MEDITAÇÕES COM O BODOQUE NA MÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela

PRIMEIRA BODOCADA – O problema não é que o brasileiro não sabe votar. Isso é lugar comum de gente tonga metida a sabida. O problema é que as escolhas possíveis são ruins feito a peste. Isso sem falar que o voto aqui é obrigatório. Enfim, por isso, penso eu, dizer que não sabemos votar é uma baita sacanagem.

SEGUNDA BODOCADA – Não precisamos que gênios nos governem, muito menos de salvadores da pátria. Francamente, o que mais precisamos é de governantes que façam-nos o favor de não nos atrapalhar com suas políticas megalomaníacas. Isso seria um bom começo. Um bom começo mesmo.

TERCEIRA BODOCADA – Existem pessoas imaturas investidas de alguma autoridade, com algum poder em suas mãos? É óbvio que sim. Na atualidade existem povos que não tem noção do tamanho da responsabilidade que repousa sobre seus ombros? É claro que há. E nós, brasileiros, estamos entre eles? Com certeza.

QUARTA BODOCADA – Com muita facilidade, atualmente, confunde-se um diálogo, seja ele ameno ou acalorado, entre amigos ou desconhecidos, com a prática dum debate. Ora, nem toda conversa é um debate. Aliás, se assim o fosse a vida seria um porre. De mais a mais, numa conversa, o discordar é habitual. Seja entre amigos ou não é isso o que torna um bate-papo agradável. E tem outra: essa gente toda que ufana o debater, que diz amar participar dum debate, muitas vezes não sabe nem mesmo conversar consigo mesmo, nem dialogar com uma outra pessoa, quem o diga debater.

QUINTA BODOCADA – Jamais considere o uso duma linguagem xucra como sinônimo de falta de caráter. O mundo está cheio de canalhas que, quando abrem a boca, o fazem com toda aquela doçura, com uma elegância só, como também, esse mundão de meu Deus está repleto de pessoas portadoras duma dignidade e integridade ímpares, mas que, raramente medem as palavras que usam, principalmente se estiverem com os seus parentes extraviados. Pra mim, francamente, qualquer um que julgue o caráter de alguém pelo uso duma linguagem elegante ou rústica não passa dum dissimilado que toma seu próprio caráter de geleia como unidade de medida para avaliar a honradez e a decência de alguém. Resumindo: gente assim, não passa dum tipinho jaguara que não vale um vintém. Ponto. E tenho dito.

SEXTA BODOCADA – Um dos muitos traços que melhor caracteriza uma alma enfermada com a peçonha totalitária é imaginar que a bondade é um ativo moral pertencente unicamente ao seu grupelho político que ele devotamente adere e que apenas é devida e absolutamente representada pelos seus ícones, pelos seus líderes. E, obviamente, qualquer um que ouse duvidar disso, na visão dessas pobres almas, não passa de um golpista safado, dum alienado chinfrim merecedor de todo o escárnio possível e pensável. Enfim, são pessoas assim que apresentam-se como defensores da ética, como arautos dum tal de mundo melhor possível e blábláblá. Bem, não é à toa que toda vez que esses tipos de tranqueiras tomam o poder em suas mãos acabam realizando algo que não corresponde em nada com a boniteza de suas artificiosas palavras, mas que, dum jeito ou doutro, acaba refletindo mais do que perfeitamente aquilo que há no fundo de sua miserável alma.

SÉTIMA BODOCADA – Certa feita Leandro Karnal havia dito que as redes sociais deram a voz a todos os idiotas, que elas permitiram que esses indivíduos pudessem tornar públicas as suas opiniões. Bem, pode até ser, mas, sejamos francos, isso é um grande progresso. Antes do advento das ditas redes sociais, apenas um grupo seleto de idiotas, cheios de posse e soberba, como o referido sinhô Dotô, podiam dizer suas idiotices pra todo mundo. Agora não. Qualquer idiota anônimo, como eu, também pode fazê-lo. E detalhe: fazê-lo sem precisar da chancela de nenhuma panelinha ideologizada de idiotas e sem nenhum custo para o bolso do contribuinte.

(*) Apenas um caipira bebedor de café.

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