melhor administrador, vai conseguir dar a volta por cima e arrumar a casa e oferecer serviços dignos à população. Mas, enquanto isso, a população, os munícipes amargam a precariedade dos serviços públicos. A tristeza vem porque o verdadeiro sofredor, aquele que de fato sofre as consequências, ou melhor, as inconsequências e irresponsabilidades de alguém que brincou de administrar o bem público, é aquele munícipe que já está na vulnerabilidade. É o pai que se não encontrar uma escola pública de qualidade e em boas condições de receber o seu filho, não terá condições de leva-lo para a particular. É a pessoa que depende de uma saúde pública de qualidade, ágil, para garantir o tratamento e a cura da leucemia, câncer de mama, pneumonia e tantas outras doenças, que se não encontrar acolhida no público irá com certeza padecer, pois não tem meios econômicos para ir em busca do privado. Porém, a tristeza não pode ser a nossa conselheira e a condutora de nossos pensamentos, vamos trocar lá pela esperança. A esperança que a impunidade não será a vencedora, que a quem cabe defender o povo, ser seu representante, inclusive e principalmente contra o poder político que abusa do poder, não cruze os braços e faça a justiça acontecer. Porque se a impunidade prevalecer, a possibilidade do povo vir de novo a sofrer nas mãos dos que compreendem que o cargo público é um brinquedo que ele pode fazer o que seu bel prazer ditar, pois a história já mostrou que, quando a impunidade ganha, os ratos voltam ao ninho e de novo roem o bem público e ai mais que uma tristeza, vamos ter uma grande decepção.

 

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